A crise da mobilidade urbana X crise de financiamentos

Fonte: Anonymus Brasil Foto: Kristofer Oliveira Estamos vivendo de uma onda de aumentos de tarifas de transporte coletivo nos ônibus de cidades do país inteiro: as tarifas aumentaram ou estão na ...

Fonte: Anonymus Brasil
Foto: Kristofer Oliveira

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Estamos vivendo de uma onda de aumentos de tarifas de transporte
coletivo nos ônibus de cidades do país inteiro: as tarifas aumentaram ou estão
na iminência de aumentar. O problema está na estrutura do sistema, sem
mencionarmos amercantilização do direito de ir
e vir
 das
pessoas, que essa mesma máfia concordará conosco. “Sim, temos um problema grave
no sistema de transporte coletivo, porque as empresas estão quebrando e são
obrigadas a pedir aumentos de tarifa às prefeituras”, é o que nos dirão. “Não
temos mais como aceitar as gratuidades socialmente desnecessárias que prefeitos
populistas e irresponsáveis nos impõem”, é o que nos advertirão. 

“Essa crise só se resolverá quando dedicarem 25% da CIDE para
investimento em transporte urbano e metropolitano, quando desburocratizarem
nosso acesso ao BNDES e quando todos os insumos do setor gozarem de isenção
tributária”,
 é o que nos sugerirão interessadamente, com o apoio de engenheiros,
urbanistas, faculdades e universidades, institutos de pesquisa e outros
técnicos.
“O setor está em crise
porque não tem mais como se financiar unicamente através da tarifa”, é o que
transparece no discurso dos empresários e dos técnicos que a eles se submetem.
tarifa
Trata-se de uma crise de financiamento, que, segundo eles, deve ser
resolvida o quanto antes para que o sbrasileiras.istema volte a funcionar como
deveria. Resolver esta crise significaria, então, garantir a mobilidade da
população e trazer progressivamente de volta para o sistema de transporte
coletivo urbano os cerca de 37 milhões de brasileiros que hoje sãoforçados a
andar a pé, e apenas a pé, pelas
cidades brasileiras.
Na verdade o problema é outro. É
estrutural. O transporte coletivo urbano exige tamanho investimento em
infraestrutura que este setor passa a ser objeto de desejo de uma fração
reduzidíssima de empresários com altíssimo capital acumulado.
Se considerarmos, por
exemplo, o preço médio de um ônibus modelo padron em 2004 (R$ 144.630,96), e se
considerarmos que as empresas têm frotas que variam entre 62 e 220 ônibus
(tomando Salvador como base), temos, só em ônibus, entre R$ 8.967.119,52 a R$ 31.818.811,20
mobilizados por uma só empresa. E ainda há que se considerar a folha salarial
dos empregados (que pode variar, tomando novamente Salvador como base, entre
327 a 1.055 funcionários), a garagem (um terreno enorme onde caiba toda a frota
e haja espaço para oficinas mecânicas, depósitos de peças e combustiveis,
escritórios etc.), custos com manutenção dos veículos etc. 
Investimentos de tão alta monta num determinado
setor geram o que os economistas chamam de “situação de monopólio natural”, ou
seja, uma situação na qual o equipamento necessário é tão grande, ou a economia
de escala é tão grande (ou seja, só dá para ter lucro a partir de uma certa
escala de produção, geralmente enorme) que há poucas empresas ou pessoas em
condições financeiras de participar deste setor.
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