Domingo com filme: Última Parada 174

Fonte: Portal Ônibus
Paraibanos

Matéria/Texto:
Paulo Rafael Viana
Colaboração: JC Barboza
Nesse
domingo deixamos uma sugestão de filme que envolve ônibus em seu enredo. Nessa
pequena série de cinco partes mostraremos aqui cinco filmes envolvendo ônibus
como sugestão para nossos leitores, trazendo imagens e um resumo de como é o
filme e de como os ônibus estão envolvidos no enredo do filme. Como primeira
edição dessa série apresentamos o filme brasileiro “Última Parada
174”, de 2008, que é baseado em um acontecimento real de sequestro num
ônibus no Rio de Janeiro. Na imagem ao lado vemos a capa do DVD do filme.
Confiram mais aqui nessa matéria!

Título:
Última Parada 174
Ano:
2008
Direção:
Bruno Barreto
Elenco
principal:
Michel Gomes, Marcello Melo Jr, Cris Vianna
Gênero:
Ação / Drama
Classificação
indicativa:
Não recomendado para menores de 16 anos (Contém cenas de nudez, assassinato, sangue, consumo de
drogas, sexo)
O
filme se trata de uma ficção adaptada e baseada na vida de Sandro Barbosa do
Nascimento, morador de rua do Rio de Janeiro que sobreviveu à “Chacina da Candelária”, ocorrida na madrugada de 23 de julho de 1993. Na foto ao lado vemos uma das cenas do filme, com o personagem principal do filme, Sandro (Alê da Candelária), com a Igreja da Candelária ao fundo.
A chacina
aconteceu nas proximidades da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, ficando
assim conhecida por causa do nome da igreja. Sandro, o sobrevivente, sete anos
depois foi o sequestrador do ônibus de uma linha municipal do RJ, a 174 –
Central X Gávea. Não confundir as linhas “174 – Central” do filme
com a “175 – Central” da música “175 nada especial”, de
Gabriel O Pensador; apesar de terem o mesmo nome frontalmente, eram linhas
diferentes. A chacina da Candelária tirou a vida de mais de seis pessoas e
deixou várias outras feridas.
O
sequestro do ônibus da linha 174 aconteceu na tarde de 12 de junho de 2000,
quando o sobrevivente da chacina, Sandro, deixou o ônibus e os seus passageiros
sob a mira de um revólver calibre 38.
No
filme é narrada de forma paralela a história de dois garotos chamados
“Sandro”: o primeiro é o Alessandro (pilotando a moto na foto ao
lado), filho de uma mulher que devia a um traficante, que tomou o bebê
Alessandro de seus braços como pagamento da dívida; já o segundo é o próprio
Sandro Barbosa do Nascimento (como carona na moto), o sequestrador, que ainda criança perde a
mãe e toma outro rumo na vida. Acaba sendo confundido e fica conhecido como
“Alê” ou “Alê da Candelária”, por causa da chacina, apesar
de ele mesmo saber que seu nome não é Alessandro, e sim Sandro.
Alessandro
cresce criado na favela pelo traficante Meleca, e rapidamente aprende a vida no crime,
convivendo com drogas e armas. Já Sandro, depois da morte da mãe, acaba sendo
criado por outra mulher, mas ele abandona. Rapidamente se envolve com
“trombadinhas”, passando a cheirar cola e morar na rua, cometendo
furtos para comprar objetos, comida e drogas. Um detalhe é que Sandro fica
traumatizado com copos, que sempre quebram quando algo ruim está para acontecer
na sua vida, que no caso, é no filme. A primeira vez que o copo quebrou foi quando ele correu para ver
sua mãe que tinha sido assassinada.
Os
dois “Sandros” acabam se juntando para viver a vida do crime, mas se separam por
Alessandro achar que Sandro não era corajoso, por não atirar numa motorista ao não ter entregue a bolsa durante um assalto no trânsito. Sandro, confundido com Alessandro,
é encontrado por Marisa, que na realidade é a mãe de Alessandro e só vem descobrir
e reencontrar o filho verdadeiro no final do filme, durante o enterro do
sequestrador. Marisa se recuperou do vício nas drogas e passou a ser evangélica, e passa a tentar conviver e criar o suposto filho, mas já
envolvido com drogas, a vida não vai pra frente, e Sandro mais uma vez sai de
casa.
É nessa última saída que Sandro embarca armado no carro 51028 da Amigos
Unidos na linha 174, e ao pegar no sono dentro do ônibus, deixa seu revólver
aparecer, o que apavora um passageiro, que desce do ônibus e aciona a polícia. Nas três imagens abaixo vemos cenas da mesma sequência cronológica que narramos:
O sequestrador embarcando no ônibus

Passageiro que desceu do ônibus após ver o rapaz cochilando armado

O sequestrador acorda após o ônibus ser parado pela polícia, enquanto o cobrador se prepara para sair do ônibus pela porta traseira
Sequestrador com os reféns no ônibus
Quando
Sandro acorda, o ônibus já está cercado pela polícia, e é aí que começa o
pesadelo do sequestro ao ônibus 174, que vitimou a professora Geísa Firmo
Gonçalves e o próprio sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento. Geísa foi
morta por tiros disparado por um policial incompetente e pelo sequestrador, que
a usou como escudo humano ao descer do ônibus no final do sequestro, após
liberar os outros reféns aos poucos. Já Sandro foi morto por asfixia, causada
pelos policiais que o colocaram dentro de uma viatura às pressas, após uma
multidão correr para linchá-lo, depois de verem a professora sofrer os tiros.
Cena do filme que reproduz o momento em que uma das reféns escreve, por ordem do sequestrador, a frase “ele vai matar geral às 6 horas” no para-brisa do ônibus
Cena do filme em que Sandro aparece com uma refém na janela do ônibus
Curiosidades
do filme com ônibus –
Como citamos anteriormente, o ônibus era da empresa
Amigos Unidos e tinha o prefixo 51028. A Transportes Amigos Unidos era do mesmo
grupo que administrou a extinta Transportes Boa Viagem aqui na Paraíba, antes da
aquisição desta por parte do Grupo A Cândido, que renomeou a Boa Viagem para Santa Maria. A TAU, como era conhecida, não
existe mais, assim como todas as outras empresas do grupo que foram à falência
(atualmente quem opera no lugar é a empresa Translitorânea Turística).
A
linha 174 – Central X Gávea ligava a região central do Rio de Janeiro com a
zona sul, passando por pontos turísticos da Cidade Maravilhosa como a Praia do
Botafogo, Jardim Botânico (onde aconteceu o sequestro ao 174) e Jóquei Clube. A
linha foi renumerada em 2001 para evitar lembranças da tragédia e passou a ter o código 158. O ônibus envolvido no
sequestro tinha placas LBV-3361, pertencia à tradicional e extinta empresa
carioca Transportes Amigos Unidos e tinha o prefixo 51028. Era do modelo CAIO
Alpha e tinha chassis Mercedes-Benz OF-1620. Vejam na foto abaixo ele na época
do sequestro, operando a linha de São Conrado:
Exatamente o mesmo ônibus, o 51028 da TAU, que foi sequestrado
O
mesmo ônibus, placas LBV-3361, encontra-se atualmente numa cidade chamada
Divinolândia de Minas, no interior de Minas Gerais, como ônibus particular.
Teve o prefixo e o nome da empresa anterior retirados, porém a pintura em si
continua intacta, além da placa que continua no mesmo lugar (comparando com a
foto acima):
O ex-51028 da TAU atualmente no interior de MG, o mesmo do sequestro

o ônibus usado no filme foi fielmente reproduzido pela produção do longa, desde a pintura até o prefixo, mas
não era o mesmo veículo. Uma curiosidade disso tudo é que, apesar de reproduzirem a pintura e as cores fielmente, não colocaram o nome da empresa “Amigos Unidos” no ônibus, e sim o nome fictício “Cidade Unida”. O ônibus usado no filme foi um dos primeiros Alpha fabricados
pela encarroçadora CAIO, e pertenceu à empresa fluminense Machado (tinha o
prefixo RJ 162.035), Tinha placas KRA-1804:
Imagem do filme: Reprodução / Paramount

Imagens reais – As três imagens abaixo são reais, do sequestro em junho de 2000.
O sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento com uma refém dentro do ônibus

Ônibus da linha 174 com a frase “Ele vai matar geral”, escrita com batom, no para-brisa do ônibus. No momento uma das reféns é liberada pelo sequestrador

Sequestrador com uma refém e policiais do lado de fora
_____________________
O
filme pode ser encontrado em locadoras, lojas especializadas e também está
disponível de forma pirata na íntegra pela internet. É um filme que mostra toda
a tragédia do sequestro ao ônibus 174 de uma forma que envolve drama e
desigualdade social. Um filme que vale a pena ser assistido para ver a tragédia
não apenas com um olho indicador de “bandido, assassino”, mas também
com olhar sobre a realidade de várias pessoas no Brasil, de como se chega a esse ponto. Um excelente filme de
produção nacional que merece ser assistido e divulgado. Procure-o da forma que
achar melhor!
Alê da Candelária dentro do ônibus numa das cenas do filme

1 comentário em “Domingo com filme: Última Parada 174”

  1. um modelo de onibus como caio alpha, chassi of-1620 foi aposentado. mas a linha continua.
    somente muda o numero da linha. mas a linha 174 foi alterado. mas esta linha ficou na lembrança e inicio que rodou na cidade do rio de janeiro. o onibus caio alpha da viação tres amigos do RJ não vai ser o mesmo. Eu acho que esse modelo de onibus que vai continuar a linha, vai ser outro modelo de onibus. o sequestrador agiu como uma pessoa bandida. ele, tinha um comportamento agressivo e péssimo.

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