Empresários fazem pressão para aumento das passagens de ônibus no Grande Recife

Fonte:
Jornal do Commercio
Matéria / Texto: Margarette Andrea
Foto: Paulo Rafael Viana

Dezessete
meses depois de cancelar um aumento de 5,53%, anunciado para as tarifas de ônibus
do Grande Recife, o governo pernambucano começa a admitir a possibilidade de
reajuste das passagens. Pelos cálculos do empresariado do setor, a tarifa
necessária para equilibrar o sistema, hoje, seria de R$ 2,67 para o anel A, que
hoje é R$ 2,15 (um aumento de 24,2%). O governo fez contabilidade diferente e
chegou a R$ 2,50 (16,3%), valor que seria menor, pois foi calculado sem
considerar o subsídio de R$ 13,2 milhões a ser bancado pelo Estado ainda este
ano. O fato é que o tema voltou à discussão.

O
presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano, Nelson
Menezes, diz que está aguardando informações do empresariado para levá-las ao
atual e ao futuro governador, João Lyra e Paulo Câmara, respectivamente. “Até o
final do ano teremos definido se haverá aumento de tarifa ou subsídio, mas seja
o que for, só deve vigorar no próximo ano”, salienta. Ou seja: caberá ao
governador eleito definir se quem vai pagar a diferença entre custo e receita
são os usuários (como sempre ocorreu), o governo (como previsto na licitação),
ou ambos.
 
“Se
não chegarmos a R$ 2,67, será necessário complementar com mais subsídio”,
declara o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de
Pernambuco (Urbana-PE), Fernando Bandeira, lembrando que o setor está há três
anos sem aumento e isso repercute na qualidade do serviço. “Estamos utilizando
os recursos destinados à depreciação da frota e nossa própria remuneração para
cobrir os custos. Ou seja, deixa-se de investir em renovação dos veículos. Não
fosse a aquisição de 180 BRTs, a idade média da frota já estaria acima dos 4,3
anos. Há ônibus rodando que são de 2005”, destaca.
 
SUBSÍDIO

As empresas já tiveram desoneração do PIS/Cofins em maio do ano passado (era
3,65%) e do ICMS sobre o combustível (8,5%) em junho, mas isso não teria sido
suficiente para cobrir os custos, que aumentaram com a aquisição de 180 BRTs
(ônibus de trânsito rápido), cada um ao custo de R$ 750 mil. A alternativa
seria o governo bancar as gratuidades.
Constam,
no sistema, mais de 37,8 mil pessoas cadastradas que não pagam passagem e mais
53,1 mil com direito, também, a acompanhante. Desse total, 42% são deficientes
físicos e 45%, mentais. O número de novos pedidos de gratuidade se mantém em
mais de 1 mil ao mês. Para confirmar que essas pessoas têm direito ao benefício
e controlar o uso da gratuidade, esses passageiros estão realizando a
biometria. Até o final do ano, todos deverão estar com as digitais cadastradas.

Idosos, policiais, carteiros e estudantes também entram na conta. Só a meia
gratuidade para os estudantes representa uma redução na receita bruta de
14,48%.