Dois anos de pandemia: o que mudou no mercado rodoviário do Brasil? E o que ainda vai mudar?

Desde meados de 2021, quando a vacinação em massa da população brasileira permitiu a volta progressiva das atividades (e deu mais segurança à oferta do serviço), o setor começou a reagir.
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Há exatos dois anos, o mundo literalmente parou. A partir daquele março de 2020, a livre circulação de pessoas e de produtos mundo afora deu lugar a medidas restritivas em função da pandemia que se alastrava por todos os continentes. O impacto econômico, inimaginável em uma sociedade cada vez mais globalizada e dependente de uma complexa cadeia de suprimentos, foi profundo em quase todos os mercados.

Entre tantos setores afetados, o de transportes foi um dos casos mais críticos, justamente pelo tempo que levaria para se restabelecer mesmo após o fim da pandemia. Enquanto alguns negócios ainda conseguiram se manter se adequando ao ambiente online, para o mercado de transportes, não havia alternativa para o isolamento social, já que aviões comerciais e ônibus de passageiros ficaram por um longo período proibidos de circular.

Mas desde meados de 2021, quando a vacinação em massa da população brasileira permitiu a volta progressiva das atividades (e deu mais segurança à oferta do serviço), o setor começou a reagir. Segundo a Associação Brasileira de Transportes Terrestres e de Passageiros (Abrati), a procura por viagens de ônibus para o feriado de 12 de outubro de 2021 foi 30% superior ao registrado um mês antes (7 de setembro), um reflexo desta retomada. Também em outubro passado, a ANTT estimava que o volume de passageiros rodoviários no ano (cerca de 3,1 milhões) superaria o total transportado em 2019, pré-pandemia.

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Seria isso apenas uma demanda reprimida ou há de fato uma retomada do setor rodoviário pós-pandemia? Como empreendedor deste segmento há 12 anos, arrisco dizer que o mercado viveu uma revolução desde março de 2020. Há uma série de fatores que avançaram de maneira acelerada neste período – e que estão mudando inclusive o comportamento dos consumidores.  

VENDAS ONLINE CRESCERAM CINCO VEZES EM DOIS ANOS NO SETOR RODOVIÁRIO

Desde que criamos o primeiro portal de comparação de passagens rodoviárias do país, em 2009, com o objetivo de ajudar os viajantes brasileiros a ter informações de trajetos, preços e horários de ônibus e outros modais alternativos, já atendemos mais de 100 milhões de pessoas e somamos 600 milhões de pesquisas. Uma capilaridade que nos permitiu sermos alavancadores de novos negócios de transporte e turismo para parceiros como ClickBus, De Ônibus, Quero Passagem, Buson, Blablacar, entre outros.

Esta é a chave para entender os novos tempos. Até a pandemia, o setor rodoviário andava em marcha lenta na adoção de ferramentas digitais: poucas viações tradicionais focavam nas vendas online, era preciso retirar o bilhete físico nos guichês de rodoviárias, a experiência em comparação com o aéreo era mais complexa. Por outro lado, o mercado começava a se abrir para novos modelos de negócio, o que empurrava grandes players a pensarem no online e na conexão com OTAs, metabuscadores e outras empresas nativas digitais para facilitar a venda ao consumidor final.

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José Almeida, fundador e CEO da BuscaOnibus. Imagem: Betina Humeres

Nos anos em que o setor praticamente parou em função do vírus, o digital avançou de maneira acelerada como nunca antes. As viações tradicionais embarcaram de vez no mundo online, as primeiras empresas tech do setor ganharam mercado e novos players internacionais anunciaram a chegada ao país com grandes investimentos. Tudo isso representou um ganho de competitividade que está chegando aos usuários, na forma de facilidade de serviços e ofertas de passagens. Em 2021, um dos destaques da Black Friday foram as promoções rodoviárias, que chegaram a até 90% do preço convencional – algo impensável há até pouco tempo.  

A base de empresas atuando no setor não apenas cresceu como gerou uma nova relação de forças. O digital, que representava pouco mais de 5% das vendas do setor em 2019, hoje é a origem de aproximadamente 25% dos bilhetes vendidos – uma expansão de cinco vezes em meros dois anos. Isso impactou também o comportamento de consumidores. O volume de compra de passagens em até 48h do embarque caiu de 67% para 59% na comparação entre o pré e o pós-pandemia. 

Quem viaja de ônibus hoje começa a pesquisar com mais antecedência e a ver que há promoções significativas (como acontece no aéreo) que tornam o setor mais competitivo que outros modais alternativos, como o de caronas. Um exemplo: há três anos, quem procurava pela internet uma viagem rodoviária para o trecho Rio/São Paulo encontrava opções em apenas cinco viações – se o usuário fizer essa pesquisa agora em 2022, vai encontrar 12 diferentes empresas oferecendo passagens (entre viações e aplicativos digitais que atuam no setor rodoviário). 

Outro indicador desse novo momento do mercado: em 2019, o preço do trecho Rio/SP variava de R$ 93,39 e R$ 273,41. Hoje, essa pesquisa encontra uma variação muito maior, de R$ 19,99 a R$ 399,99 – mais opções para todos os bolsos. 

Essa aproximação da experiência do usuário do setor rodoviário em comparação com o aéreo reforça a importância dos metabuscadores, que foram muito importantes para a democratização e a expansão do mercado de viagens, turismo e hospitalidade. A partir de agora, com o aumento de oferta e de novos players, os buscadores são fundamentais para os consumidores terem uma visão completa das opções do mercado digital e, com planejamento e antecedência, podem render uma boa economia na hora da compra. 

Por José Almeida, fundador e CEO da BuscaOnibus

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