A Prefeitura do Rio de Janeiro lançou nesta terça-feira (22/07) o edital de consulta pública para a primeira etapa da nova licitação do sistema municipal de ônibus. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa no Centro de Operações e Resiliência (COR), com a presença do prefeito Eduardo Paes, do vice-prefeito Eduardo Cavaliere, da secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.
A consulta ficará aberta por 30 dias no site da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), e permitirá que a sociedade envie sugestões e contribuições ao projeto, considerado um marco na reformulação do transporte público por ônibus da cidade.
“O sofrimento vai acabar. Não será do dia para a noite, mas até o fim do mandato, em 2028, teremos esse sistema completamente reformado, como fizemos com o BRT”, afirmou o prefeito Eduardo Paes. “A mudança começa agora, e os primeiros efeitos serão sentidos já na Zona Oeste, especialmente em Campo Grande e Santa Cruz”.
Implantação será gradual e começa pela Zona Oeste
A nova licitação será implementada por fases, iniciando pela Zona Oeste, região com maior número de reclamações e problemas operacionais. A primeira etapa será executada até abril de 2026, com ampliação significativa da frota em Campo Grande e Santa Cruz:
- Campo Grande: aumento de 95 para 112 ônibus troncais (ligando o bairro a outras regiões) e de 37 para cerca de 75 ônibus locais;
- Santa Cruz: ampliação de 67 para aproximadamente 103 veículos nas linhas locais.
No total, a reestruturação prevê a compra de mais de 4 mil ônibus novos e investimentos em garagens, infraestrutura e tecnologia, além da criação de garagens públicas para permitir a entrada de novos operadores no sistema.
Um novo modelo de operação e remuneração
Entre as mudanças mais relevantes está o fim do pagamento em dinheiro dentro dos ônibus, o que visa aumentar a segurança e agilizar o embarque. A remuneração dos operadores será baseada em quilômetros rodados e indicadores de desempenho, e não mais na quantidade de passageiros transportados.
Todos os novos veículos deverão ser zero quilômetro, com padrão EURO VI, menos poluentes e mais eficientes. A frota será 100% acessível, climatizada e equipada com tecnologia de ponta, incluindo:
- Carregadores USB;
- Sensores de temperatura do ar-condicionado;
- Botão de pânico;
- Aviso automático de próxima parada;
- Câmeras internas (CFTV);
- Velocímetro visível aos passageiros;
- Sistemas ADAS (condução assistida) e DMS (detecção de fadiga).
Um novo nome e uma nova era
Com a reformulação, o sistema também ganha nova identidade: deixa de se chamar SPPO (Sistema de Transporte Público por Ônibus) e passa a ser chamado Sistema Rio – Rede Integrada de Ônibus. O prazo contratual das novas concessões será de 10 anos.

A nova licitação foi antecipada em razão de um acordo judicial firmado em abril de 2025 entre a Prefeitura, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e os quatro consórcios responsáveis pelas operações. Inicialmente, o processo estava previsto apenas para 2028.
Segundo a secretária Maína Celidonio, “essa é a etapa final da grande transformação estrutural do transporte da cidade, depois da nova bilhetagem digital e da reestruturação do sistema BRT”.
Próximas fases da licitação
- Fase 1 (até abril/2026) – Campo Grande e Santa Cruz;
- Fase 2 (nov/2025 a set/2026) – Zona Oeste, Vila Isabel e Ilha do Governador;
- Fase 3 (abr/2026 a abr/2027) – Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Zona Norte;
- Fase 4 (nov/2026 a nov/2027) – Mesmas regiões da fase anterior;
- Fase final (set/2027 a ago/2028) – Zona Sul e linhas com maior avaliação pública.
Avanços desde o primeiro acordo judicial
Desde maio de 2022, quando foi firmado o primeiro acordo entre a Prefeitura, o MP-RJ e os consórcios operadores, diversas melhorias foram implementadas:
- Mil novos ônibus integrados à frota;
- Criação ou reativação de 200 linhas, incluindo 65 noturnas;
- Retomada do atendimento em mais de 800 pontos de parada, priorizando áreas carentes.
Além disso, a qualidade da operação passou a ser monitorada trimestralmente por meio do Índice de Qualidade do Transporte (IQT), que avalia aspectos como regularidade, conforto, idade da frota, ar-condicionado, satisfação dos usuários e penalidades contratuais. Operadoras com nota abaixo de 0,8 podem perder a exclusividade sobre as linhas que operam.
Com a nova licitação e o Sistema Rio, a Prefeitura busca consolidar um modelo de transporte mais eficiente, justo e conectado às necessidades da população carioca.
Imagens: Divulgação Prefeitura do Rio
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