A Reforma Tributária brasileira entra em vigor em janeiro de 2026 e já promete transformar profundamente a gestão financeira das empresas de transporte por ônibus. Embora o setor conte com alíquotas diferenciadas, especialistas alertam que a aparente tranquilidade pode esconder riscos significativos.
No novo modelo, o transporte urbano, semiurbano e metropolitano será isento de CBS e IBS, enquanto o rodoviário intermunicipal e interestadual terá redução de 40%, pagando apenas 60% da alíquota padrão. A princípio, pode parecer um benefício, mas a mudança envolve muito mais do que números: altera fluxos de caixa, prazos e formas de pagamento de tributos.
Segundo a Thomson Reuters, 95% das empresas brasileiras esperam impactos médios ou altos, mas 76% ainda não estão preparadas. Isso significa que quem não agir agora pode perder competitividade, margens de lucro e até estabilidade financeira.
Crédito em regime de caixa e split payment
Entre as mudanças mais sensíveis estão a substituição do regime de competência pelo regime de caixa e a adoção do split payment. Na prática, créditos fiscais só poderão ser apropriados após o pagamento efetivo da nota, impactando diretamente o fluxo financeiro.
Além disso, com o split payment, os tributos serão descontados automaticamente no momento da transação, reduzindo o valor líquido disponível em caixa e eliminando a prática de utilizar o imposto retido como capital de giro.
Impacto nos custos e na burocracia
Outro ponto de atenção é o Imposto Seletivo, previsto para 2027, que poderá aumentar o custo de veículos com base em critérios ambientais. Já no campo burocrático, as empresas terão de lidar com a coexistência de dois sistemas tributários até 2033, o que exigirá forte atualização tecnológica.
A Receita Federal já atualizou o layout do BP-e TM, e empresas que não se adequarem correm o risco de ter notas rejeitadas. A Praxio, integrante do grupo de Pilotos da Reforma, acompanha de perto cada atualização técnica para garantir transições mais seguras às companhias do setor.
Tecnologia como aliada
Para Emerson Grandi, a chave está na tecnologia. A integração entre áreas financeiras e operacionais, além da atualização constante dos sistemas, será fundamental para que as empresas transformem os desafios da Reforma em oportunidades de fortalecimento.
“Não se trata apenas de quanto se vai pagar em tributos, mas de como e quando esses pagamentos serão feitos. Quem se preparar agora sairá na frente”, conclui o executivo.
Imagem: Divulgação/Praxio
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