A decisão do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN) de decretar a caducidade das linhas operadas pela Empresa Alves pode representar mais do que o fim de uma concessão: é a chance concreta de iniciar a reconstrução do transporte intermunicipal rodoviário potiguar. Há anos o sistema convive com frota antiga, oferta reduzida de horários e municípios desassistidos, um cenário que limita a mobilidade e fere o direito básico de ir e vir de milhares de pessoas.
Uma oportunidade de recomeçar
A caducidade não precisa ser lida como mera punição. Bem conduzida, ela abre espaço para reorganizar o sistema, atrair novas operadoras, modernizar a frota e restabelecer padrões de qualidade — conforto, segurança e previsibilidade. O objetivo é simples e urgente: devolver dignidade ao usuário.
Quando o rigor traz resultados
Há referência prática na própria Região Metropolitana de Natal. Após a caducidade aplicada à Parnamirim Field (que atendia Parque Industrial e Emaús), outra operadora ocupou o espaço e os efeitos foram imediatos: ônibus mais novos, horários mais regulares e maior confiabilidade segundo os passageiros. O caso prova que, com atuação firme do órgão gestor, é possível corrigir distorções e elevar o padrão do serviço.
Hora de agir de forma estruturada
Para que a caducidade da Alves seja um marco de virada e não um episódio isolado, o DER precisa seguir um roteiro claro:
- Avaliação técnica linha a linha, com diagnóstico de demanda e desempenho;
- Atualização de permissões e realização de novas licitações, com regras transparentes e metas mensuráveis;
- Exigência de idade média de frota compatível com segurança e conforto;
- Fiscalização efetiva e contínua, com indicadores públicos e penalidades previsíveis;
- Calendário de expansão de oferta em municípios e distritos hoje subatendidos.
Mobilidade como motor de desenvolvimento
O transporte intermunicipal é infraestrutura social e vetor econômico: conecta o trabalhador ao emprego, o estudante à escola, o cidadão aos serviços de saúde e ao comércio regional. Reestruturar o sistema é ampliar acesso, oportunidades e cidadania no Rio Grande do Norte.

Se conduzida com planejamento, transparência e visão de futuro, a caducidade da Alves pode inaugurar um novo ciclo — mais moderno, eficiente e justo — para quem depende do ônibus todos os dias.
Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com
Imagem: Júlio Barboza
Receba as notícias em seu celular, clique aqui para acessar o canal do ÔNIBUS & TRANSPORTE no WhatsApp.















