A Tarifa Zero, política pública que garante gratuidade no transporte coletivo urbano, tem ganhado força no Brasil e se consolidado como uma das principais estratégias de transformação da mobilidade e de promoção da inclusão social. Em 2025, o país vive o cenário mais robusto de sua história: 154 municípios adotam o modelo, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Desse total, 127 cidades oferecem gratuidade universal, válida em todas as linhas, todos os dias da semana e para todas as pessoas.
Com esse avanço, o Brasil ultrapassa proporcionalmente o continente europeu, que contabiliza 164 cidades com algum tipo de tarifa zero — muitas, entretanto, com modelos parciais, restritos por horário, público ou zonas específicas.
A expansão da tarifa zero no país está diretamente ligada aos impactos positivos observados nas cidades que implementaram o programa: aumento significativo de passageiros, dinamização econômica, fortalecimento da indústria, maior arrecadação de impostos e melhoria da qualidade de vida da população.
Aumento expressivo de passageiros e maior oferta de ônibus: o círculo virtuoso da mobilidade
Nas cidades brasileiras onde a Tarifa Zero foi implantada, os números são contundentes. Em Caucaia (CE), o volume de passageiros cresceu 371%, saltando de 510 mil para 2,4 milhões de viagens mensais. Em Luziânia (GO), o aumento atingiu 202% em apenas dois meses.

Esse crescimento da demanda exige ampliação de oferta — e isso tem ocorrido rapidamente. Maricá (RJ), referência nacional no modelo, registra crescimento de 160% na frota de ônibus municipais desde o início do programa. Mais veículos significam mais viagens, intervalos menores e melhor cobertura das regiões periféricas.
Esse processo cria um ciclo virtuoso:
- Aumento da demanda
- Expansão da frota
- Maior atividade industrial (carrocerias, chassis, peças, pneumáticos, manutenção)
- Geração de empregos
- Crescimento da arrecadação tributária
- Reinvestimento em mobilidade e infraestrutura
Isso evidencia que a Tarifa Zero não é apenas uma política social, mas um indutor estruturante de desenvolvimento urbano e industrial.
Impacto econômico direto: famílias gastam menos e comércio vende mais
Um dos maiores benefícios da tarifa zero recai diretamente sobre o orçamento das famílias. Em Maricá, estudos apontam que o peso do transporte no gasto mensal dos moradores caiu cerca de 20% após a implantação do sistema.
O dinheiro economizado passa a ser direcionado para outras necessidades: alimentação, lazer, serviços ou consumo local.

Esse movimento já é percebido em várias cidades brasileiras. Em Paranaguá (PR), por exemplo, o comércio registrou aumento de 30% nas vendas após a implantação da gratuidade no transporte. Com mais circulação de pessoas, especialmente das áreas periféricas para o centro, o comércio torna-se mais dinâmico, atrai novos investimentos e fortalece pequenos negócios — pilares fundamentais da economia municipal.
Inclusão social ampliada: acesso à saúde, educação, emprego e lazer
A Tarifa Zero também tem impacto profundo na inclusão social, reduzindo desigualdades e ampliando direitos.
Em São Caetano do Sul (SP), a prefeitura identificou queda nas faltas de consultas médicas, resultado direto da facilidade de deslocamento sem custo. Situações como essa se repetem em municípios que adotaram a gratuidade, onde:
- Estudantes passam a frequentar aulas com maior regularidade
- Pessoas desempregadas conseguem buscar vagas em regiões mais distantes
- Moradores periféricos ampliam acesso ao lazer e cultura
- A mobilidade não se torna barreira para participação social
A tarifa zero democratiza o acesso à cidade e diminui as diferenças entre quem pode pagar por transporte e quem antes era excluído por limitações financeiras.
Benefícios também para o poder público: planejamento, eficiência e dados
Ao contrário da percepção comum, a tarifa zero não enfraquece a gestão do transporte municipal — ela a fortalece. Com o fim da cobrança individual por passagem, a prefeitura passa a ter maior controle:
- Sobre a demanda real de cada linha
- Sobre a distribuição dos recursos do sistema
- Sobre a expansão planejada da rede
- Sobre a necessidade de investimento em corredores, terminais e tecnologia
Além disso, o modelo reduz custos operacionais ligados à bilhetagem (cartões, validadores, transações bancárias, arrecadação embarcada) e diminui ocorrências relacionadas a evasão, fraude e conflito tarifário.

Com dados mais precisos de origem e destino, o poder público planeja melhor e entrega um transporte mais eficiente.
Uma política pública estrutural para cidades mais justas
A expansão da Tarifa Zero no Brasil demonstra que o modelo não é apenas viável, mas sustentável — e que gera benefícios que ultrapassam a mobilidade, alcançando dimensões econômicas, sociais e urbanísticas.
Mais do que uma gratuidadade, a tarifa zero representa:
- Acesso universal à cidade
- Redução de desigualdades
- Estímulo econômico
- Fortalecimento da indústria de ônibus e da cadeia automotiva
- Melhor qualidade de vida
- Cidades mais humanas e conectadas
Com resultados sólidos e experiências bem-sucedidas, a tendência é de que cada vez mais municípios brasileiros adotem o modelo e consolidem um novo paradigma de mobilidade urbana no país.
Imagens: Rodrigo Gomes / Divulgação
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