O cronograma da nova licitação do transporte metropolitano do Recife (STPP/RMR) sofreu mais um adiamento. Segundo informações publicadas pelo Diário de Pernambuco, o Governo de Pernambuco passou a prever a publicação do edital apenas em setembro de 2026, com eventual assinatura dos contratos em fevereiro de 2027.
O processo, que se arrasta desde 2013, ainda não resultou na formalização definitiva dos contratos para operação das linhas metropolitanas.
Sistema opera com permissões temporárias
Atualmente, cerca de 75% da operação do transporte metropolitano funciona por meio de permissões provisórias. O modelo abrange aproximadamente 269 linhas que atendem o Recife e demais municípios da Região Metropolitana.
Tentativas anteriores de licitação chegaram a avançar, mas os contratos não foram assinados diante do alto custo estimado, em um contexto de instabilidade econômica.
O Consórcio de Transporte Metropolitano do Grande Recife informou ao Diário de Pernambuco que o processo ainda depende de análises por órgãos de controle e que o cronograma definitivo será divulgado após a conclusão dessas etapas.
União garante 100 ônibus elétricos
Para aumentar a atratividade do certame, o Estado firmou acordo de cooperação técnica com o Governo Federal do Brasil, assegurando o fornecimento de 100 ônibus elétricos para a futura operação.

A medida integra um pacote mais amplo que também contempla a concessão à iniciativa privada do sistema do Metrô do Recife. A inclusão dos veículos elétricos busca fortalecer a modernização da frota e estimular a transição energética no transporte urbano.
Financiamento e subsídios pressionam o sistema
Dados apresentados pela Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco indicam que o recente reajuste tarifário aprovado pelo Conselho Superior de Transporte Metropolitano teve como objetivo cobrir despesas operacionais como combustível, manutenção e folha de pagamento.
Os subsídios públicos destinados ao sistema são estimados em cerca de R$ 500 milhões, além das receitas provenientes da tarifa paga pelos usuários e da compra antecipada de passagens pelo Estado, que somou aproximadamente R$ 22 milhões em 2025.
A entidade também questiona judicialmente o aumento da tarifa, argumentando que parte da operação ainda não possui contratos administrativos definitivos.
Frota envelhecida preocupa Ministério Público
Outro ponto crítico envolve a vida útil da frota. Dados encaminhados ao Ministério Público de Pernambuco indicam que um a cada três ônibus da Região Metropolitana do Recife circula acima do limite legal de idade, índice que ultrapassa 50% em algumas empresas.

Segundo o órgão, a falta de renovação aumenta o risco de falhas operacionais, como o apagão registrado em 22 de janeiro de 2025, que impactou mais de 4,7 mil viagens. Há ainda preocupação com possíveis interrupções adicionais, a exemplo do encerramento das atividades da Empresa Vera Cruz.
Incertezas e novo modelo de concessão
O modelo anterior previa a adoção de uma Parceria Público-Privada (PPP), proposta em 2022, que não avançou. A atual gestão estadual informou que a conclusão do processo licitatório deve ocorrer apenas em 2027.
O adiamento mantém o sistema metropolitano sob regime provisório e prolonga o debate sobre governança, sustentabilidade financeira e qualidade do serviço em um dos maiores sistemas de transporte urbano do Nordeste.
Imagens: Paulo Rafael Viana / Júlio Barboza
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