Uma sequência de ataques a ônibus voltou a colocar em alerta o sistema de transporte público no Rio de Janeiro, após uma operação policial realizada na região central da cidade. Criminosos sequestraram ao menos sete coletivos, utilizando os veículos como barricadas e incendiando um deles em uma das principais vias da capital.
Os episódios reforçam o avanço do vandalismo contra ônibus urbanos e evidenciam a crescente vulnerabilidade da operação, com impactos diretos na mobilidade e na segurança de passageiros e trabalhadores do setor.
Ônibus sequestrados e usados como barricadas
De acordo com informações preliminares, seis ônibus foram atravessados em vias estratégicas para bloquear o tráfego, enquanto um veículo foi incendiado, interrompendo completamente a circulação em uma área de grande fluxo.
A prática de utilizar ônibus como barricadas tem se tornado recorrente em ações criminosas, dificultando o acesso das forças de segurança e ampliando o caos urbano.
Casos mais que dobraram em poucos anos
Dados recentes mostram que esse tipo de ocorrência tem crescido de forma acelerada. Entre 2024 e 2025, o número de episódios envolvendo ônibus utilizados em barricadas mais que dobrou, saltando de 119 para 254 registros.
Somente neste ano, já foram contabilizados 39 casos de ônibus sequestrados no Rio de Janeiro, o que representa uma média alarmante de um veículo interceptado a cada dois dias.
Impactos diretos no transporte e na população
Os ataques geram efeitos imediatos na rotina da cidade, incluindo:
• Interrupção de linhas de ônibus
• Prejuízos operacionais para as empresas
• Risco à integridade de motoristas e passageiros
• Congestionamentos e colapso viário em áreas afetadas
Além disso, o clima de insegurança tem levado ao fechamento temporário de comércios e alteração na rotina de moradores em regiões atingidas pelas ações criminosas.
Protocolos ainda não conseguem conter escalada de ataques
Apesar da criação de protocolos de segurança anunciados anteriormente pelas autoridades, os resultados ainda são limitados diante da escalada dos crimes.
Empresas de transporte relatam dificuldades em antecipar operações policiais e, consequentemente, retirar veículos de circulação em tempo hábil para evitar que sejam alvo de ataques.
O diretor de comunicação do Rio Ônibus, Paulo Valente afirmou que é necessário manter sigilo sobre as ações, mas que as notificações são recebidas ao mesmo tempo que outros órgãos públicos e que, embora haja comunicação com as empresas, nem sempre é possível avisar motoristas que já estão em operação nas ruas.
Segurança do transporte público no Rio em xeque
A recorrência de episódios envolvendo ônibus vandalizados, incendiados e sequestrados coloca em debate a necessidade de medidas mais eficazes para proteger o sistema de transporte coletivo.
Especialistas apontam que a situação exige maior integração entre órgãos de segurança pública e operadores do transporte, além de estratégias preventivas que reduzam a exposição dos veículos em áreas de risco.
Violência urbana impacta mobilidade
Embora os ataques tenham ocorrido como reação a uma operação policial, o foco recai sobre os impactos diretos no transporte e na população, que acabam sendo os principais prejudicados.
A continuidade desse cenário representa um desafio para o poder público e para as empresas, que precisam lidar com prejuízos financeiros, riscos operacionais e a necessidade de garantir o funcionamento de um serviço essencial.
Imagens: André Coelho/TV Globo
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