Expansão do BRT na Baixada avança e empresas de ônibus detalham integração com novos terminais no Rio

Ofícios enviados ao Detro-RJ revelam reconfiguração de linhas, criação de serviços alimentadores e conexão direta com BRT e trem
BRT

A expansão do sistema BRT para a Baixada Fluminense começa a sair do campo dos estudos e ganha desdobramentos concretos na operação do transporte intermunicipal. Enquanto a Prefeitura do Rio de Janeiro já projeta levar o modelo a cidades como São João de Meriti e Nova Iguaçu, empresas de ônibus que atuam na região antecipam esse movimento e formalizam pedidos de integração ao novo sistema.

Nas últimas semanas, viações como a Vera Cruz e a Nossa Senhora da Penha protocolaram ofícios junto ao Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), solicitando mudanças estruturais em suas linhas para operação integrada com o BRT Transbrasil e com o sistema ferroviário.

O movimento ocorre após o início da operação da linha 77 — primeiro serviço BRT conectando o Rio à Baixada, ligando a capital ao município de Mesquita. Ainda com operação parcial, a expectativa é de ampliação para horários de pico, o que deve acelerar a reorganização da rede metropolitana.

O prefeito Eduardo Cavaliere destacou, em publicação recente, o envio dos ofícios como sinal de alinhamento entre operadores e o novo modelo de transporte, baseado em integração, eficiência e hierarquização da rede.

Empresas antecipam mudança e propõem novo modelo operacional

Os documentos revelam uma mudança clara de paradigma: as empresas deixam de operar longas viagens até o Centro do Rio e passam a estruturar suas linhas como alimentadoras de sistemas de alta capacidade, como o BRT e os trens da SuperVia.

A proposta segue diretrizes modernas de mobilidade urbana, baseadas em:

  • Integração modal
  • Hierarquização da rede
  • Redução de sobreposição de serviços
  • Aumento da eficiência operacional

Segundo os ofícios, a manutenção das linhas até o Centro tem gerado perda de eficiência, aumento do tempo de viagem e queda de demanda, especialmente nos trechos paralelos ao BRT na Avenida Brasil.

Integrações solicitadas: linhas deixam o Centro e passam a operar em terminais

Os pedidos apresentados detalham exatamente como essa integração será feita.

Linhas operadas pela Vera Cruz (Mesquita)

As linhas intermunicipais com destino ao Centro do Rio passam a ter como novo ponto final o Terminal Margaridas, em Irajá:

  • Linha 479B Mesquita x Central (via Edson Passos)
    → Novo destino: Terminal Margaridas
    → Integração: BRT Transbrasil + linhas urbanas
  • Linha 478B Mesquita x Central (via Chatuba)
    → Novo destino: Terminal Margaridas
    → Integração: BRT + corredor Avenida Brasil
  • Linha 651I Mesquita x Central (via Via Light)
    → Novo destino: Terminal Margaridas
    → Integração: BRT Transbrasil
BRT

Na prática, essas linhas deixam de operar até o Centro e passam a funcionar como alimentadoras do BRT.

Linhas operadas pela Nossa Senhora da Penha (Nova Iguaçu)

A reestruturação também atinge linhas importantes da Baixada:

  • Linha 133B Nova Iguaçu x Central
    → Novo destino: Terminal Deodoro
    → Integração: BRT + SuperVia (trem)
    → Nova função: linha alimentadora
  • Linha 479I Nova Iguaçu x Cidade Universitária (Fundão)
    → Novo destino: Terminal Margaridas
    → Integração: BRT Transbrasil
    → Substitui acesso direto ao Fundão por integração

Detalhes operacionais reforçam papel alimentador

Os anexos dos ofícios trazem dados técnicos que reforçam essa lógica:

  • Frota predominante: ônibus com ar-condicionado
  • Linhas principais (479B, 478B, 133B e 479I): 5 veículos cada
  • Linha 651I: operação reduzida com 1 veículo
  • Quadros de horários distribuídos ao longo do dia, com foco nos picos

O desenho operacional indica que as linhas passam a alimentar os terminais, e não mais competir com os corredores estruturais.

Terminal Margaridas e Deodoro ganham papel central

Os documentos destacam o Terminal Margaridas como peça-chave da nova rede. Localizado em Irajá, o terminal foi concebido para funcionar como hub de integração entre:

  • Linhas intermunicipais
  • BRT Transbrasil
  • Linhas urbanas municipais

Já o Terminal Deodoro amplia essa lógica ao integrar também o sistema ferroviário, permitindo conexões com maior capilaridade.

Impacto direto do BRT na demanda das linhas

As empresas são diretas ao apontar que a implantação do BRT já impacta a operação tradicional:

  • Redução significativa de passageiros
  • Perda de competitividade das linhas convencionais
  • Necessidade de reequilíbrio econômico

A sobreposição com o corredor da Avenida Brasil é citada como um dos principais fatores.

Tarifa modal de R$ 6,70 é proposta para integração

Outro ponto relevante é o pedido de autorização para aplicação de uma tarifa modal de R$ 6,70, com objetivo de:

  • Viabilizar a integração entre ônibus, BRT e trem
  • Garantir sustentabilidade financeira das operações
  • Evitar distorções tarifárias no sistema

Prefeitura projeta expansão para mais cidades

Paralelamente, a Prefeitura do Rio já estuda expandir o BRT para outros municípios da Baixada, como São João de Meriti e Nova Iguaçu.

O prefeito Eduardo Cavaliere chegou a destacar, em redes sociais, os ofícios enviados pelas empresas, interpretando o movimento como alinhamento do setor ao novo modelo de mobilidade.

Modelo alimentador se consolida na Região Metropolitana

A soma dos fatores indica uma transformação estrutural no transporte da Baixada Fluminense. O modelo que se desenha segue padrão adotado em grandes metrópoles:

  • Sistemas estruturais (BRT e trem) como eixo principal
  • Linhas intermunicipais atuando como alimentadoras
  • Integração física e tarifária nos terminais

A decisão final agora depende da análise do Detro-RJ e do Governo do Estado. Caso aprovada, a proposta marcará uma das mais profundas reconfigurações do transporte público na Região Metropolitana do Rio nos últimos anos.

Imagens: Alex Bernardes / Leonardo Lopes

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