A recente escalada no preço do diesel acendeu um sinal de alerta no sistema de transporte intermunicipal do Rio Grande do Norte. Empresários e permissionários relatam um cenário crítico, marcado por forte pressão financeira e risco real de paralisação dos serviços já nos próximos dias.
Levantamento realizado pela coluna Mobilidade em Pauta, do portal Por Dentro do RN, aponta que, apesar da isenção de ICMS sobre o combustível, o aumento acelerado no valor do diesel tornou a operação economicamente inviável para grande parte dos operadores.
Segundo os relatos, sem uma intervenção imediata do Governo do Estado, o sistema pode entrar em colapso já na próxima semana.
Disparada do diesel anula efeito da isenção fiscal
Os dados mais recentes mostram uma elevação expressiva no preço do Diesel A S500 em pouco mais de um mês. O combustível saltou de R$ 3,28 para R$ 5,62, acumulando alta de R$ 2,34 no período.
A evolução dos preços evidencia a intensidade da pressão sobre o setor:
- 19/02 – R$ 3,28
- 26/02 – R$ 3,32 (+ R$ 0,04)
- 05/03 – R$ 4,07 (+ R$ 0,75)
- 12/03 – R$ 5,07 (+ R$ 1,00)
- 19/03 – R$ 5,52 (+ R$ 0,45)
- 26/03 – R$ 5,62 (+ R$ 0,10)
Mesmo com o ICMS zerado, operadores afirmam que o benefício já não é suficiente para equilibrar as contas.
“O imposto zerado ajuda, mas não resolve. O problema agora é o valor base do combustível, que disparou. A conta simplesmente não fecha”, relatou um empresário do setor.
Dificuldade de abastecimento agrava crise
Além do impacto financeiro, operadores relatam dificuldades práticas para manter a operação.
“Hoje, todos que atuam no sistema intermunicipal estão com seríssimas dificuldades para comprar diesel. Não estamos conseguindo nem abastecer”, afirmou um permissionário.
O problema atinge tanto empresas de maior porte quanto operadores do transporte alternativo, ampliando o risco sistêmico.
Risco real de paralisação já nos próximos dias
Com custos em alta e ausência de novas medidas de apoio, o setor alerta para a possibilidade concreta de interrupção das atividades.
Segundo empresários, a paralisação pode ocorrer já na próxima semana caso não haja resposta emergencial do Governo do Estado.
A suspensão do serviço impactaria diretamente milhares de usuários que dependem do transporte intermunicipal para trabalho, estudo e acesso a serviços essenciais.
Ausência de subsídio direto expõe fragilidade do sistema
Um dos principais pontos levantados pelos operadores é a falta de uma política estruturada de financiamento para o transporte intermunicipal no estado.
Embora exista a isenção de ICMS, não há subsídios diretos que ajudem a absorver variações bruscas de custos, como o aumento do diesel.
O sistema é regulado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte, que, até o momento, não dispõe de mecanismos permanentes de compensação financeira.
Diferença em relação a Natal reforça pressão por medidas
O cenário contrasta com o modelo adotado na capital potiguar. Em Natal, a Prefeitura tem implementado políticas de apoio ao transporte coletivo, incluindo:
- subsídios diretos ao sistema;
- gratuidade em dias específicos;
- benefícios tarifários para estudantes;
- aportes financeiros regulares.
Para os operadores, essa diferença evidencia a necessidade de maior participação do Governo do Estado no custeio do transporte intermunicipal.
DER/RN ainda não se posicionou oficialmente
Procurado para comentar a situação, o Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Fontes ligadas ao órgão indicam que o tema já foi encaminhado para análise da Casa Civil, mas eventuais medidas dependem de decisão do Executivo estadual.
Setor cobra resposta imediata para evitar colapso
Diante do agravamento da crise, empresários e permissionários reforçam a necessidade de ações urgentes.
Sem medidas emergenciais, o Rio Grande do Norte pode enfrentar uma paralisação inédita no transporte intermunicipal, com impactos diretos na mobilidade da população e na dinâmica econômica regional.
Imagem: Divulgação
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