A administradora judicial da massa falida do Grupo Itapemirim, EXM PARTNERS ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA (EXM PARTNERS) apresentou à Justiça um novo relatório de prestação de contas, revelando que os ativos financeiros sob gestão ultrapassaram R$ 90,4 milhões até janeiro de 2026.
O documento, protocolado no âmbito do processo de falência que tramita na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, detalha a movimentação financeira ocorrida entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, incluindo receitas, despesas e aplicações vinculadas às contas da massa falida.
Indicadores operacionais mostram escala da operação
Além dos dados financeiros, o relatório apresenta indicadores operacionais que ajudam a dimensionar a estrutura herdada do grupo.
Entre março de 2023 e janeiro de 2026, a operação acumulou:
- Mais de 92,5 milhões de quilômetros rodados
- Cerca de 103 mil horários realizados
- Mais de 3,58 milhões de passageiros transportados

Os dados reforçam a relevância histórica do grupo no transporte rodoviário brasileiro e o impacto da sua descontinuidade no setor.
Saldo expressivo e estrutura de contas
De acordo com o relatório, o montante total da massa falida alcançou R$ 90.441.531,91, sendo a maior parte concentrada em contas judiciais.

A estrutura financeira é composta por:
- 15 contas judiciais com saldo
- 11 contas correntes vinculadas ao processo
Os valores mantidos em contas judiciais somam mais de R$ 90,3 milhões, enquanto as contas correntes apresentam saldo residual de aproximadamente R$ 82 mil, evidenciando a centralização dos recursos no ambiente judicial.
Principais fontes de receita
O relatório aponta que a movimentação financeira do período foi impulsionada por diferentes fontes de entrada de recursos, com destaque para:
- Receitas provenientes de contratos de arrendamento
- Valores obtidos em leilões de ativos
- Atualizações monetárias e rendimentos financeiros
- Transferências judiciais e desbloqueios de valores
Entre os principais destaques está a arrecadação de mais de R$ 67,5 milhões oriundos de leilões de ativos, além de valores superiores a R$ 10 milhões relacionados a contratos de arrendamento, evidenciando a estratégia de monetização dos bens da massa falida .
Despesas e saídas financeiras
No mesmo período, também foram registradas saídas relevantes, relacionadas principalmente a:
- Pagamentos a prestadores de serviços
- Custeio de despesas operacionais da massa falida
- Honorários e levantamentos judiciais
- Custos administrativos e legais
Os dados indicam movimentações significativas envolvendo escritórios de advocacia, consultorias e empresas especializadas, refletindo a complexidade da gestão de um processo falimentar de grande porte.
Recursos bloqueados e entraves operacionais
O relatório também aponta a existência de valores bloqueados em contas correntes, que ainda aguardam transferência para contas judiciais vinculadas ao processo.
Segundo a administradora judicial, há aproximadamente R$ 76,9 mil com restrições operacionais, além de valores menores bloqueados, que dependem de procedimentos bancários e judiciais para liberação e centralização.
Esses entraves operacionais evidenciam desafios administrativos comuns em processos de falência, especialmente quando envolvem múltiplas instituições financeiras.
Estrutura de pessoal e áreas operacionais
O relatório também apresenta a evolução do quadro de colaboradores, distribuídos entre setores como:
- Administrativo
- Manutenção
- Operacional
- Rodoviária
- Motoristas
- Cargas

Os dados indicam uma estrutura robusta, com destaque para a área operacional e motoristas, que concentram a maior parte da força de trabalho.
Transparência e acompanhamento judicial
A prestação de contas segue as exigências da Lei nº 11.101/2005, que regula os processos de falência no Brasil, e tem como objetivo garantir transparência na gestão dos recursos da massa falida.

O documento também apresenta detalhamento das atividades realizadas, incluindo arrecadação de ativos, evolução do quadro de credores e acompanhamento das ações judiciais em curso.
Receita e distribuição regional
A análise por estado demonstra forte concentração de receitas em algumas unidades federativas. Entre os principais destaques estão:
- Rio de Janeiro, com cerca de 24,93% da participação
- São Paulo, com aproximadamente 23,03%
- Espírito Santo, com cerca de 12,99%
- Minas Gerais, com aproximadamente 12,12%

O acumulado total por estado ultrapassa R$ 354,6 milhões, evidenciando a abrangência nacional das operações do grupo antes da falência.
Contexto da falência e impactos
A falência do Grupo Itapemirim, um dos mais tradicionais operadores do transporte rodoviário no país, continua sendo acompanhada de perto pelo mercado e por credores, devido à relevância histórica da empresa e ao volume financeiro envolvido.
A evolução das contas e a recuperação de ativos são fatores determinantes para o pagamento de credores e para o desfecho do processo judicial.
Imagens: Diego Almeida Araújo
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