A FABUS divulgou os dados consolidados da produção brasileira de carrocerias de ônibus referentes a março de 2026, apontando a fabricação de 2.673 unidades no período. O resultado reflete a dinâmica da indústria nacional e confirma o protagonismo de fabricantes como Caio e Marcopolo em seus respectivos segmentos.
O levantamento evidencia um cenário de crescimento na comparação mensal e reforça a diversificação da produção entre ônibus urbanos, rodoviários e veículos de menor porte.
Produção cresce em março e indica retomada
O volume de março representa um avanço de 545 unidades em relação a fevereiro de 2026, além de crescimento de 244 unidades na comparação anual, sinalizando recuperação gradual da indústria de transporte coletivo.
O desempenho positivo ocorre em um contexto de retomada da demanda por mobilidade e renovação de frota em diferentes regiões do país.
Segmento urbano mantém protagonismo com liderança da Caio
O segmento de ônibus urbanos registrou a produção de 820 unidades, equivalente a 30,68% do total do mês, consolidando-se como o principal mercado da indústria.

A liderança ficou com a Caio, com 477 carrocerias, seguida por:
- Marcopolo – 203 unidades
- Mascarello – 125 unidades
- Comil – 11 unidades
- Volare – 4 unidades
O resultado reforça a predominância da Caio no fornecimento para sistemas municipais e metropolitanos.
Micro-ônibus ganham força com liderança da Neobus/Ciferal
O segmento de micro-ônibus somou 708 unidades, representando 26,49% da produção total.

A liderança ficou com a Neobus/Ciferal, com 418 unidades, seguida por:
- Caio – 258 unidades
- Marcopolo – 32 unidades
O segmento segue estratégico para operações de menor demanda, fretamento e serviços urbanos complementares.
Miniônibus: Volare lidera produção
No segmento de miniônibus, foram produzidas 511 unidades, com liderança da Volare, que respondeu por 334 carrocerias.

A Mascarello aparece na sequência com 177 unidades.
A categoria tem ganhado relevância em aplicações urbanas, escolares e de transporte corporativo.
Rodoviários: Marcopolo mantém hegemonia
O segmento de ônibus rodoviários totalizou 634 unidades, com liderança da Marcopolo, responsável por 282 carrocerias.

Na sequência aparecem:
- Comil – 178 unidades
- Busscar – 71 unidades
- Irizar – 66 unidades
- Mascarello – 28 unidades
- Volare – 9 unidades
O segmento mantém participação relevante, impulsionado pela retomada das viagens de média e longa distância.
Exportações mantêm volume e liderança da Marcopolo
As exportações somaram 240 unidades em março, com leve queda de 6 unidades em relação a fevereiro.
A liderança ficou com a Marcopolo, com 86 unidades exportadas, seguida por:
- Irizar – 66 unidades
- Comil – 54 unidades
- Volare – 17 unidades
- Busscar – 11 unidades
- Mascarello – 6 unidades
No acumulado de janeiro a março, o Brasil exportou 603 unidades, mantendo presença relevante no mercado internacional.
Produção acumulada em 2026
No acumulado do primeiro trimestre, a produção nacional atingiu 6.196 carrocerias.
A liderança permanece com a Caio, com 1.837 unidades, seguida por:
- Marcopolo – 1.055 unidades
- Mascarello – 912 unidades
- Volare – 823 unidades
- Neobus – 817 unidades
- Comil – 409 unidades
- Busscar – 208 unidades
- Irizar – 135 unidades
Considerando os grupos empresariais, a Marcopolo, que inclui Volare e Neobus/Ciferal, lidera com 2.695 unidades, enquanto o Grupo Caio, com a Busscar, soma 2.045 carrocerias.
Participação por segmento
Em março de 2026:
- 30,68% – ônibus urbanos (820 unidades)
- 26,49% – micro-ônibus (708 unidades)
- 23,72% – rodoviários (634 unidades)
- 19,12% – miniônibus (511 unidades)
No acumulado do ano:
- 33,67% – urbanos (2.086 unidades)
- 22,79% – rodoviários (1.412 unidades)
- 22,39% – micro-ônibus (1.387 unidades)
- 21,16% – miniônibus (1.311 unidades)
O segmento intermunicipal ainda não registrou produção em 2026.
Análise de mercado: indústria resiliente e em transformação
Os dados da FABUS confirmam que a indústria brasileira de ônibus mantém resiliência estrutural, mesmo diante de um cenário econômico ainda desafiador.
O avanço da produção em março indica uma retomada consistente puxada pelo segmento urbano, impulsionado por programas de renovação de frota, exigências ambientais como o Euro 6 e reorganização dos sistemas municipais — especialmente em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo.
Outro ponto relevante é o crescimento dos micro e miniônibus, que vêm ganhando espaço em operações mais flexíveis, como alimentadores, fretamento e transporte sob demanda. Essa tendência acompanha a transformação da mobilidade urbana, com foco em eficiência operacional e capilaridade.
No segmento rodoviário, embora ainda abaixo dos níveis históricos, observa-se uma recuperação gradual da demanda, impulsionada pelo turismo, retomada econômica e investimentos em serviços premium.
Já no mercado externo, as exportações seguem relevantes, mas ainda oscilam diante de fatores como câmbio, competitividade internacional e demanda em mercados da América Latina e África.
Em síntese, o setor caminha para um novo ciclo, marcado por três pilares principais:
Sustentabilidade, com a consolidação do Euro 6
Tecnologia, com veículos mais conectados e eficientes
Diversificação, com maior equilíbrio entre segmentos
A tendência é de crescimento moderado ao longo de 2026, com oportunidades ligadas à renovação de frota, expansão de sistemas urbanos e inovação nos modelos de operação.
Imagens: Luiz Petriz / Guilherme Martins
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