Entrou em vigor nesta terça-feira (15) o reajuste de 4,26% nas tarifas do transporte intermunicipal no Rio Grande do Norte, autorizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte – DER-RN. A medida, baseada na recomposição inflacionária, ocorre em um cenário de críticas relacionadas à qualidade do serviço, à frota envelhecida e à ausência de exigências de melhorias por parte das operadoras.
O aumento impacta diretamente os usuários que dependem do transporte rodoviário intermunicipal, especialmente em regiões onde o ônibus é o principal meio de deslocamento entre cidades.
Frota envelhecida preocupa usuários e especialistas
Um dos principais pontos de questionamento está na idade dos veículos em operação no sistema de transporte intermunicipal do Rio Grande do Norte. O sistema atual ainda conta com ônibus com mais de duas décadas de uso, o que levanta preocupações sobre segurança, conforto e eficiência operacional.
Na Região Metropolitana de Natal, há registros de veículos fabricados em 2009 ainda em circulação, enquanto em rotas intermunicipais mais longas existem casos de ônibus com data de fabricação ainda mais antiga, evidenciando a necessidade de renovação de frota.
Mesmo diante desse cenário, o reajuste tarifário não foi condicionado a metas de modernização ou substituição dos veículos, o que intensifica o debate sobre a qualidade do serviço prestado.
Reajuste busca recompor custos operacionais
De acordo com o DER-RN, o aumento foi calculado com base na inflação acumulada, considerando a necessidade de equilíbrio econômico do sistema. A decisão foi construída em diálogo com empresas operadoras, permissionários e representantes dos trabalhadores.
Um dos compromissos destacados foi a manutenção dos empregos no setor, evitando cortes de postos de trabalho em um momento de pressão sobre os custos operacionais das empresas.
Além disso, o governo estadual manteve a isenção de ICMS sobre o combustível, válida até o final de 2026, medida que reduz parcialmente os custos das operadoras e busca minimizar impactos mais severos no valor das tarifas.
Ausência de contrapartidas gera críticas
Apesar das justificativas econômicas, a ausência de exigências vinculadas ao reajuste tem sido alvo de críticas. O aumento não está atrelado a melhorias como modernização da frota, aumento da frequência de viagens, melhoria da acessibilidade ou avanços na tecnologia embarcada.
Na prática, isso significa que os passageiros passam a pagar mais sem garantias de evolução na qualidade do serviço, o que amplia a insatisfação e reforça a percepção de desequilíbrio entre custo e entrega.
Diferença em relação ao modelo adotado na capital
O cenário intermunicipal contrasta com o modelo adotado no transporte urbano de Natal, onde recentes ajustes tarifários vieram acompanhados de políticas públicas mais amplas.
Na capital, foram implementadas medidas como gratuidade para estudantes, ampliação de benefícios tarifários e discussões sobre licitação do sistema, além da vinculação de subsídios ao cumprimento de metas de qualidade pelas empresas.
Essa diferença evidencia abordagens distintas na gestão da mobilidade urbana e regional, com o sistema intermunicipal ainda centrado na sustentabilidade financeira das operadoras.
Mobilidade e qualidade entram no centro do debate
O reajuste reforça um debate estrutural sobre o futuro do transporte no estado: como equilibrar custos operacionais, manutenção de empregos e qualidade do serviço.
Sem mecanismos que condicionem aumentos tarifários a melhorias concretas, o sistema corre o risco de perpetuar problemas como frota antiga e baixa qualidade operacional, afetando diretamente a experiência dos usuários.
Diante disso, especialistas apontam que o avanço do setor passa necessariamente pela integração entre financiamento, regulação e metas de desempenho, garantindo que o transporte rodoviário intermunicipal evolua em linha com as necessidades da população.
Imagem: Arquivo Por Dentro do RN
Texto: Thiago Martins
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