Natal recebe ônibus usados após aumento da tarifa e reacende debate sobre renovação da frota

O sistema de transporte público de Natal voltou ao centro do debate urbano após a chegada de novos ônibus usados […]
Natal

O sistema de transporte público de Natal voltou ao centro do debate urbano após a chegada de novos ônibus usados para operação na capital potiguar. A movimentação ocorre poucos dias depois do reajuste tarifário que elevou o valor da passagem de R$ 4,90 para R$ 5,20, além da implementação de medidas de gratuidade e benefícios sociais. O tema foi abordado pelo jornalista Thiago Martins na coluna “Mobilidade em Pauta”, do site Por Dentro do RN.

Segundo informações do setor, ao menos oito veículos seminovos já foram incorporados neste ano pelas empresas Santa Maria e Cidade do Natal, responsáveis por parte da operação municipal.

A situação reacende discussões sobre o equilíbrio entre aumento tarifário, políticas sociais e a esperada melhoria da qualidade do serviço oferecido à população.

Veículos chegam com histórico de operação em outras cidades

Os ônibus recentemente incorporados não são unidades zero quilômetro. Tratam-se de veículos que já circularam em outros sistemas urbanos e foram transferidos para uso em Natal.

A prática é comum no transporte coletivo brasileiro, especialmente em momentos de restrição financeira das operadoras. Ainda assim, o tema costuma gerar resistência entre passageiros que aguardam uma frota mais moderna, confortável e confiável.

Há ainda relatos no mercado de que novos veículos usados poderão chegar à cidade nos próximos meses, ampliando a presença desse perfil de frota no sistema local.

Reajuste da tarifa elevou expectativa dos usuários

O aumento da passagem para R$ 5,20 foi defendido pelo poder público como necessário para garantir equilíbrio econômico ao sistema e preservar a continuidade da operação.

Paralelamente ao reajuste, também foi anunciado um pacote de benefícios tarifários e gratuidades, entre eles:

  • gratuidade para estudantes da rede pública no trajeto casa-escola
  • manutenção e ampliação da meia-passagem
  • possibilidade de tarifa zero aos domingos
  • isenções em datas especiais, como Enem e eleições

Embora as medidas tenham impacto social relevante, parte dos usuários também esperava contrapartidas ligadas à qualidade operacional, especialmente renovação da frota e maior conforto nos ônibus.

Frota antiga segue entre os principais problemas

A idade média dos veículos e o padrão da frota permanecem entre os principais desafios do transporte coletivo natalense.

Entre as reclamações recorrentes de passageiros estão:

  • ônibus antigos
  • falhas mecânicas
  • superlotação em horários de pico
  • falta de climatização
  • irregularidade de viagens

Nesse cenário, a chegada de unidades usadas pode representar reforço operacional imediato, mas não necessariamente uma transformação perceptível na experiência do passageiro.

Renovação da frota deve ganhar peso em futura licitação

Especialistas do setor avaliam que a discussão tende a crescer com o avanço do processo de licitação do transporte público de Natal, tema aguardado há anos.

Um novo contrato poderá estabelecer critérios mais rígidos sobre:

  • idade máxima da frota
  • padronização dos veículos
  • exigência de acessibilidade
  • tecnologia embarcada
  • ar-condicionado
  • metas de qualidade

Sem essas definições, a renovação tende a ocorrer de forma pontual e condicionada à capacidade financeira das empresas.

Uso de ônibus usados não é irregular

É importante destacar que a utilização de ônibus usados não é proibida, desde que os veículos atendam às normas técnicas, operacionais e de segurança exigidas pelos órgãos responsáveis.

Natal

O debate central, porém, gira em torno da estratégia de longo prazo para modernizar o sistema e tornar o transporte coletivo mais atrativo diante do avanço de outros modais.

Desafio entre custo social e qualidade operacional

Natal vive hoje um cenário comum em diversas capitais brasileiras: necessidade de manter tarifas socialmente acessíveis, preservar empregos no setor e, ao mesmo tempo, melhorar o nível do serviço.

A resposta para esse equilíbrio dependerá de planejamento público, regulação eficiente e investimentos estruturais.

Imagens: Divulgação / Lucas Roberto/Cedida

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