A operação do transporte coletivo urbano na cidade do Rio de Janeiro ganhou mais um importante movimento de consolidação empresarial. De acordo com informações obtidas pela equipe do Ônibus & Transporte junto a fontes do setor, a Sancetur – Santa Cecília Turismo, que atua na capital fluminense sob a marca SOU Rio de Janeiro, concluiu nos últimos dias a aquisição da Transportes Campo Grande.
Com a negociação, o grupo amplia significativamente sua participação operacional na Zona Oeste carioca, reforçando presença em regiões estratégicas como Campo Grande, Bangu, Padre Miguel, Realengo e bairros adjacentes.

A movimentação acontece pouco tempo após a chegada da empresa ao mercado do Rio, marcada inicialmente pela aquisição de operações pertencentes à Transportes Barra e à Auto Viação Palmares.
Expansão consolida avanço da SOU no transporte carioca
Batizada comercialmente no município como SOU Rio de Janeiro, a operação da Sancetur vem ampliando rapidamente sua participação no sistema municipal de ônibus.
A entrada da empresa no Rio foi vista como um dos movimentos mais relevantes dos últimos anos no setor de transporte coletivo urbano, especialmente em um cenário marcado por dificuldades financeiras históricas de diversas operadoras tradicionais da cidade.

Com a incorporação da Transportes Campo Grande, a companhia fortalece sua presença dentro do Consórcio Santa Cruz, área considerada estratégica por concentrar importantes corredores de deslocamento da Zona Oeste em direção ao Centro da cidade.
A expectativa no setor é de que a operação passe gradualmente por reestruturações operacionais e renovação de frota, acompanhando o padrão já observado em outras empresas assumidas pelo grupo.
Transportes Campo Grande possui trajetória histórica no Rio
A Transportes Campo Grande possui uma longa trajetória no transporte coletivo da Zona Oeste do Rio de Janeiro, atuando principalmente em bairros como Campo Grande, Bangu, Padre Miguel e regiões vizinhas, com ligações importantes para o Centro da capital fluminense. A empresa surgiu na década de 1960 e uma de suas primeiras operações foi a tradicional linha 786 (Campo Grande x Marechal Hermes), que décadas depois voltaria à companhia.

No início dos anos 1980, a então Viação Campo Grande passou por uma fusão com a Transportes Santa Sofia. Posteriormente, as empresas se separaram e a agora Transportes Campo Grande perdeu algumas de suas linhas históricas, como a 786, 815 e 846, mas assumiu linhas importantes da Zona Norte, como as 627, 630 e 680, ligando regiões da Leopoldina à Tijuca e Méier. Essas operações dariam origem, em 1998, à Viação Penha Rio.

Ao longo dos anos, a empresa ampliou significativamente sua atuação operacional. Em 1994, recebeu a linha S-13, atual 369 (Bangu x Candelária), durante o projeto dos chamados “Canarinhos”. Já em 2009, no contexto da crise de empresas da Zona Oeste, incorporou linhas importantes oriundas da Ocidental e da Feital, incluindo as tradicionais 396 e 397, uma das mais movimentadas da região. Para reforçar a operação, a companhia iniciou um amplo processo de renovação de frota com ônibus Caio Apache Vip II, muitos deles ainda em circulação.
Em 2015, após a quebra das empresas Rio Rotas e Algarve, a Transportes Campo Grande assumiu definitivamente linhas como 786, 846, 847, 848, 759 e 388, expandindo ainda mais sua presença operacional. Para atender à nova demanda, a empresa adquiriu ônibus usados de diversas operadoras, incluindo modelos vindos da Lourdes, Jabour e Spectrum City.










A partir de 2017, a empresa realizou uma grande modernização da frota, incorporando dezenas de ônibus Torino e Caio Apache Vip III e IV oriundos da Matias, além de micros Marcopolo Senior com ar-condicionado provenientes da Jabour. Com a implantação dos subsídios municipais em 2023, a renovação ganhou novo impulso com a chegada de mais de 30 ônibus, incluindo Caio Apache Vip IV, Svelto e Apache Vip V oriundos de empresas como Alpha, Vila Real, Jabour, Transriver, Novacap e Transportes Santo Antônio.
Ainda em 2023, a empresa iniciou operação no Terminal Deodoro com a linha 788. Já em 2024, ampliou novamente sua carteira operacional com a criação da SP759 (Cesarão x Terminal Deodoro) e da linha 894 (Campo Grande x Jardim Moriçaba). No mesmo período, a tradicional linha 786 passou por sua primeira grande alteração operacional em quase 65 anos, passando a ter ponto final em Cascadura.
Também em 2024, a empresa incorporou seus primeiros ônibus Caio Apache Vip V, fabricados em 2021 e oriundos da Viação Novacap. Um dos veículos sofreu incêndio após poucos dias de operação devido a uma pane elétrica, sendo posteriormente substituído por outro Apache Vip IV adquirido da Rodoviária Âncora Matias. Em 2025, a Transportes Campo Grande avançou mais uma vez na renovação da frota ao adquirir seus primeiros veículos com tecnologia Euro 6, também oriundos da Novacap, reforçando o processo de modernização operacional da empresa.
Histórico inclui expansão, crises operacionais e recuperação judicial
Em 2010, rankings divulgados pela Secretaria Municipal de Transportes apontaram problemas relacionados à operação da companhia, incluindo reclamações sobre conservação da frota e qualidade do serviço prestado.
Naquele período, a empresa chegou a transferir a operação de uma linha para a Auto Viação Bangu em razão de críticas envolvendo irregularidades operacionais.
Em junho de 2021, uma joint venture formada entre a Transportes Campo Grande e a Viação Penha Rio ingressou com pedido de recuperação judicial, em tentativa de evitar a falência diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor.
Movimento acompanha reestruturação do setor de ônibus do Rio
A aquisição da Transportes Campo Grande pela SOU Rio de Janeiro acontece em meio a um processo mais amplo de reorganização do sistema de transporte urbano da capital fluminense.
Nos últimos anos, diversas empresas tradicionais enfrentaram crises financeiras, redução de demanda, envelhecimento de frota e dificuldades operacionais agravadas pelos impactos econômicos da pandemia.
Ao mesmo tempo, novos grupos empresariais vêm ampliando participação no mercado, apostando em reestruturações operacionais, renovação de frota e modernização da gestão.
Com a nova aquisição, a tendência é de fortalecimento da presença da SOU Rio de Janeiro na Zona Oeste, região considerada uma das mais relevantes do sistema municipal devido ao alto volume diário de passageiros.
imagens: Rodrigo Gomes
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