ClickBus e Fipe lançam índice inédito para medir preços das passagens rodoviárias no Brasil

Novo indicador revela que tarifas de ônibus subiram menos que diesel e passagens aéreas nos últimos 12 meses
ClickBus

O transporte rodoviário de passageiros no Brasil passa a contar oficialmente com um novo instrumento de acompanhamento econômico. A ClickBus e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas anunciaram o lançamento do Índice Rodoviário ClickBus (IRCB), indicador criado para monitorar a evolução dos preços das passagens de ônibus em todo o país.

A iniciativa é considerada inédita no setor rodoviário brasileiro e surge em um momento de forte transformação da mobilidade nacional, marcada pela digitalização da venda de passagens, renovação de frota e mudanças regulatórias no transporte interestadual.

Segundo os dados apresentados pelas instituições, o Brasil movimentou cerca de 160 milhões de passageiros no transporte rodoviário apenas em 2025, consolidando o ônibus como principal meio de conexão entre cidades brasileiras.

Índice busca ampliar transparência do setor

O IRCB foi desenvolvido para acompanhar a variação média dos preços das passagens rodoviárias ao longo do tempo, utilizando uma ampla base de dados transacionais da própria ClickBus.

Diferentemente de comparações pontuais de preços, o indicador utiliza metodologia econômica aplicada para medir o comportamento tarifário do setor considerando fatores como tipo de viagem, categoria do serviço, distância percorrida e região do país.

A estrutura metodológica do índice foi desenvolvida pela Fipe, enquanto a ClickBus disponibilizou os dados utilizados no estudo.

Segundo Phillip Klien, CEO da ClickBus, o transporte rodoviário brasileiro era o único grande modal nacional sem um índice estruturado de preços.

De acordo com ele, o lançamento do IRCB contribui para ampliar a transparência do mercado e melhorar o entendimento sobre a dinâmica tarifária do setor rodoviário.

Diesel sobe mais que tarifas rodoviárias

Um dos principais resultados apresentados pelo índice mostra que o aumento das passagens de ônibus ficou abaixo da alta registrada tanto pelo diesel quanto pelas passagens aéreas nos últimos 12 meses.

De acordo com o levantamento, entre abril de 2025 e abril de 2026, o IRCB registrou alta de 7,5%. No mesmo período, o diesel acumulou aumento de 15,7%, enquanto as passagens aéreas subiram 23,2%.

Já o IPCA geral avançou 4,4%.

Segundo os pesquisadores, o resultado demonstra que o setor rodoviário absorveu parte relevante dos aumentos operacionais sem repassar integralmente os custos aos passageiros.

Comparativo anual dos indicadores

IndicadorAbr/26 x Abr/25Acumulado (mai/25–abr/26)Acumulado 2026
IRCB – Passagens rodoviárias+7,5%+5,9%+5,9%
IPCA – Índice Geral+4,4%+4,7%+4,2%
IPCA – Passagens aéreas+23,2%+4,2%+13,5%
IPCA – Combustíveis+6,6%+3,6%+3,7%
IPCA – Diesel+15,7%+3,5%+5,5%
IPCA – Veículo próprio+1,2%+2,4%+1,4%
IPCA – Transportes+4,2%+3,5%+3,2%

Fonte: IRCB/ClickBus-Fipe e IPCA/IBGE.

Centro-Oeste teve maior alta tarifária

A análise regional do índice revelou comportamentos distintos entre as regiões brasileiras.

O Centro-Oeste apresentou a maior alta anual nas tarifas rodoviárias, com avanço de 8,2% nos últimos 12 meses. Já a região Sul registrou a menor variação, com aumento de 2,8%.

O estudo também identificou diferenças relevantes conforme o tipo de serviço.

A categoria Convencional registrou aumento de 6,5%, enquanto os serviços do tipo Cama tiveram alta mais moderada, de 4,9%.

Nas viagens de curta distância, de até 100 quilômetros, o crescimento foi de 8,5%. Já os trajetos acima de 400 quilômetros apresentaram alta de 5,2%.

No recorte por modalidade, o transporte intermunicipal acumulou variação de 5,8%, enquanto o interestadual avançou 6,1%.

Série histórica mostra evolução do setor

O IRCB possui série histórica iniciada em dezembro de 2017, permitindo analisar o comportamento das tarifas rodoviárias ao longo de quase uma década.

Nesse período, as passagens rodoviárias acumularam alta de 60,5%. Já a renda média do trabalho no Brasil avançou 77,6%, indicando melhora relativa do poder de compra do consumidor para utilização do transporte rodoviário.

Outro dado relevante do estudo mostra que o diesel acumulou aumento de 119,4% desde 2017, praticamente o dobro da variação das passagens de ônibus.

Comparação com o poder de compra

IndicadorSérie histórica (abr/26 x dez/17)
IRCB – Ônibus Nacional60,5%
Renda do trabalho (PNAD)77,6%

Comparação com inflação e combustíveis

IndicadorSérie histórica (abr/26 x dez/17)
IRCB – Ônibus Nacional60,5%
IPCA Geral54,5%
IPCA Transportes53,2%
IPCA Passagens aéreas63,7%
IPCA Combustíveis67,0%
IPCA Diesel119,4%

Diferenças aparecem entre categorias e regiões

Os dados históricos também mostram diferenças relevantes conforme categoria de serviço, distância percorrida e região geográfica.

Recorte por categoria de serviço

CategoriaSérie histórica
IRCB – Nacional60,5%
Convencional65,3%
Executivo63,7%
Semileito43,0%
Leito43,2%
Cama60,3%

Recorte por modalidade

ModalidadeSérie histórica
IRCB – Nacional60,5%
Intermunicipal67,5%
Interestadual42,7%

Recorte por distância

DistânciaSérie histórica
IRCB – Nacional60,5%
Curta72,5%
Média-curta64,2%
Média69,7%
Média-longa67,3%
Longa49,2%

Recorte geográfico

RegiãoSérie histórica
IRCB – Nacional60,5%
Norte61,5%
Nordeste66,1%
Centro-Oeste43,3%
Sudeste64,3%
Sul48,6%

Tecnologia e dados reforçam precisão do estudo

Segundo a ClickBus, o índice foi construído utilizando cerca de 62 terabytes de dados transacionais tratados com rigor metodológico e anonimização das informações.

A empresa informou que todo o processo respeita critérios de proteção de dados e utiliza apenas informações agregadas, sem identificação individual de usuários.

A Fipe destacou que a metodologia permite isolar variações temporais de preços considerando características qualitativas das passagens, como origem, destino e categoria do serviço.

Mercado rodoviário vive transformação

Para os responsáveis pelo estudo, o índice também evidencia a transformação do setor rodoviário brasileiro nos últimos anos.

Segundo a ClickBus, mesmo com a modernização da frota, ampliação de serviços como Wi-Fi, leito-cama e digitalização das vendas, as tarifas mantiveram comportamento relativamente controlado em relação à inflação e aos custos operacionais.

O estudo também aponta que a trajetória tarifária do setor foi influenciada por fatores como pandemia, retomada da demanda, alta dos combustíveis e flexibilização regulatória promovida pela ANTT.

Imagem: Júlio Barboza

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