Câmara dos Vereadores debate fim do pagamento em dinheiro nos ônibus e Prefeitura do Rio promete ampliar pontos do cartão Jaé

Audiência pública discutiu impactos da transição para o pagamento digital no transporte municipal e levantou preocupações sobre inclusão digital, acessibilidade e segurança dos passageiros
Câmara de vereadores

A Comissão Permanente de Transportes e Trânsito da Câmara Municipal do Rio de Janeiro da Câmara dos Vereadores realizou nesta terça-feira (19) uma audiência pública para discutir o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais da capital fluminense. O encontro reuniu representantes da Prefeitura do Rio, empresários do setor, integrantes da sociedade civil organizada e especialistas em mobilidade urbana para debater os impactos da medida anunciada pelo Executivo no último dia 14 de maio.

A discussão ocorreu no plenário da Câmara e teve como foco principal os efeitos práticos da mudança para a população, especialmente usuários com dificuldades de acesso aos meios digitais e moradores de regiões com menor infraestrutura de atendimento.

Prefeitura do Rio afirma que pagamento digital já é realidade no sistema

Durante a audiência, o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, destacou que a adoção do pagamento exclusivamente digital não representa uma novidade completa dentro do sistema de mobilidade carioca.

Segundo ele, os corredores do BRT Rio e o sistema do VLT Carioca já operam sem pagamento embarcado em dinheiro desde suas implantações.

O secretário explicou que o dinheiro físico continuará sendo aceito nos pontos de recarga do cartão Jaé, sistema de bilhetagem eletrônica adotado pela Prefeitura do Rio.

Arraes também afirmou que a transição acompanha uma tendência nacional de digitalização dos sistemas de transporte coletivo urbano.

Câmara cobra medidas para reduzir impactos sociais

O presidente da Comissão Permanente de Transportes e Trânsito, vereador Marcelo Diniz (PSD), ressaltou durante a audiência que o objetivo do debate é buscar mecanismos que reduzam os impactos da mudança na rotina da população.

O parlamentar levantou preocupações sobre a realidade de bairros que ainda possuem acesso limitado aos postos de recarga do cartão Jaé, citando como exemplo a região de Rio das Pedras.

Em resposta, Jorge Arraes afirmou que a Prefeitura pretende ampliar significativamente a rede de atendimento antes do início definitivo da operação sem dinheiro nos ônibus municipais.

Segundo o secretário, a meta é inaugurar mais mil pontos de atendimento até o próximo dia 30, data prevista para o início da nova sistemática de cobrança.

Lotéricas, farmácias e Correios entram no debate

Durante a audiência, vereadores e representantes da sociedade civil sugeriram alternativas para facilitar o acesso da população ao sistema de recarga do Jaé.

Entre as propostas apresentadas estão a instalação de pontos de atendimento em casas lotéricas, farmácias, clínicas da família, bancas de jornal e agências dos Correios.

O presidente da Câmara Municipal do Rio, vereador Carlo Caiado (PSD), destacou que a prefeitura já anunciou a ampliação da venda do cartão Jaé em bancas de jornal após o início das discussões públicas sobre o tema.

Segundo Caiado, a digitalização do sistema pode ampliar a transparência e o controle financeiro sobre a arrecadação do transporte público municipal.

Inclusão digital preocupa vereadores e sociedade civil

Outro ponto que dominou o debate foi a preocupação com o impacto da medida sobre idosos, pessoas de baixa renda e usuários com baixo nível de alfabetização digital.

O vereador Poubel (PL) questionou se a Prefeitura realizou estudos para avaliar os impactos da mudança sobre esses grupos mais vulneráveis.

Jorge Arraes respondeu que estudos foram realizados nos últimos cinco meses e apontaram que apenas cerca de 8% dos pagamentos atualmente são feitos em dinheiro dentro dos ônibus municipais.

O secretário também afirmou que os idosos já utilizam gratuidades vinculadas a cartões ou documentos de identificação, o que reduziria os impactos para este público específico.

Segurança e lavagem de dinheiro foram citadas pela Prefeitura

Durante a audiência, a Prefeitura do Rio também apresentou argumentos relacionados à segurança operacional e ao combate a irregularidades financeiras no sistema de transportes.

Segundo Jorge Arraes, o fim da circulação de dinheiro em espécie nos ônibus pode contribuir para a redução do tempo de parada nos pontos, diminuir riscos de assaltos e ampliar a rastreabilidade da arrecadação.

O secretário também comentou o fim da integração no chamado “cartão verde” do Jaé, afirmando que a decisão teve relação com o combate a possíveis esquemas de lavagem de dinheiro.

Sociedade civil levanta críticas ao modelo

Representantes da sociedade civil também apresentaram críticas e preocupações durante a audiência pública.

O administrador da página “Transporte da Zona Oeste”, Guilherme Silvestre, questionou o argumento relacionado à segurança, afirmando que o uso constante de celulares para pagamentos pode aumentar os riscos de roubos dentro dos ônibus.

Já representantes do transporte complementar relataram dificuldades operacionais envolvendo o sistema Jaé, incluindo problemas de recarga e emissão de cartões.

O subsecretário de Tecnologia em Transportes, Lauro Silvestre, afirmou que os casos relatados seriam pontuais e garantiu suporte técnico para resolução das ocorrências.

Prefeitura avalia ampliar formas de pagamento

Durante o encontro, também foram discutidas alternativas tecnológicas para o pagamento das tarifas.

Representantes ligados à Câmara Municipal sugeriram que os ônibus passem a aceitar futuramente pagamentos via Pix, cartões de débito e crédito diretamente nos validadores embarcados.

A Prefeitura informou que a possibilidade será debatida em conjunto com a operação do sistema Jaé.

Mudança deve alcançar vans e transportes complementares

Outro tema abordado foi a possível extensão da medida para o transporte complementar da cidade, incluindo vans e os chamados “cabritinhos”.

Segundo Jorge Arraes, a Prefeitura pretende discutir o fim do pagamento em dinheiro também nesses modais, mas o debate deverá ocorrer apenas no próximo ano.

A administração municipal afirma que o objetivo é padronizar os meios de pagamento em todo o sistema de transporte urbano da capital fluminense.

Imagens: Rodrigo Gomes

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