A Prefeitura de Petrópolis e a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) informaram, na manhã desta quinta-feira (21), que a paralisação dos rodoviários da TURP – Transportes Urbanos de Petrópolis foi encerrada durante a madrugada, após diálogo entre trabalhadores, equipes técnicas do município e o interventor nomeado para acompanhar a operação da empresa.
Segundo o comunicado oficial, representantes da Prefeitura, da CPTrans e o interventor Junior Cezar Maurício Marinho estiveram desde 3h30 no Terminal de Corrêas para conversar com os rodoviários e alinhar os detalhes da retomada do serviço. A reunião teve como objetivo restabelecer a confiança da categoria, definir um plano prioritário de circulação e garantir que os ônibus voltassem às ruas de forma segura e organizada.
Com o fim da paralisação, os veículos começaram a deixar a garagem gradativamente, enquanto a fiscalização da CPTrans segue mobilizada nos terminais e nos principais pontos da cidade para acompanhar o cumprimento dos horários e prestar suporte aos passageiros.
Sexta paralisação em menos de um ano
A paralisação teve início na última segunda-feira (18), após o descumprimento de pontos do acordo firmado para encerrar a greve anterior, realizada no fim de abril. No sábado (16), o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis (SindRodoviários) havia informado que a categoria estava em estado de greve e que a paralisação começaria à 0h01 de terça-feira (19), caso o pagamento do vale-alimentação não fosse regularizado.
No entanto, o movimento começou ainda na segunda-feira, surpreendendo até mesmo a entidade sindical. Esta foi a sexta paralisação dos rodoviários da empresa em menos de um ano, agravando o cenário de instabilidade no transporte público de Petrópolis.

Pouco antes da intervenção ser anunciada, a TURP informou que não conseguiria pagar o adiantamento salarial previsto para o dia 20. O pagamento fazia parte do acordo firmado com a categoria no fim de abril. A empresa atribuiu a impossibilidade de pagamento à paralisação dos trabalhadores, classificada pela concessionária como ilegal.
Decreto estabelece intervenção parcial por até 120 dias
A Prefeitura publicou, em edição extraordinária do Diário Oficial de quarta-feira (20), o Decreto nº 426/2026, que determina intervenção parcial na concessão do serviço público de transporte coletivo urbano operado pela TURP.
A medida terá prazo inicial de até 120 dias, podendo ser prorrogada por igual período caso permaneçam as circunstâncias que motivaram a intervenção. O decreto estabelece que a atuação será limitada aos aspectos operacionais, administrativos e financeiros diretamente relacionados à continuidade, regularidade, segurança e adequação do serviço concedido.
O texto também prevê que a intervenção não representa assunção, por parte do município ou da CPTrans, de dívidas civis, comerciais, tributárias, previdenciárias ou trabalhistas anteriores à medida. Essas obrigações seguem sob responsabilidade da concessionária.
Interventor poderá controlar operação e afastar gestores
O decreto nomeia Junior Cezar Maurício Marinho como interventor da empresa. Ele atuará sob supervisão do poder concedente, com apoio técnico da CPTrans e da Secretaria de Serviços, Segurança e Ordem Pública (SSSOP).
Entre suas atribuições estão requisitar documentos, relatórios operacionais, demonstrativos financeiros e informações necessárias para garantir a continuidade do serviço. O interventor também poderá afastar cautelarmente administradores, gestores ou empregados cujas condutas comprometam a regularidade, segurança ou adequação da operação.
Segundo o presidente da CPTrans, Luciano Moreira, a missão principal é fazer o transporte funcionar com eficiência, direcionando os recursos da operação para combustível, manutenção dos ônibus e pagamento correto dos rodoviários.
Prefeitura aponta falhas recorrentes na operação
A Prefeitura justificou a intervenção com base em relatórios técnicos da CPTrans, decisões judiciais e no histórico recente de falhas da concessionária. Entre os problemas apontados estão o não cumprimento de viagens e horários programados, paralisações frequentes motivadas por falhas administrativas e fiscais, além do aumento de reclamações sobre atrasos e ônibus quebrados.
Em petição protocolada na Justiça, a CPTrans afirmou que os problemas da TURP persistiram no mês de março e que nenhuma das metas estipuladas judicialmente, após autorização de reajuste tarifário, teria sido integralmente cumprida.
O município também cita indícios de comprometimento da capacidade econômico-financeira da concessionária para manter a prestação adequada do serviço.
Processo administrativo será aberto em até 30 dias
O decreto determina que, em até 30 dias, seja instaurado processo administrativo para apurar as causas que levaram à intervenção e eventuais responsabilidades da TURP. A comissão processante ainda será designada e terá prazo de até 120 dias para concluir os trabalhos.
Durante o processo, a concessionária terá direito ao contraditório, ampla defesa, acesso aos autos, apresentação de provas e interposição de recursos.
Enquanto isso, a operação será acompanhada de perto pela comissão interventora e pela fiscalização da CPTrans, com foco na normalização dos horários, redução dos intervalos irregulares e retomada da confiança dos usuários no sistema.
Imagens: Rafael da Silva Xarão
Receba as notícias em seu celular, clique aqui para acessar o canal do ÔNIBUS & TRANSPORTE no WhatsApp.













