Transporte público no Brasil precisa ir além do financiamento e acelerar a transformação digital, defende especialista

Artigo aponta que modernização tecnológica e gestão baseada em dados são fundamentais para recuperar passageiros e aumentar a eficiência da mobilidade urbana
transporte público

A discussão sobre o futuro do transporte público brasileiro entrou em uma nova fase com o avanço do Marco Legal do Transporte Público Coletivo, proposta aprovada pelo Congresso Nacional e que aguarda sanção presidencial. O projeto busca criar novas fontes de financiamento para os sistemas urbanos e reduzir a dependência da tarifa paga pelos passageiros.

Para Marcos Maciel, CEO da Empresa 1, centro de inovação em mobilidade urbana, a ampliação dos recursos representa um passo importante, mas não suficiente. Segundo o executivo, o setor precisa avançar também na modernização da gestão operacional por meio da tecnologia, tornando o sistema mais eficiente, sustentável e atrativo para a população.

Financiamento é importante, mas eficiência deve fazer parte da solução

De acordo com o especialista, o debate sobre a sustentabilidade do transporte coletivo não pode se limitar apenas à definição de novas formas de custeio.

Na avaliação de Maciel, o crescimento desordenado das cidades e a mudança nos padrões de deslocamento exigem uma revisão da forma como os sistemas são planejados e administrados.

Nesse contexto, ampliar os investimentos sem promover melhorias operacionais pode reduzir os impactos positivos esperados pela sociedade, especialmente em relação à qualidade dos serviços oferecidos aos usuários.

Tecnologia pode transformar a operação do transporte coletivo

O executivo destaca que a utilização de ferramentas de mobilidade inteligente vem permitindo uma gestão mais eficiente dos sistemas de transporte em diversas cidades.

Recursos como telemetria, monitoramento em tempo real, gestão de frota, análise de dados operacionais e bilhetagem eletrônica possibilitam que operadores e gestores públicos tenham uma visão mais precisa do funcionamento da rede.

Com essas informações, torna-se possível adequar itinerários, identificar gargalos, otimizar a frequência das linhas e melhorar o desempenho operacional, oferecendo viagens mais rápidas, seguras e confiáveis aos passageiros.

Segundo Maciel, uma operação mais eficiente beneficia não apenas quem utiliza o transporte público, mas também o funcionamento das cidades como um todo.

Pesquisa mostra que qualidade pesa na decisão dos passageiros

Além da questão tarifária, diversos fatores influenciam a escolha dos brasileiros pelo ônibus e pelos demais modos de transporte coletivo.

O artigo cita levantamento realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) que aponta que 63,5% dos ex-usuários afirmam que voltariam a utilizar o transporte coletivo caso os principais problemas do sistema fossem solucionados.

Entre os aspectos mais mencionados pelos entrevistados estão maior conforto, viagens mais rápidas, maior flexibilidade de rotas, pontualidade e reforço na segurança.

Os dados reforçam que a recuperação da demanda depende tanto de investimentos financeiros quanto da melhoria da experiência oferecida aos passageiros.

Experiências digitais já apresentam resultados positivos

O avanço da transformação digital já pode ser observado em diferentes cidades brasileiras.

Um dos exemplos destacados é o aplicativo Floripa no Ponto, utilizado em Florianópolis (SC). A plataforma facilitou o processo de recadastramento de estudantes beneficiários de descontos tarifários, eliminando a necessidade de deslocamentos até postos de atendimento.

Segundo o artigo, nos primeiros meses de implantação entre 20% e 30% dos estudantes aderiram ao processo digital. Atualmente, aproximadamente 80% realizam o procedimento de forma totalmente on-line, reduzindo filas e simplificando o acesso aos serviços.

Mobilidade urbana exige integração entre gestão, tecnologia e financiamento

Para Marcos Maciel, o futuro da mobilidade urbana dependerá da combinação entre novas fontes de financiamento e investimentos contínuos em inovação tecnológica.

Na avaliação do executivo, sistemas inteligentes de operação, aliados a meios modernos de pagamento e plataformas digitais, contribuem para elevar a eficiência operacional, melhorar a experiência dos usuários e tornar o transporte público mais competitivo diante de outros modos de deslocamento.

O especialista conclui que a transformação do setor passa pela adoção de soluções capazes de oferecer maior comodidade, tarifas mais acessíveis e uma gestão baseada em dados, fortalecendo o papel do transporte coletivo como elemento essencial para o desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras.

Confira o artigo de Marcos Maciel na íntegra

O debate sobre o futuro do transporte público no Brasil ganhou novo impulso, com a aprovação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo pelo Congresso Nacional, em maio. O projeto, que agora aguarda sanção presidencial, busca atualizar as regras nacionais do setor, criar novos instrumentos de financiamento e reduzir a dependência quase exclusiva da tarifa paga pelo passageiro.

Sua tramitação reflete um entendimento cada vez mais amplo entre governos, especialistas e operadores: o modelo atual já não consegue sustentar os sistemas urbanos. Em um cenário de queda de passageiros, aumento dos custos de operação e pressão por serviços mais acessíveis, o transporte coletivo passa a ser tratado, corretamente, como serviço essencial para o funcionamento das cidades e para a inclusão social.

Mas existe um ponto que ainda recebe menos atenção do que deveria: além de discutir quem paga a conta, é fundamental discutir como tornar o sistema mais eficiente. Afinal, as cidades cresceram, na maioria das vezes, sem planejamento e os deslocamentos mudaram. Por isso, ampliar recursos sem modernizar a operação pode limitar o impacto positivo esperado pela população.

É aqui que entra a tecnologia embarcada no transporte público coletivo. Ferramentas como telemetria (monitoramento em tempo real), gestão de frota, análise de dados operacionais e bilhetagem digital com meios de pagamento avançados permitem que gestores e operadores do transporte tenham uma visão muito mais precisa do funcionamento da rede. Com isso, torna-se possível ajustar itinerários, identificar gargalos, melhorar a frequência das linhas de ônibus e metrô, oferecendo uma experiência melhor aos passageiros. Quando todo mundo chega na hora certa, a cidade funciona melhor.

Esse ponto é relevante porque o Brasil vem enfrentando uma perda gradual de passageiros no transporte coletivo. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou que 63,5% dos ex-usuários afirmam que voltariam a utilizar o ônibus caso os problemas que motivaram a substituição de transporte fossem resolvidos, e eles vão além da tarifa. Como condição para o retorno, as pessoas apontaram maior conforto (19,8%), mais rapidez nas viagens (19%), flexibilidade de rotas (14,3%), pontualidade (12,8%) e maior segurança (8,7%).

A transformação digital já vem ajudando cidades brasileiras a operarem melhor seus sistemas. Em Florianópolis, por exemplo, o aplicativo Floripa no Ponto tem contribuído para a redução das filas e a melhora do fluxo de passageiros. A solução facilitou, por exemplo, o recadastramento dos estudantes beneficiários de desconto sem que eles precisassem sair de casa e ir até uma estação para resolver isso. Nos três primeiros meses, de 20% a 30% dos estudantes aderiram ao processo online; atualmente, esse número chega a 80%. Um futuro sustentável para a mobilidade urbana passa justamente por soluções que entregam tarifas mais acessíveis, comodidade ao usuário e eficiência operacional.

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