O Transporte Rodoviário Interestadual e Internacional de Passageiros encerrou 2025 com mais de 100 milhões de passageiros transportados no Brasil. O número integra o novo panorama estatístico publicado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), documento que reúne indicadores operacionais, cadastrais, financeiros e regulatórios das modalidades regular rodoviária, semiurbana e de fretamento.
A publicação apresenta a dimensão de um sistema responsável, em média, por aproximadamente 3,2 milhões de viagens por ano, com presença em mais de 5 mil municípios brasileiros. A estrutura regulada reúne mais de 9,6 mil empresas habilitadas, cerca de 93,8 mil motoristas e uma frota superior a 32 mil veículos. Mais de 80% dos ônibus cadastrados possuem até dez anos de fabricação.
Elaborado a partir de informações dos sistemas institucionais da ANTT, o TRIIP 2025 – Dados Estatísticos busca oferecer uma visão consolidada do desempenho do transporte rodoviário brasileiro. Os dados são reportados pelas transportadoras e submetidos a processos de tratamento, padronização e análise pela Agência.
Demanda permanece elevada, mas recua em relação ao pico de 2023
Apesar de permanecer acima de 100 milhões de passageiros, o setor registrou uma acomodação da demanda após atingir aproximadamente 113 milhões de usuários em 2023.
A média do triênio entre 2023 e 2025 ficou em cerca de 106 milhões de passageiros por ano, enquanto a retração acumulada no período chegou a 11,1%.

O comportamento, segundo a análise da ANTT, indica um processo de ajuste do mercado influenciado por fatores econômicos e pela concorrência entre diferentes meios de transporte.
O transporte semiurbano interestadual permaneceu como a modalidade com maior movimento, respondendo por aproximadamente 52% de todos os passageiros, seguido pelo serviço rodoviário regular e pelo fretamento.
Em 2025, as três principais modalidades registraram:
Transporte semiurbano: aproximadamente 50,9 milhões de passageiros;
Transporte regular rodoviário: mais de 36 milhões de passageiros;
Fretamento: cerca de 13,4 milhões de passageiros, considerando operações nacionais e internacionais.
O fretamento foi o único segmento que apresentou crescimento contínuo ao longo do triênio analisado.
Número de motoristas aumenta mais de 5%
A quantidade de motoristas habilitados para atuar no transporte rodoviário regulado pela ANTT cresceu em 2025.
O sistema encerrou o ano com 93.780 profissionais cadastrados, avanço de 5,52% em relação aos 88.600 registrados em 2024. Em comparação com 2021, quando havia 53.493 condutores, o aumento supera 75%.
O crescimento do quadro de motoristas é considerado um indicador estratégico da capacidade operacional do setor, já que esses profissionais sustentam milhões de viagens realizadas em praticamente todo o território nacional.
Frota recua no comparativo anual, mas cresce 33,58% desde 2021
O número de veículos habilitados apresentou uma pequena redução em 2025. Foram identificadas 32.341 placas cadastradas, contra 33.047 no ano anterior, queda de 2,14%.
Entretanto, a análise de médio prazo mostra expansão expressiva. Em 2021, a frota registrada era composta por 24.211 veículos. Dessa forma, houve crescimento de 33,58% em quatro anos.
A maior parcela da frota está concentrada nas faixas entre zero e cinco anos e entre seis e dez anos. Veículos com mais de 15 anos representam uma participação reduzida no total, embora a idade média varie de acordo com a modalidade de serviço. O segmento semiurbano apresenta maior concentração de unidades nas faixas intermediárias.
Brasil possui mais de 9,6 mil empresas habilitadas
A ANTT identificou 9.678 empresas nacionais habilitadas em 2025, crescimento de 1,07% sobre as 9.576 registradas no ano anterior.
O fretamento concentra a maior quantidade de operadores, com 9.545 empresas, alta de 1,17%. O serviço regular rodoviário manteve 359 companhias habilitadas, enquanto o semiurbano passou de 18 para 17 empresas no comparativo apresentado no relatório.
A habilitação, no entanto, não significa que a empresa esteja efetivamente operando. Dos 9.678 operadores nacionais cadastrados, aproximadamente 7.450 realizaram operações, equivalentes a 77% do total.
Entre as modalidades, a proporção de empresas em atividade foi de:
Fretamento: 7.257 operadoras, ou 76,8% das habilitadas;
Regular rodoviário: 176 operadoras, correspondentes a 49%;
Semiurbano: 17 empresas, equivalentes a 85%.
A diferença entre habilitação e operação efetiva pode decorrer de fatores como viabilidade econômica, demanda, estrutura operacional, estratégia empresarial e condições de mercado.
Serviço regular atende 2.184 municípios
O transporte rodoviário interestadual regular encerrou 2025 com 2.127 linhas ativas, operadas por 176 empresas e atendendo 2.184 municípios brasileiros.
A modalidade transportou mais de 36 milhões de passageiros, com média próxima de 100 mil usuários por dia.
São Paulo, Minas Gerais e Goiás concentraram o maior número de empresas com serviços ofertados. São Paulo e Minas Gerais registraram 95 operadoras cada, enquanto Goiás apareceu na sequência, com 85. Paraná, Distrito Federal, Tocantins e Bahia tiveram entre 45 e 50 empresas atuantes.
A estrutura regulatória exige que as transportadoras cumpram três etapas principais. Primeiro, a empresa deve obter habilitação junto à Agência. Depois, precisa conseguir acesso aos mercados — definidos como pares de municípios de unidades da Federação diferentes. Por fim, solicita o Termo de Autorização (TAR) correspondente a cada linha.

Para obter o TAR, a operadora deve comprovar capacidade técnica, operacional e econômico-financeira, além de regularidade jurídica e fiscal e apresentar informações sobre horários, viagens e frota.
Férias escolares impulsionam demanda no regular rodoviário
No serviço regular, os meses de janeiro, junho, julho e dezembro registraram os maiores movimentos de passageiros, evidenciando o impacto dos períodos de férias escolares sobre a procura pelas viagens de ônibus.
Em cada um desses meses, mais de 3 milhões de pessoas utilizaram o transporte rodoviário regular. Dezembro liderou o ano, com aproximadamente 3,9 milhões de passageiros.
A análise dos horários mostra que a maior parcela das operações ocorre durante o dia, mas as viagens noturnas continuam relevantes, especialmente nas ligações de média e longa distância.
Quanto à duração, predominam viagens entre oito e 16 horas, seguidas pelos deslocamentos com duração de quatro a oito horas. Trajetos com menos de uma hora e operações com mais de 48 horas possuem participação reduzida no total.
Esse perfil demonstra que o ônibus interestadual é utilizado principalmente em deslocamentos de média extensão, geralmente concluídos no mesmo dia ou em período inferior a 24 horas.
Mais de 8 milhões de gratuidades e descontos foram concedidos
Além da importância operacional e econômica, o transporte rodoviário desempenha uma função social relevante. Durante 2025, foram concedidas mais de 8 milhões de gratuidades e descontos legais nos serviços regulares rodoviários e semiurbanos.
Os idosos representaram o maior grupo beneficiado, com cerca de 6,1 milhões de passagens. O Passe Livre Interestadual, destinado principalmente às pessoas com deficiência que atendem aos critérios legais, respondeu por aproximadamente 1,3 milhão de benefícios.
Outras 575 mil passagens foram concedidas a jovens de baixa renda por meio do ID Jovem.
O número total de benefícios apresentou forte crescimento em comparação com 2020, quando foram registradas aproximadamente 3 milhões de gratuidades e descontos. A expansão acumulada chegou a 264%.
Fretamento alcança maior movimento dos últimos cinco anos
O serviço de fretamento interestadual apresentou um dos resultados mais positivos do panorama. Em 2025, o transporte nacional sob esse regime movimentou quase 13,1 milhões de passageiros, maior resultado dos últimos cinco anos.
Em relação a 2021, o crescimento acumulado chegou a 78%. A média mensal ficou próxima de 1,09 milhão de passageiros, enquanto novembro registrou o maior movimento, com aproximadamente 1,38 milhão de usuários.
O fretamento é um serviço contratado previamente, sem venda individual de passagens, destinado a grupos específicos. As viagens devem ser realizadas em circuito fechado, no qual os passageiros saem e retornam no mesmo veículo.

A modalidade pode atender excursões turísticas, eventos, deslocamentos eventuais, transporte de trabalhadores, estudantes e outras demandas corporativas ou institucionais. Antes de cada operação, a empresa deve emitir uma Licença de Viagem no sistema da ANTT.
Mais de 415 mil licenças de fretamento foram emitidas
A ANTT contabilizou mais de 415 mil licenças de viagem no fretamento durante 2025, crescimento de 2,3% em relação ao ano anterior.
Desse total, 97,3% corresponderam a viagens nacionais e 2,7% a deslocamentos internacionais. Aproximadamente 99,5% das autorizações foram classificadas como viagens comuns.
O transporte de trabalhadores somou 1.685 licenças e apresentou avanço de 26,7%, enquanto as operações classificadas como traslado recuaram 55%.
As viagens possuem forte concentração no eixo Sul–Sudeste. Minas Gerais liderou entre os estados de origem, com mais de 210 mil licenças no acumulado do biênio analisado. São Paulo e Paraná apareceram na sequência.
Considerando os destinos, São Paulo concentrou mais de 262 mil chegadas, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Semiurbano transporta 50,9 milhões de passageiros
Responsável pelo maior número de passageiros do sistema, o transporte semiurbano interestadual movimentou aproximadamente 50,9 milhões de usuários em 2025, com média mensal de 4,2 milhões.
A modalidade também concedeu cerca de 4,6 milhões de gratuidades, especialmente para idosos e beneficiários do Passe Livre.
O principal fluxo do serviço permanece concentrado entre o Distrito Federal e Goiás, atendendo municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, a RIDE-DF.
Em 2025, a modalidade alcançou 38 municípios e o Distrito Federal. Na capital federal, os serviços atenderam Brasília, Ceilândia, Taguatinga, Gama, Brazlândia, Planaltina e Sobradinho.
Número de linhas semiurbanas cresce 7%
O serviço semiurbano encerrou 2025 com 517 linhas operadas por 17 empresas, acréscimo de 34 linhas em relação a 2024. O crescimento foi de aproximadamente 7%.
A ligação entre Distrito Federal e Goiás concentrou 495 linhas, equivalentes a 95,7% do total. Os demais serviços estavam distribuídos por ligações como Bahia–Pernambuco, Paraná–São Paulo, Minas Gerais–São Paulo, Goiás–Mato Grosso, Minas Gerais–Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul–São Paulo.
Ao longo do ano, foram ofertados mais de 1,2 milhão de horários, operados por 44 prefixos cadastrados.
O sistema semiurbano realizou aproximadamente 1,16 milhão de viagens e percorreu cerca de 54,8 milhões de quilômetros em 2025. A distância média mensal por viagem ficou próxima de 47 quilômetros.
Indicadores apontam melhora da qualidade no semiurbano
O relatório também apresenta os resultados do segundo ciclo do Índice de Qualidade do Transporte (IQT), criado para avaliar as empresas que operam o serviço interestadual semiurbano.
Entre os indicadores analisados estão regularidade documental, inspeções, idade da frota, conformidade regulatória e financeira, monitoramento das operações e satisfação dos passageiros.
A taxa de conformidade aumentou de 70% para 85%, enquanto a satisfação dos usuários avançou de 75% para 90%. O tempo médio de resposta das empresas caiu de cinco para três dias.
O indicador de atualidade dos veículos, entretanto, permaneceu sem evolução, apontando a necessidade de investimentos na renovação da frota.
Transporte internacional reúne 58 linhas regulares
No serviço internacional regular, o Brasil encerrou 2025 com 58 linhas, 70 prefixos e 735 mercados. As operações alcançaram 133 municípios brasileiros.
Ao todo, 37 empresas estavam habilitadas, sendo 16 brasileiras e 21 estrangeiras. Dessas, 28 realizaram operações durante o ano.

Argentina e Paraguai concentraram a maior parte das ligações regulares, com 29 e 23 linhas, respectivamente. Também foram registradas conexões com Uruguai, Bolívia, Chile e Peru.
O transporte fronteiriço semiurbano operou cinco linhas entre o Brasil e Argentina ou Paraguai. Mais de 85% dos aproximadamente 18 mil horários ofertados estavam concentrados nas ligações com o Paraguai.
Fretamento internacional movimenta média de 26,5 mil passageiros por mês
No fretamento internacional, outubro e novembro apresentaram os maiores movimentos de 2025, com 32.451 e 38.044 passageiros, respectivamente.
A média mensal ficou em aproximadamente 26,5 mil usuários, acompanhada pela emissão de 942 licenças por mês.
O segmento contou com 934 transportadoras distintas ao longo do ano, embora a média mensal de operadores em atividade tenha ficado próxima de 300 empresas.
Serviço regular fatura R$ 6,1 bilhões
O transporte interestadual regular registrou um faturamento estimado de aproximadamente R$ 6,1 bilhões em 2025.
Mesmo com uma tarifa média maior, a arrecadação apresentou redução próxima de 6% na comparação com 2024. A retração está relacionada principalmente à redução do número de passageiros do serviço regular, que terminou o ano pouco acima de 36 milhões.
A tarifa média geral passou de R$ 161,93 em 2024 para R$ 167,32 em 2025, aumento de 3,3%.
A maior concentração de passageiros ocorreu nas viagens entre 400 e 600 quilômetros, responsáveis por 33,48% da demanda. Nessa faixa, a tarifa média chegou a R$ 149,10.
Nos deslocamentos entre 600 e 800 quilômetros, o valor médio foi de R$ 205,45. Entre 800 e 1.000 quilômetros, subiu para R$ 244,54, enquanto as viagens de 1.000 a 1.500 quilômetros apresentaram média de R$ 299,06.
Nas viagens superiores a 1.500 quilômetros, a tarifa média ficou em R$ 418,94.
Passageiros com ID Jovem pagaram tarifa média de R$ 67
Ao considerar os diferentes tipos de tarifa, a ANTT identificou uma diferença expressiva entre os valores integrais e aqueles resultantes dos benefícios legais.
A tarifa normal média chegou a R$ 178,42, enquanto os passageiros beneficiados pelo desconto do ID Jovem pagaram, em média, aproximadamente R$ 67.
Nas viagens de até 200 quilômetros, a tarifa média geral ficou próxima de R$ 75. Acima de 1.500 quilômetros, o valor ultrapassou R$ 466, dependendo do tipo de bilhete e benefício aplicado.
Novo modelo regulatório avançou em 2025
O relatório destaca que 2025 foi marcado pela consolidação do modelo instituído pela Resolução ANTT nº 6.033/2023, responsável por reorganizar os procedimentos de habilitação, acesso aos mercados e autorização das linhas regulares.
Também houve continuidade da implementação dos Termos de Autorização, retomada da janela extraordinária para requerimentos operacionais e fortalecimento do monitoramento das empresas.
Outro avanço foi a publicação da Resolução ANTT nº 6.074/2025, que estabelece um novo marco de penalidades para o transporte regular sob regime de autorização. A norma, com vigência prevista a partir de agosto de 2026, prevê mecanismos de ação educativa, autocorreção, classificação das infrações por gravidade, compensação de multas e intensificação do combate ao transporte clandestino.
Panorama reforça importância estratégica do transporte rodoviário
Os números apresentados pela ANTT mostram que o transporte rodoviário de passageiros permanece essencial para a integração territorial, econômica e social do país.
Mesmo diante da retração da demanda no serviço regular e semiurbano, o sistema mantém um volume superior a 100 milhões de passageiros, elevada capilaridade e uma estrutura composta por milhares de empresas, veículos e profissionais.

O crescimento do fretamento, o aumento do número de motoristas habilitados, a ampliação das linhas semiurbanas e a evolução dos indicadores de qualidade demonstram que o setor atravessa um processo de transformação.
Ao mesmo tempo, os dados reforçam desafios importantes, como a renovação da frota semiurbana, a retomada dos passageiros no serviço regular, o equilíbrio econômico das operações e a necessidade de aprimorar continuamente a qualidade das informações enviadas pelas empresas à ANTT.
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