Formar o preço no fretamento exige estratégia: entender os custos é o caminho para aumentar a lucratividade

Especialistas alertam que empresas de fretamento podem comprometer suas margens ao definir preços apenas com base na concorrência, sem considerar custos operacionais e carga tributária
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Muitas empresas do setor de fretamento comemoram o aumento no número de contratos e no faturamento, mas, ao final do mês, percebem que o lucro não acompanha esse crescimento. A explicação, segundo especialistas em gestão financeira do setor de transporte de passageiros, pode estar na forma como o preço dos serviços é calculado.

Embora o volume de viagens realizadas seja um importante indicador de atividade, ele não garante, por si só, a rentabilidade da operação. Em muitos casos, contratos aparentemente vantajosos acabam gerando margens reduzidas ou até prejuízos quando todos os custos envolvidos são corretamente considerados.

Faturamento elevado não significa maior rentabilidade

No mercado de transporte de passageiros, é comum associar uma agenda cheia de fretamentos ao sucesso financeiro da empresa. Entretanto, especialistas destacam que existe uma diferença significativa entre faturar mais e obter maior lucratividade.

Quando o preço é definido apenas observando o valor praticado pelos concorrentes, sem um conhecimento detalhado da estrutura de custos da própria operação, aumenta o risco de fechar contratos que não remuneram adequadamente a atividade.

Esse cenário pode comprometer o fluxo de caixa e dificultar investimentos na renovação da frota, manutenção dos veículos e crescimento sustentável do negócio.

Custo operacional vai muito além do combustível

A definição de um preço sustentável começa pelo levantamento detalhado dos custos envolvidos em cada operação. O diesel representa apenas uma parcela dessa equação.

Entre os principais componentes que devem ser considerados estão os custos de manutenção preventiva e corretiva, pneus, salários e encargos dos motoristas, seguros, licenciamento, rastreamento, despesas administrativas e a depreciação da frota, responsável por refletir o desgaste natural dos veículos ao longo do tempo.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é que diversos custos permanecem existindo mesmo quando o ônibus está parado. Esses valores precisam ser distribuídos corretamente entre os contratos para evitar distorções na formação do preço.

Tributação pode alterar completamente o resultado financeiro

Além dos custos operacionais, a carga tributária exerce influência direta sobre a rentabilidade das empresas de fretamento.

Segundo especialistas, dois contratos com características semelhantes podem apresentar resultados financeiros completamente diferentes dependendo do regime tributário adotado, da organização fiscal da empresa e da correta emissão de documentos específicos do setor, como o Bilhete de Passagem Eletrônico (BP-e) e o Conhecimento de Transporte Eletrônico para Outros Serviços (CT-e OS).

A escolha entre Lucro Presumido e Lucro Real, por exemplo, pode alterar significativamente o valor dos tributos recolhidos e, consequentemente, a margem obtida em cada operação.

Precificação estratégica fortalece a competitividade

Especialistas ressaltam que formar preços de maneira estratégica não significa simplesmente cobrar mais do cliente, mas compreender exatamente quanto custa executar cada serviço e qual margem é necessária para garantir a sustentabilidade do negócio.

Empresas que utilizam apenas a percepção do mercado como referência tendem a ampliar o faturamento enquanto reduzem gradativamente sua rentabilidade, situação que pode passar despercebida durante meses até refletir diretamente no caixa da organização.

Uma política de preços baseada em indicadores financeiros e operacionais permite maior previsibilidade, facilita a tomada de decisões e contribui para um crescimento mais consistente.

Diagnóstico da operação é o primeiro passo

A Contabilidade Taurus, especializada no atendimento a empresas do transporte de passageiros, destaca que a formação correta do preço começa com uma análise detalhada da operação.

Segundo a empresa, ao longo de mais de oito anos de atuação exclusiva no segmento, já foram atendidas mais de 200 transportadoras distribuídas em 21 estados brasileiros, com uma economia tributária superior a R$ 30 milhões, sempre dentro dos limites previstos pela legislação.

Antes de definir valores para novos contratos, a recomendação é realizar um diagnóstico completo dos custos operacionais, da estrutura tributária e dos processos fiscais da empresa, permitindo identificar oportunidades de melhoria e garantir que cada contrato gere resultado positivo.

Em um mercado cada vez mais competitivo, compreender os custos reais da operação e utilizar essas informações na precificação deixou de ser apenas uma prática financeira recomendada e passou a representar um diferencial estratégico para empresas que desejam crescer de forma sustentável no setor de fretamento e transporte rodoviário de passageiros.

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Avatar de Júlio Barboza