Relíquia da Itapemirim: Ciferal Dinossauro restaurado pode ser visto no Graal Buenos Aires, em Registro (SP)

Fabricado em 1981, ônibus de prefixo 10025 pertence à primeira fase do projeto Tribus, utiliza chassi Mercedes-Benz O 355 e foi recuperado pela Suzantur após décadas preservado pela antiga Viação ...
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Quem passa pelo Graal Buenos Aires, às margens da Rodovia Régis Bittencourt, em Registro, no interior de São Paulo, encontra uma verdadeira relíquia da história do transporte rodoviário brasileiro. Nas plataformas destinadas aos ônibus está exposto o Ciferal Dinossauro de prefixo 10025, exemplar fabricado em 1981 que pertenceu à antiga Viação Itapemirim.

O veículo foi completamente restaurado pela Suzantur, empresa responsável pela operação da Nova Itapemirim, e voltou a exibir a tradicional pintura amarela que marcou uma das maiores transportadoras de passageiros do país.

Mais do que um ônibus antigo, o 10025 representa uma fase de intensa experimentação tecnológica da Itapemirim, quando a companhia buscou desenvolver soluções próprias para ampliar a capacidade de passageiros e de cargas em suas operações rodoviárias.

O exemplar utiliza o chassi Mercedes-Benz O 355, equipado com o motor OM 355 LA, capaz de entregar 326 cavalos de potência. Sua carroceria Ciferal Dinossauro está associada à primeira geração de veículos desenvolvidos no contexto do projeto Tribus, iniciativa que marcou a entrada da Itapemirim na construção e adaptação de ônibus com três eixos.

Veículo histórico pode ser visitado no Graal Buenos Aires

O ônibus está exposto na área de embarque e desembarque do Graal Buenos Aires, estabelecimento localizado em Registro, no Vale do Ribeira, em um dos principais corredores rodoviários entre São Paulo e a Região Sul do Brasil.

A localização permite que passageiros, motoristas, profissionais do transporte e admiradores de ônibus antigos conheçam de perto um exemplar que participou de um período decisivo da evolução do transporte rodoviário nacional.

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A Rodovia Régis Bittencourt sempre teve grande importância nas ligações entre o Sudeste e o Sul do país. A presença do veículo em um ponto de parada utilizado diariamente por ônibus rodoviários ajuda a manter viva sua relação com as estradas.

O 10025 também se junta a outros exemplares históricos restaurados e preservados pela Suzantur, que passaram a representar diferentes fases da antiga Itapemirim.

Ciferal Dinossauro foi fabricado em 1981

O ônibus preservado foi produzido em 1981, período em que a Viação Itapemirim intensificava os investimentos em veículos de três eixos.

A carroceria pertence ao modelo Ciferal Dinossauro, uma das criações mais conhecidas da fabricante carioca e presença frequente nas estradas brasileiras durante as décadas de 1970 e 1980.

Embora seu desenho já começasse a ser considerado ultrapassado diante de modelos mais modernos que chegavam ao mercado, o Dinossauro se destacou pela robustez e pela forte identidade visual.

No caso do prefixo 10025, a carroceria foi aplicada sobre um conjunto desenvolvido a partir da plataforma Mercedes-Benz O 355, com adaptações destinadas à utilização de um terceiro eixo traseiro.

Motor Mercedes-Benz entrega 326 cavalos

O veículo utiliza a motorização Mercedes-Benz OM 355 LA, unidade de seis cilindros em linha equipada com turboalimentação.

O conjunto oferece 326 cv de potência, desempenho elevado para os padrões dos ônibus rodoviários brasileiros daquele período.

A opção pela mecânica Mercedes-Benz estava diretamente relacionada à forte ligação entre a Itapemirim e a fabricante alemã. Na época, a empresa capixaba era uma das maiores operadoras de veículos Mercedes-Benz do país.

Além de manter uma frota expressiva da marca, o grupo possuía atuação comercial ligada à fabricante nos estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.

Essa relação facilitava o acesso a componentes, conhecimento técnico e estrutura de manutenção, fatores importantes para o desenvolvimento dos primeiros veículos experimentais de três eixos.

Itapemirim buscava ampliar capacidade de passageiros e cargas

Em meados da década de 1970, a antiga Viação Itapemirim era considerada a maior empresa de transporte rodoviário de passageiros do Brasil e uma das maiores do mundo.

Com sede em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, a companhia mantinha uma extensa rede de linhas interestaduais e transportava grandes volumes de passageiros e encomendas.

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Foi nesse período que a empresa realizou sua primeira experiência prática como desenvolvedora de veículos. A Itapemirim instalou um eixo traseiro complementar em um monobloco Mercedes-Benz que já integrava sua frota.

A carroceria também precisou receber adaptações para acomodar o novo conjunto.

O objetivo era aumentar a capacidade total do ônibus e, principalmente, permitir a ampliação dos compartimentos destinados ao transporte de cargas e encomendas.

Ciferal construiu protótipo sobre plataforma O 355

Em 1975, a Itapemirim avançou no projeto e encomendou à Ciferal a construção de um novo ônibus com três eixos.

O veículo foi desenvolvido a partir de uma plataforma Mercedes-Benz O 355 e posteriormente submetido ao processo de homologação junto ao então Departamento Nacional de Estradas de Rodagem — DNER.

Até aquele momento, os grandes fabricantes nacionais ainda não ofereciam chassis de ônibus rodoviários com três eixos produzidos em série.

A falta de uma solução pronta levou a empresa capixaba a desenvolver sua própria alternativa, utilizando a estrutura técnica e as oficinas que já possuía.

Depois do primeiro exemplar, outros quatro protótipos foram construídos e testados pela transportadora.

Os resultados dessas experiências ajudaram a formar a base do projeto que seria oficialmente apresentado alguns anos depois.

Projeto Tribus foi lançado oficialmente em 1981

Após aproximadamente cinco anos de estudos, adaptações e testes, a Itapemirim apresentou oficialmente, em janeiro de 1981, seu primeiro produto próprio: o Tribus.

O projeto foi criado para proporcionar um ônibus com maior capacidade de carga e distribuição adequada do peso entre os eixos, respeitando os limites estabelecidos pelas autoridades federais.

Naquele momento, a Itapemirim já não atuava somente como uma grande transportadora de passageiros. A empresa também possuía uma operação relevante no transporte de encomendas e cargas expressas.

O terceiro eixo permitia ampliar o peso bruto total do veículo e criar bagageiros maiores sem concentrar uma carga excessiva sobre um único eixo.

A solução desenvolvida pela empresa antecipou uma tendência que, pouco tempo depois, seria adotada pelos principais fabricantes brasileiros de chassis rodoviários.

Primeiros Tribus foram produzidos nas oficinas da empresa

Os primeiros 27 exemplares do Tribus foram montados a partir de plataformas Mercedes-Benz.

O projeto utilizava motor turboalimentado e recebia um terceiro eixo de rodado simples, instalado nas próprias oficinas da Itapemirim.

Com Peso Bruto Total de 18,5 toneladas, os veículos podiam receber carrocerias configuradas para 42 passageiros, oferecendo uma distância maior entre as poltronas.

O bagageiro possuía volume de 11,2 metros cúbicos e capacidade para transportar até 3,4 toneladas de carga.

Essas características permitiam conciliar um serviço rodoviário mais confortável para os passageiros com a movimentação de encomendas, atividade que assumia importância crescente nos negócios da companhia.

Encomenda inicial previa 96 carrocerias Ciferal

A Itapemirim realizou uma encomenda inicial de 96 carrocerias à Ciferal para aplicação nos novos veículos de três eixos.

Entretanto, a fabricante alegou excesso de pedidos e conseguiu entregar apenas uma quantidade reduzida de unidades do modelo Dinossauro.

Além das dificuldades de produção, o desenho da carroceria já era considerado menos moderno em comparação às novidades que começavam a chegar ao transporte rodoviário nacional.

O problema obrigou a Itapemirim a buscar outra alternativa para dar continuidade ao projeto.

A mudança acabou se transformando em uma oportunidade para modernizar ainda mais a frota.

Nielson Diplomata substituiu o modelo Ciferal

Diante da limitação no fornecimento da Ciferal, a Itapemirim passou a utilizar a carroceria Nielson Diplomata nos veículos Tribus.

O Diplomata possuía um desenho mais moderno e era aproximadamente 20 centímetros mais comprido do que o modelo anterior.

Com isso, os ônibus passaram a alcançar 13,20 metros, comprimento máximo permitido pela legislação federal que havia sido aprovada naquele período.

A mudança também coincidiu com uma grande campanha de lançamento do novo ônibus.

A Itapemirim aproveitou o momento para atualizar a identidade visual da frota, reorganizando as cores tradicionais em uma composição mais vibrante e facilmente identificável nas rodovias.

Prefixo 10025 permaneceu preservado pela antiga companhia

Mesmo depois de deixar os serviços regulares, o Ciferal Dinossauro 10025 não foi vendido ou desmontado.

A antiga Viação Itapemirim decidiu manter o veículo sob sua guarda, permitindo que o exemplar sobrevivesse ao processo de renovação da frota.

Normalmente, ônibus rodoviários antigos são vendidos a outras empresas, transformados em veículos para atividades diferentes ou desmontados para o aproveitamento de peças.

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Ao preservar o 10025, a Itapemirim garantiu a sobrevivência de um dos poucos representantes da primeira fase de seu projeto de ônibus de três eixos.

Durante muitos anos, o veículo permaneceu nas instalações da companhia em Cachoeiro de Itapemirim.

Ônibus foi transformado em unidade de treinamento

Durante sua fase de preservação pela Itapemirim, o veículo deixou de manter a configuração original de transporte de passageiros e passou a atuar como ônibus-escola.

Para atender à nova finalidade, as poltronas foram retiradas e o salão passou a abrigar motores e outros componentes mecânicos utilizados em treinamentos.

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Interior do 10025 antes da reforma

Entre os equipamentos transportados estavam exemplares de motores associados a modelos como o Mercedes-Benz O 355 e o Scania K 112, além de outras peças empregadas na capacitação das equipes.

Segundo informações divulgadas pela empresa naquele período, o ônibus percorreu localidades do Nordeste para instruir mecânicos e motoristas dos pontos de apoio mantidos pela Itapemirim.

Essa transformação explica por que o veículo restaurado permanece atualmente sem a bancada de poltronas.

Unidade ajudava na formação de mecânicos e motoristas

A utilização como ônibus-escola permitia levar equipamentos e conhecimentos técnicos diretamente às bases operacionais da companhia.

Em uma empresa com presença nacional, a padronização de procedimentos de manutenção e condução era fundamental para manter a confiabilidade dos serviços.

O veículo possibilitava demonstrar componentes reais, sistemas mecânicos e procedimentos de manutenção sem exigir que todos os profissionais se deslocassem até a sede da empresa.

Dessa forma, o 10025 não apenas transportou passageiros em sua fase operacional, como também participou da formação de trabalhadores responsáveis por manter e conduzir outros ônibus da frota.

Sua história, portanto, reúne funções distintas dentro da estrutura da Itapemirim.

Deterioração colocou futuro do ônibus em risco

Nos últimos anos em que permaneceu em Cachoeiro de Itapemirim, o Ciferal Dinossauro apresentava sinais evidentes de deterioração.

A exposição ao tempo, o longo período sem utilização regular e a falta de recursos para uma recuperação completa afetaram a estrutura, a pintura e diferentes componentes do veículo.

A crise financeira enfrentada pela antiga companhia agravou a situação.

Com o avanço das dificuldades do Grupo Itapemirim e a posterior decretação de sua falência, o futuro de vários ônibus históricos tornou-se incerto.

Garagens, veículos, equipamentos e outros ativos passaram a integrar processos judiciais destinados ao pagamento dos credores.

Falência ampliou risco de perda do patrimônio histórico

O encerramento das atividades da antiga Viação Itapemirim representou não apenas o desaparecimento de uma importante empresa de transporte, mas também uma ameaça ao patrimônio histórico construído ao longo de décadas.

Diversos veículos antigos permaneciam nas instalações do grupo, alguns deles sem condições de circular e necessitando de restaurações extensas.

Com a dispersão dos ativos, existia o risco de que esses exemplares fossem desmontados, vendidos como sucata ou modificados de maneira irreversível.

A aquisição de parte desse acervo por novos responsáveis permitiu que alguns ônibus fossem retirados das antigas garagens e levados para instalações onde poderiam ser recuperados.

Nesse contexto, o prefixo 10025 ganhou uma nova oportunidade de preservação.

Suzantur realizou recuperação completa do veículo

Depois de ser encaminhado às instalações da Suzantur e da Nova Itapemirim, no estado de São Paulo, o ônibus passou por um amplo processo de restauração.

O trabalho envolveu a recuperação da carroceria, da estrutura, dos acabamentos e da pintura externa.

Também foram restaurados diferentes elementos relacionados à configuração histórica do modelo, buscando recuperar a aparência mantida pelo veículo durante sua ligação com a Viação Itapemirim.

A restauração exigiu atenção especial devido à idade do ônibus e à dificuldade de encontrar componentes compatíveis com um modelo fabricado no início da década de 1980.

Pintura amarela recupera identidade da “Amarelinha”

O acabamento externo voltou a apresentar a tradicional combinação visual associada à Viação Itapemirim.

A pintura predominantemente amarela transformou a empresa em uma das marcas mais reconhecidas nas estradas brasileiras.

Por causa dessa identidade, a transportadora ficou conhecida entre passageiros e admiradores como “Amarelinha”.

A recuperação das cores não representa apenas uma escolha estética. Ela resgata a memória visual de uma empresa que durante décadas conectou cidades e regiões brasileiras.

Para muitas pessoas, a pintura está diretamente relacionada a viagens familiares, deslocamentos de trabalho e experiências realizadas a bordo dos ônibus da companhia.

Preservação permite conhecer soluções de outra época

O prefixo 10025 reúne técnicas de fabricação, componentes mecânicos e soluções de engenharia pertencentes a um período específico da indústria brasileira de ônibus.

Sua conservação permite observar como as empresas e os fabricantes enfrentavam desafios relacionados à capacidade de passageiros, volume de bagagens, transporte de cargas e distribuição do peso.

O terceiro eixo, que hoje é comum em ônibus rodoviários de maior porte, ainda era uma inovação no mercado brasileiro quando o projeto começou a ser desenvolvido.

O veículo também ajuda a compreender o papel das grandes transportadoras no aperfeiçoamento dos produtos oferecidos pela indústria.

No caso da Itapemirim, a necessidade operacional levou a empresa a desenvolver internamente uma alternativa que posteriormente se tornaria comum em todo o setor.

Exposição amplia acesso à memória da Itapemirim

Ao colocar o ônibus em exposição em um ponto rodoviário aberto ao público, a Suzantur amplia o acesso ao patrimônio histórico da antiga companhia.

Em vez de permanecer restrito a uma garagem ou acervo fechado, o veículo pode ser observado por passageiros que utilizam diariamente a Régis Bittencourt.

A presença em uma plataforma de ônibus também recupera simbolicamente o ambiente no qual o Ciferal Dinossauro exerceu grande parte de sua história.

O exemplar volta a dividir espaço com veículos rodoviários atuais, permitindo comparar as dimensões, os desenhos, os equipamentos e as soluções tecnológicas de diferentes gerações.

Ciferal Dinossauro é testemunho de uma fase pioneira

O 10025 representa um período no qual a Itapemirim buscava ampliar sua capacidade operacional por meio de soluções próprias.

Sem encontrar no mercado nacional um chassi rodoviário de três eixos produzido em série, a empresa adaptou plataformas existentes, realizou testes, trabalhou com fornecedores e buscou a homologação necessária para operar os veículos.

Esse processo contribuiu para transformar o terceiro eixo em uma tendência do transporte rodoviário brasileiro.

Posteriormente, fabricantes de chassis e carrocerias passaram a oferecer modelos desenvolvidos especificamente para essa configuração.

O ônibus exposto em Registro é, portanto, um testemunho material de uma fase pioneira da indústria e da operação rodoviária no país.

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