Ônibus registram 2.233 emplacamentos em julho; produção cai 8% no mês e segmento acumula retração de 10,7% em 2026

Dados da Anfavea mostram avanço de 1,9% nas vendas de ônibus em relação a junho, mas mercado ainda está abaixo de 2025; produção somou 2.138 chassis e exportações chegaram a 439 unidades no mês
Viação Soares

O mercado brasileiro de ônibus encerrou julho de 2026 com 2.233 veículos emplacados, resultado que representa crescimento de 1,9% em relação a junho, quando foram registradas 2.191 unidades. Apesar da reação mensal, o segmento continua enfrentando um cenário desafiador e acumula queda de 10,7% nas vendas nos sete primeiros meses do ano, segundo o balanço divulgado pela Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Na comparação com julho de 2025, quando foram comercializados 2.381 ônibus, os emplacamentos recuaram 6,2%. Entre janeiro e julho deste ano, foram licenciadas 12.521 unidades, ante 14.016 veículos no mesmo intervalo de 2025.

Os números colocam os ônibus como o segmento de pior desempenho entre os autoveículos no acumulado de 2026. Segundo a Anfavea, as dificuldades relacionadas à execução do programa Caminho da Escola estão entre os principais fatores que explicam a retração.

O cenário contrasta com o desempenho geral da indústria automotiva brasileira, que registrou em julho o maior volume de emplacamentos do ano e mantém crescimento da produção no acumulado de 2026.

Mercedes-Benz lidera vendas de ônibus em julho

Os dados detalhados da Anfavea mostram que a Mercedes-Benz manteve a liderança entre as fabricantes associadas no mercado de ônibus em julho, com 857 unidades emplacadas. O resultado superou os 797 veículos registrados pela marca em junho e correspondeu a uma alta mensal de 7,5%.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus ficou na segunda posição, com 597 ônibus, ante 569 unidades no mês anterior, crescimento de 3,2%.

A Agrale registrou 311 unidades em julho, frente às 278 de junho, avanço de 11,9%. A Iveco contabilizou 344 emplacamentos, praticamente mantendo o resultado de junho, quando foram 335 unidades.

Já a Scania teve 30 ônibus emplacados em julho, contra 58 em junho. A redução mensal foi de 48,3%. A categoria “Outros” respondeu por 17 unidades e outras empresas ou importadoras somaram 87 veículos.

No acumulado de janeiro a julho, a Mercedes-Benz contabiliza 5.029 ônibus, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 3.336 unidades; Agrale, com 1.749; Iveco, com 1.582; Scania, com 245; outros, com 205; e demais empresas/importadoras, com 375 unidades.

Mercado de ônibus ainda está 10,7% abaixo de 2025

Apesar da pequena recuperação observada entre junho e julho, o resultado acumulado evidencia a diferença em relação ao desempenho registrado no ano passado.

Nos primeiros sete meses de 2025, foram emplacados 14.016 ônibus. No mesmo período de 2026, foram 12.521 unidades, uma redução de aproximadamente 1,5 mil veículos e queda de 10,7%.

O comportamento varia significativamente entre as fabricantes.

Enquanto a Iveco apresenta crescimento acumulado de 12,8% sobre os sete primeiros meses de 2025, quando havia comercializado 1.403 unidades, Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Agrale e Scania apresentam retrações.

ÔNIBUS

A Mercedes-Benz passou de 6.115 para 5.029 unidades, queda de 17,8%. A Volkswagen saiu de 3.520 para 3.336, retração de 5,2%, enquanto a Agrale passou de 1.931 para 1.749 unidades, redução de 9,4%.

Na Scania, a diferença é mais expressiva: foram 245 unidades neste ano, contra 444 entre janeiro e julho de 2025, recuo de 44,8%.

Produção de ônibus cai 8% em julho

O desempenho industrial também apresentou retração no último mês. As fabricantes produziram 2.138 chassis de ônibus em julho, contra 2.325 unidades em junho, redução de 8%.

Na comparação com julho de 2025, quando haviam sido produzidas 2.894 unidades, a queda chega a 26,1%.

Entre janeiro e julho de 2026, saíram das linhas de montagem brasileiras 18.061 chassis de ônibus, ante 18.636 unidades no mesmo período do ano passado. Nesse comparativo, a retração é mais moderada, de 3,1%.

A divisão dos números por aplicação revela comportamentos diferentes entre os segmentos rodoviário e urbano.

Produção de chassis rodoviários cresce 25,4% em julho

Os chassis destinados aos ônibus rodoviários tiveram desempenho positivo na comparação mensal. Foram produzidas 459 unidades em julho, contra 366 em junho, representando crescimento de 25,4%.

Em relação a julho de 2025, entretanto, quando foram fabricadas 474 unidades, houve redução de 3,2%.

No acumulado do ano, a indústria produziu 2.864 chassis rodoviários, volume 17,7% inferior às 3.480 unidades fabricadas entre janeiro e julho do ano passado.

No segmento urbano, o cenário de julho foi diferente. A produção passou de 1.959 chassis em junho para 1.679 unidades em julho, retração mensal de 14,3%.

Na comparação com julho de 2025, quando foram fabricadas 2.420 unidades, a redução chegou a 30,6%. Apesar da forte queda mensal e interanual, o acumulado permanece praticamente estável: foram 15.197 chassis urbanos produzidos nos sete primeiros meses de 2026, contra 15.156 no mesmo intervalo de 2025, crescimento de 0,3%.

Exportações de ônibus somam 439 unidades

As exportações brasileiras de ônibus também apresentaram redução em julho. Foram enviados ao exterior 439 veículos, contra 458 unidades em junho, queda de 4,1%.

Em relação a julho de 2025, quando o Brasil exportou 599 ônibus, houve retração de 26,7%.

O acumulado apresenta diferença ainda maior. Entre janeiro e julho de 2026, foram exportados 2.680 ônibus, enquanto nos sete primeiros meses de 2025 o volume havia alcançado 3.861 unidades. A redução é de 30,6%.

Ônibus rodoviários representam 205 unidades exportadas

Dos 439 ônibus exportados pelo Brasil em julho, 205 foram rodoviários, enquanto 234 unidades foram destinadas a aplicações urbanas.

Os rodoviários apresentaram retração de 19% diante das 253 unidades exportadas em junho. Em relação aos 424 veículos enviados ao exterior em julho de 2025, a redução alcançou 51,7%.

GH Bus

Entre janeiro e julho, as exportações de ônibus rodoviários somaram 1.289 unidades, contra 1.781 no mesmo período do ano passado, queda de 27,6%.

Os ônibus urbanos tiveram comportamento diferente no comparativo mensal. As exportações passaram de 205 unidades em junho para 234 veículos em julho, avanço de 14,1%.

Mesmo assim, o resultado ficou 33,7% abaixo das 175? [correction needed] unidades do período comparativo.

No acumulado de janeiro a julho, foram exportados 1.391 ônibus urbanos, contra 2.080 unidades em 2025, retração de 33,1%.

Brasil produz 253,9 mil veículos em julho

Considerando toda a indústria automotiva, o Brasil produziu 253,9 mil veículos em julho, crescimento de 3,1% sobre junho e de 5,9% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Nos sete primeiros meses do ano, foram produzidas aproximadamente 1,626 milhão de unidades, crescimento de 8,3%.

Segundo a Anfavea, o desempenho coloca o Brasil como o segundo país com maior crescimento da produção automotiva em 2026, atrás somente da Índia, que avançou 14,5%.

O Japão apresentou crescimento de 2,9%, enquanto Estados Unidos e China registraram retrações no primeiro semestre.

Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o resultado demonstra a força da indústria brasileira mesmo diante dos desafios relacionados às exportações e ao aumento da participação dos veículos importados.

Julho registra maior número de emplacamentos de 2026

O mercado brasileiro de autoveículos alcançou 279,5 mil emplacamentos em julho, tornando o mês o melhor de 2026 até agora.

O resultado representa crescimento de 2,6% sobre junho e de 14,9% diante de julho de 2025.

No acumulado do ano, os emplacamentos ultrapassaram 1,7 milhão de unidades, avanço de 17,9% na comparação com os primeiros sete meses do ano passado.

Apesar do recorde mensal, a média diária ficou em aproximadamente 12,2 mil veículos, já que julho teve 23 dias úteis, contra 21 em junho.

Eletrificados alcançam participação recorde no mercado

Outro movimento destacado pela Anfavea é o crescimento dos veículos eletrificados.

Elétricos e híbridos responderam por 23,5% dos emplacamentos de veículos em julho, participação recorde no mercado brasileiro. Há um ano, essas tecnologias representavam menos de 11% das vendas.

No acumulado de 2026, as vendas de eletrificados apresentam expansão de 120,8%. Somente os modelos totalmente elétricos chegaram a 25,8 mil unidades em julho, maior resultado mensal da série histórica.

Paralelamente, o Brasil recebeu 344,1 mil veículos importados nos primeiros sete meses do ano, crescimento de 25,7% sobre 2025. Os embarques provenientes da China mais que dobraram, com avanço de 105,4%.

Lat.Bus 2026 surge em momento desafiador para o mercado de ônibus

Com emplacamentos 10,7% menores e produção 3,1% abaixo do ano passado no acumulado, a indústria de ônibus chega à Lat.Bus 2026 em busca de uma mudança de ritmo para o segundo semestre.

Realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, no São Paulo Expo, a feira reunirá fabricantes, encarroçadoras, fornecedores, operadores e representantes do poder público.

A expectativa do setor é que lançamentos de produtos, negociações comerciais e discussões sobre renovação de frota, financiamento, descarbonização e novas tecnologias contribuam para estimular novos investimentos.

O desempenho de julho demonstra que existe alguma reação nos emplacamentos, mas também evidencia o desafio: enquanto o mercado automotivo brasileiro como um todo cresce em 2026, o segmento de ônibus ainda busca recuperar o volume registrado no ano passado.

Principais números do mercado de ônibus em julho de 2026

  • Emplacamentos: 2.233 ônibus — +1,9% ante junho e -6,2% ante julho de 2025
  • Emplacamentos de janeiro a julho: 12.521 ônibus — -10,7%
  • Produção: 2.138 chassis — -8% ante junho e -26,1% ante julho de 2025
  • Produção de janeiro a julho: 18.061 chassis — -3,1%
  • Produção de chassis rodoviários: 459 unidades em julho
  • Produção de chassis urbanos: 1.679 unidades em julho
  • Exportações: 439 ônibus — -4,1% ante junho e -26,7% ante julho de 2025
  • Exportações de janeiro a julho: 2.680 ônibus — -30,6%

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