Volvo leva inteligência artificial aos ônibus rodoviários com I-See e promete reduzir consumo em até 3%

Tecnologia apresentada na LatBus 2026 utiliza GPS, dados de topografia e inteligência artificial para antecipar acelerações e trocas de marcha; novidade está disponível nos chassis B380R, B420R, B460R ...
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A Volvo amplia o uso de inteligência embarcada em seus ônibus rodoviários com a chegada do I-See, tecnologia que passa a integrar os chassis equipados com motores de 13 litros da fabricante. O sistema utiliza Inteligência Artificial, conectividade e informações de GPS para reconhecer as características da rodovia e antecipar o comportamento do trem de força, buscando maior eficiência no consumo de combustível, suavidade na condução e segurança.

Apresentado como um dos destaques da fabricante na LatBus 2026, realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, no São Paulo Expo, o recurso chega à linha formada pelos chassis Volvo B380R, B420R, B460R e B510R. A solução trabalha integrada à transmissão automatizada I-Shift, que também passa por uma evolução e chega à sua sétima geração.

Já utilizada nos caminhões pesados da marca, a tecnologia I-See passa a aplicar nos ônibus rodoviários uma estratégia que combina dados da rota, relevo, velocidade, carga e comportamento do veículo para definir antecipadamente como motor e transmissão devem trabalhar.

Segundo a Volvo, a utilização inteligente dessas informações pode proporcionar uma redução de até 3% no consumo de combustível, resultado especialmente relevante para operações rodoviárias de elevada quilometragem anual.

I-See reconhece subidas e descidas antes de o ônibus chegar até elas

Um dos principais diferenciais do Volvo I-See está justamente na capacidade de antecipação. Em vez de o trem de força reagir somente depois que o ônibus começa uma subida ou descida, o sistema utiliza informações topográficas previamente mapeadas e a localização do veículo por GPS para saber o que encontrará adiante.

A partir desses dados, algoritmos avançados analisam as condições da rota e atuam sobre diferentes parâmetros do veículo. O sistema pode antecipar trocas de marcha, aceleração, utilização do freio motor e acionamento da função I-Roll, recurso de roda livre controlada desenvolvido para aproveitar a inércia do ônibus em situações nas quais isso favorece a eficiência.

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Também são considerados fatores como velocidade do veículo, carga transportada, inclinação do terreno e limites previamente definidos pelo motorista.

Na prática, o objetivo é fazer com que motor e transmissão trabalhem de maneira coordenada antes, durante e depois das alterações de relevo, evitando acelerações desnecessárias ou trocas de marcha que poderiam aumentar o consumo.

André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina, destaca que a nova tecnologia passa a funcionar como uma ferramenta de apoio tanto para os motoristas quanto para as empresas.

“Nossos ônibus rodoviários são referência em tecnologia, confiabilidade e eficiência. O I-See vem como um grande aliado dos motoristas e das empresas de transporte para o melhor desempenho e eficiência de combustível”, afirma.

Inteligência Artificial aprimora continuamente a estratégia de condução

O funcionamento do I-See vai além da utilização convencional das informações fornecidas pelo GPS. A tecnologia emprega Inteligência Artificial para aprimorar continuamente a estratégia utilizada durante a operação.

Os algoritmos trabalham com as informações disponíveis sobre as rotas e as características de condução para determinar a maneira mais eficiente de utilizar o trem de força.

Essa capacidade permite que o ônibus se prepare antecipadamente para diferentes situações encontradas na estrada.

Antes de uma subida, por exemplo, o sistema pode administrar velocidade e relação de marcha para aproveitar melhor a energia disponível. Nas descidas, pode utilizar estratégias que favoreçam o aproveitamento da inércia e a atuação adequada dos sistemas auxiliares de frenagem.

O gerenciamento é realizado em conjunto com a transmissão I-Shift, permitindo que a eletrônica coordene as decisões de aceleração e mudança de marcha.

Jackson Oaida, gerente de produto ônibus da Volvo, afirma que motoristas que participaram dos testes perceberam uma atuação bastante característica do sistema.

Segundo o executivo, os profissionais relataram a sensação de que o próprio ônibus “ensina” uma maneira mais eficiente de conduzir, justamente porque consegue antecipar ações relacionadas às mudanças de relevo antes que o motorista chegue a determinado trecho.

Economia de até 3% ganha importância em operações de alta quilometragem

De acordo com a fabricante, a utilização do I-See nos ônibus Volvo pode resultar em uma condução até 3% mais econômica.

O percentual se soma aos resultados de eficiência já obtidos pelos motores da atual geração Euro 6 da fabricante.

Embora aparentemente pequeno quando observado em uma única viagem, o ganho assume outra dimensão nas operações rodoviárias. Ônibus de linhas interestaduais e intermunicipais podem percorrer centenas de milhares de quilômetros ao longo de sua vida útil, fazendo com que pequenas reduções percentuais no consumo representem volumes significativos de combustível.

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Além do impacto financeiro para o operador, a redução do consumo contribui diretamente para diminuir as emissões associadas ao transporte rodoviário de passageiros.

A tecnologia também procura reduzir oscilações provocadas por diferentes estilos de condução. Ao auxiliar o motorista nas decisões relacionadas ao trem de força, o sistema contribui para uma operação mais padronizada e eficiente.

Volvo promete viagem mais suave para os passageiros

Os benefícios do I-See não ficam restritos à economia de combustível.

Como a tecnologia consegue antecipar determinadas condições da rodovia, acelerações e trocas de marcha podem ocorrer de maneira mais progressiva, diminuindo variações desnecessárias de velocidade.

O resultado esperado é uma condução mais suave, característica especialmente importante nos ônibus rodoviários, nos quais os passageiros permanecem por longos períodos dentro do veículo.

A operação mais controlada do trem de força também pode contribuir para diminuir esforços desnecessários sobre componentes mecânicos.

Para a Volvo, essa combinação envolve três pontos fundamentais para as empresas de transporte: redução do custo operacional, maior conforto e segurança durante as viagens.

I-Shift chega à sétima geração nos ônibus rodoviários Volvo

A introdução do I-See acontece paralelamente a outra atualização importante da linha rodoviária. A transmissão automatizada Volvo I-Shift chega à sua sétima geração.

A nova evolução da caixa incorpora módulos eletrônicos atualizados e processadores com maior capacidade de processamento.

Segundo a fabricante, as alterações permitem realizar trocas de marcha até 30% mais rápidas quando comparadas às gerações anteriores.

A maior velocidade de processamento permite que a transmissão execute as mudanças com mais precisão, diminuindo perdas de torque durante as retomadas.

Para o motorista, isso significa respostas mais rápidas do conjunto mecânico. Para os passageiros, a evolução tende a proporcionar acelerações e mudanças de marcha mais lineares.

A combinação entre I-See e I-Shift de sétima geração também foi desenvolvida para contribuir com o aumento da velocidade média operacional e a redução do consumo.

Integração entre GPS, transmissão e motor muda atuação do trem de força

A evolução apresentada pela Volvo evidencia uma tendência cada vez mais presente nos veículos pesados: a utilização de conectividade e processamento de dados não apenas para monitorar o ônibus, mas para interferir diretamente na maneira como ele opera.

No caso do I-See, as informações da estrada tornam-se parte da estratégia do trem de força.

Isso significa que a transmissão deixa de tomar suas decisões considerando apenas o que está acontecendo naquele instante e passa a incorporar informações sobre aquilo que encontrará nos próximos trechos da rodovia.

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O motorista continua responsável pela condução, mas recebe o apoio de um sistema capaz de administrar automaticamente determinados parâmetros para manter o ônibus dentro de uma estratégia de maior eficiência.

Esse tipo de tecnologia assume relevância especial em frotas que percorrem trajetos repetitivos. Quanto maior o conhecimento disponível sobre as características da rota, maior é a possibilidade de otimizar a utilização do conjunto mecânico.

Intervalo de troca de óleo pode chegar a 450 mil quilômetros

A Volvo também aproveita a atualização da linha rodoviária para ampliar os intervalos de manutenção de componentes importantes do trem de força.

Com a adoção de uma nova geração de óleo sintético genuíno Volvo, o intervalo para substituição dos lubrificantes da transmissão e dos eixos pode alcançar até 450 mil quilômetros, conforme as condições e especificações previstas pela fabricante.

O novo intervalo pode ter impacto expressivo sobre ônibus utilizados em operações de alta quilometragem.

A Volvo utiliza como exemplo uma empresa cujos veículos percorrem aproximadamente 150 mil quilômetros por ano. Nesse cenário, a troca dos lubrificantes da caixa e dos eixos poderia ocorrer a cada três anos.

A ampliação dos intervalos reduz a quantidade de intervenções programadas e, consequentemente, o período em que o veículo precisa permanecer parado para esse tipo de serviço.

Para as transportadoras, o ganho está diretamente relacionado à disponibilidade da frota e ao custo de manutenção, dois indicadores importantes no cálculo do custo total de propriedade de um ônibus rodoviário.

B380R, B420R, B460R e B510R recebem a tecnologia

O Volvo I-See passa a estar disponível nos chassis rodoviários equipados com motores de 13 litros da fabricante.

A oferta contempla os modelos B380R, B420R, B460R e B510R, permitindo que a tecnologia alcance diferentes configurações e aplicações dentro da linha rodoviária Volvo.

A novidade apresentada na LatBus 2026 reforça a estratégia da fabricante de utilizar eletrônica, conectividade e inteligência embarcada também para aprimorar veículos com motores a combustão.

Nesse processo, a evolução não ocorre somente pelo desenvolvimento de novos propulsores. Sistemas capazes de compreender a operação e administrar de maneira mais inteligente os recursos disponíveis passam a desempenhar papel cada vez mais relevante na busca por eficiência.

Com o I-See, a fabricante leva aos ônibus rodoviários uma tecnologia já consolidada em seus caminhões pesados e acrescenta uma nova camada de inteligência à integração entre motor, transmissão, motorista e rodovia.

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