Marcopolo G8 TEC transforma cerca de 3 mil garrafas PET em tecido para poltronas de cada ônibus

Nova geração de rodoviários utiliza revestimento produzido integralmente com PET reciclado pós-consumo, reduzindo emissões de CO₂ e incorporando conceitos de economia circular sem abrir mão do ...
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A sustentabilidade da nova geração de ônibus rodoviários da Marcopolo começa em detalhes que nem sempre são percebidos pelo passageiro. Na linha G8 TEC, apresentada recentemente pela fabricante, o revestimento das poltronas passa a utilizar um tecido de alta performance produzido integralmente a partir de PET reciclado pós-consumo. Em cada ônibus, a quantidade empregada na fabricação do material corresponde a aproximadamente 3 mil garrafas PET.

A solução foi desenvolvida em parceria com a DINI Têxtil e integra uma estratégia que procura levar os princípios da economia circular para diferentes componentes do veículo. Além de retirar material plástico do ciclo convencional de descarte, a aplicação reduz impactos associados à produção do tecido e foi concebida para facilitar sua posterior reciclagem.

A novidade demonstra que a evolução proposta pela Marcopolo G8 TEC não se limita às tecnologias embarcadas, ao design ou às mudanças de engenharia. A fabricante também direcionou o desenvolvimento para os materiais utilizados na construção dos ônibus, buscando combinar conforto, eficiência, durabilidade e menor impacto ambiental.

Cada G8 TEC reaproveita o equivalente a cerca de 3 mil garrafas PET

O volume de material reciclado empregado chama atenção quando considerado individualmente. Segundo a Marcopolo, somente os tecidos utilizados nas poltronas de um ônibus G8 TEC correspondem ao reaproveitamento de aproximadamente 3.000 garrafas PET pós-consumo.

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Na prática, isso significa que a expansão da nova família pode representar o reaproveitamento de grandes quantidades de plástico. Uma frota hipotética de 100 veículos, por exemplo, utilizaria nos revestimentos o equivalente a aproximadamente 300 mil garrafas PET, tomando como referência a média divulgada pela fabricante.

O material que anteriormente poderia seguir para descarte passa, assim, a integrar um componente de elevado uso dentro do ônibus e que precisa atender a requisitos específicos da indústria automotiva.

A proposta está diretamente relacionada ao conceito de economia circular, no qual resíduos são reinseridos nos processos produtivos como matéria-prima, prolongando a utilização dos materiais e reduzindo a necessidade de recursos virgens.

Tecido reciclado precisou manter desempenho de materiais convencionais

Utilizar material reciclado em uma aplicação automotiva exige mais do que simplesmente substituir uma matéria-prima por outra. As poltronas de ônibus rodoviários estão submetidas a uso intenso e precisam preservar suas características durante milhares de viagens.

Por esse motivo, o tecido desenvolvido para o G8 TEC passou por testes destinados a verificar características como resistência, desempenho, conforto e durabilidade.

De acordo com a Marcopolo, os resultados demonstraram equivalência em relação aos materiais convencionais, permitindo incorporar o revestimento sustentável sem comprometer a experiência esperada para os passageiros da nova geração de rodoviários.

O material também atende à IATF 16949, padrão internacional de gestão da qualidade voltado à cadeia da indústria automotiva.

A certificação ganha relevância porque evidencia que a adoção do PET reciclado não foi tratada apenas como uma iniciativa ambiental, mas como parte de um processo industrial que precisa cumprir requisitos técnicos e de qualidade.

Produção reduz consumo de água e emissões de CO₂

Os benefícios ambientais não estão concentrados somente na reutilização das garrafas.

Segundo os dados apresentados pela Marcopolo, o processo produtivo do novo tecido demanda menos água e pode proporcionar uma redução de até 60% nas emissões de CO₂ quando comparado à produção realizada com poliéster virgem.

A diferença amplia o impacto da solução ao considerar todo o processo de transformação da matéria-prima até sua aplicação nas poltronas.

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Em vez de observar sustentabilidade apenas pelo volume de resíduos reaproveitados, a fabricante incorpora à equação aspectos relacionados ao consumo de recursos naturais e à pegada de carbono associada à produção do componente.

Eficiência é um dos pilares da nova Marcopolo G8 TEC

A escolha do revestimento está relacionada à própria proposta que orientou o desenvolvimento da nova família de rodoviários.

O conceito G8 TEC está estruturado sobre três pilares: Tecnologia, Eficiência e Conforto. Para Ricardo Portolan, diretor de Vendas e Marketing da Marcopolo, o novo material representa especialmente o segundo desses princípios.

“O G8 TEC nasceu sob os pilares de Tecnologia, Eficiência e Conforto. A escolha deste tecido de PET reciclado é a materialização do pilar ‘E’ de Eficiência, pois ele une a redução de impacto ambiental com a alta performance que nossos clientes exigem”, afirma Portolan.

Para o executivo, a inovação consegue associar duas dimensões diferentes do produto: o conforto percebido diretamente pelo passageiro e a redução dos impactos ambientais envolvidos na fabricação.

“É uma inovação que o passageiro sente no conforto e que o planeta sente na redução de resíduos”, acrescenta.

Conceito monomaterial facilita reciclagem das poltronas

Outro aspecto do projeto está relacionado ao que acontecerá com os componentes depois de anos de utilização.

A Marcopolo adotou nas poltronas do G8 TEC um conceito denominado monomaterial, pensado para simplificar os procedimentos de desmontagem e reciclagem ao final da vida útil.

A abordagem procura enfrentar uma das dificuldades existentes na reciclagem de produtos industriais complexos: a utilização de diferentes tipos de materiais unidos em um mesmo componente, o que pode dificultar sua separação e posterior reaproveitamento.

Ao considerar essa questão ainda durante o desenvolvimento, a fabricante amplia a aplicação da economia circular para além da origem reciclada do tecido.

A lógica passa a contemplar diferentes etapas do ciclo: material pós-consumo é transformado novamente em matéria-prima, passa a integrar um ônibus novo e, ao final de sua utilização, possui características concebidas para facilitar um novo processo de reciclagem.

Sustentabilidade passa a integrar desenvolvimento dos novos ônibus

A utilização de tecidos provenientes de garrafas PET recicladas mostra uma dimensão da transformação tecnológica da indústria de ônibus que não está necessariamente ligada ao sistema de propulsão.

Enquanto eletrificação, combustíveis alternativos e redução das emissões dos motores ocupam posição central no debate sobre descarbonização do transporte, a fabricação dos próprios veículos também oferece possibilidades para reduzir impactos ambientais.

Materiais, processos produtivos, durabilidade dos componentes, consumo de recursos e possibilidades de reciclagem passam a fazer parte dessa discussão.

No caso do Marcopolo G8 TEC, a fabricante procurou incorporar esses princípios sem reduzir os padrões de conforto esperados para ônibus rodoviários, especialmente em um segmento no qual acabamento e experiência a bordo possuem peso significativo na escolha dos operadores.

G8 TEC leva inovação para além da tecnologia embarcada

A aplicação do novo tecido também amplia o conceito de tecnologia presente na família G8 TEC. Além de sistemas eletrônicos, soluções de engenharia e evoluções voltadas à eficiência operacional, o projeto considera a própria composição dos materiais utilizados no veículo.

A combinação entre PET pós-consumo, menor consumo de água, redução de até 60% das emissões de CO₂ na produção do tecido e conceito monomaterial cria uma solução na qual sustentabilidade e desempenho deixam de ser características tratadas separadamente.

Com cerca de 3 mil garrafas PET reaproveitadas por ônibus somente no revestimento das poltronas, a Marcopolo adiciona uma nova frente ambiental à evolução de sua linha rodoviária e demonstra como a economia circular pode chegar a componentes presentes diretamente na experiência dos passageiros.

Marcopolo possui presença internacional em mais de 140 países

Fundada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, a Marcopolo construiu uma atuação internacional no desenvolvimento e fabricação de carrocerias e soluções para o transporte coletivo de passageiros.

A companhia mantém unidades fabris em cinco continentes e possui veículos circulando em mais de 140 países. Sua estratégia contempla investimentos em design, tecnologia, eficiência industrial e desenvolvimento de novas soluções para diferentes aplicações do transporte de passageiros.

Com a nova geração G8 TEC, a fabricante acrescenta à evolução dos ônibus rodoviários uma abordagem que considera também a escolha e o ciclo de vida dos materiais, buscando reduzir impactos desde a fabricação até a futura destinação dos componentes.

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