O preço da passagem continua sendo o principal fator considerado pelos brasileiros na hora de escolher uma empresa de ônibus, mas o comportamento dos passageiros revela que a decisão está cada vez menos concentrada apenas no valor pago pela viagem. Pesquisa realizada pela FlixBus mostra que 68% dos entrevistados consideram o preço, enquanto 56% apontam o conforto do assento como um dos aspectos relevantes para definir com quem viajar.
A diferença de apenas 12 pontos percentuais entre preço e conforto evidencia uma mudança importante no comportamento do consumidor do transporte rodoviário. O passageiro continua atento ao orçamento, mas passou a avaliar de maneira mais ampla aquilo que receberá em troca durante toda a jornada.
O levantamento também mostra que opções de horários, qualidade do atendimento, segurança pessoal, facilidade para comprar a passagem e disponibilidade de Wi-Fi possuem participação relevante na decisão.
Os resultados fazem parte do Brand Tracking 2026 da FlixBus, estudo que acompanha hábitos de viagem, comportamento digital e tendências relacionadas à mobilidade e ao transporte rodoviário.
Preço influencia 68% dos passageiros, mas conforto chega a 56%
Entre os fatores considerados pelos consumidores na escolha da empresa de ônibus, o preço aparece para 68% dos entrevistados, ocupando a primeira posição.
Logo depois vem o conforto do assento, citado por 56%.
A proximidade entre os dois indicadores demonstra que competir apenas pelo menor preço pode não ser suficiente para conquistar o passageiro. Características diretamente relacionadas à experiência a bordo passaram a dividir espaço com os critérios econômicos.
Depois de preço e conforto, aparecem as opções de horários, com 49%, seguidas pelo atendimento ao cliente, com 48%.
A segurança pessoal é considerada por 46% dos participantes, enquanto a facilidade de compra alcança 44%.
Até mesmo serviços complementares aparecem com participação significativa: 43% consideram o Wi-Fi gratuito na hora de escolher a empresa.
Veja o que mais influencia a escolha da empresa de ônibus
De acordo com o levantamento apresentado pela FlixBus, os principais fatores considerados são:
- Preço da passagem: 68%
- Conforto do assento: 56%
- Opções de horários: 49%
- Atendimento ao cliente: 48%
- Segurança pessoal: 46%
- Facilidade de compra: 44%
- Wi-Fi gratuito: 43%
Os percentuais ajudam a revelar um passageiro que avalia diferentes componentes antes de tomar sua decisão.
Embora economizar continue sendo prioridade para a maioria, elementos relacionados ao produto, atendimento e experiência de viagem apresentam índices elevados.
Passageiro brasileiro está mais criterioso na escolha
Para Edson Lopes, CEO da FlixBus Brasil, o comportamento identificado pela pesquisa mostra que o consumidor está ampliando os critérios utilizados para escolher sua viagem.
“Preço continua sendo fundamental, mas o brasileiro também está mais atento ao que encontra durante toda a jornada. Conforto, bons horários e facilidade para comprar a passagem fazem diferença na escolha. Isso revela um consumidor mais criterioso e estimula as empresas a evoluírem continuamente a experiência oferecida”, afirma o executivo.
A leitura apresentada pela companhia aponta para um mercado no qual a disputa pelo passageiro passa a envolver uma combinação entre tarifa competitiva e qualidade da experiência.
Isso significa que aspectos relacionados ao ônibus propriamente dito dividem espaço com elementos anteriores e posteriores ao embarque.
Preço das viagens rodoviárias aumentou em seis das sete faixas analisadas
O peso atribuído ao valor da passagem ganha ainda mais relevância diante da evolução recente dos preços das viagens rodoviárias.
Dados do TRIIP 2025, anuário estatístico da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) citados no levantamento, mostram aumento do preço médio em seis das sete faixas de distância avaliadas entre 2024 e 2025.
Um dos exemplos está nos trajetos de até 200 quilômetros.
Nessa faixa, o preço médio passou de R$ 57,37 para R$ 69,96, o que corresponde a uma elevação de aproximadamente 22%.
O cenário ajuda a explicar por que o preço permanece na primeira posição entre os fatores considerados pelos consumidores, mesmo diante do crescimento da importância atribuída ao conforto e a outros elementos da experiência.
Experiência do passageiro começa antes de entrar no ônibus
Outro aspecto evidenciado pela pesquisa é que a jornada do passageiro começa muito antes do embarque.
Antes de escolher uma empresa ou comprar uma passagem, o consumidor utiliza diferentes canais para pesquisar destinos, preços e opções disponíveis.
Segundo o estudo, 45% dos entrevistados utilizam redes sociais como uma das fontes de informação para pesquisar viagens.
Os buscadores aparecem com 44%, mesmo percentual registrado pelas plataformas de viagem.
Esse comportamento mostra como o processo de escolha se tornou mais digital e comparativo. Antes de chegar ao terminal rodoviário, o passageiro já pode ter analisado empresas, serviços, horários e preços em diferentes canais.
Redes sociais ganham importância na decisão de viagem
A presença das redes sociais entre as principais fontes utilizadas na pesquisa de viagens também chama atenção para uma transformação na comunicação das empresas de transporte.
Esses canais deixaram de funcionar apenas como espaços institucionais ou de relacionamento e passaram a fazer parte do processo de descoberta e planejamento do consumidor.
Para as empresas rodoviárias, isso significa que a experiência de marca começa antes mesmo de uma consulta aos horários disponíveis.
Informações sobre frota, destinos, promoções, qualidade dos serviços e experiências de outros passageiros podem influenciar a percepção do consumidor durante a etapa de pesquisa.
O resultado também reforça a necessidade de integração entre comunicação digital, comercialização de passagens e experiência operacional.
Facilidade para comprar passagem influencia 44%
Depois de pesquisar e comparar alternativas, o consumidor precisa concluir a compra — e a facilidade desse processo também influencia a escolha da transportadora.
Para 44% dos entrevistados, a facilidade de compra está entre os fatores considerados na decisão.
O dado mostra que uma empresa pode oferecer preço competitivo, bons ônibus e horários adequados, mas ainda encontrar dificuldades para converter a intenção de viagem caso o processo de compra seja complexo.
Sites, aplicativos e plataformas de comercialização tornam-se, portanto, componentes do próprio serviço oferecido ao passageiro.
“Pesquisa, comparação e compra já fazem parte da experiência de viagem. O passageiro chega ao embarque depois de ter pesquisado suas opções, comparado alternativas e escolhido não apenas quanto quer pagar, mas o que espera encontrar durante o deslocamento”, explica Edson Lopes.
Cartão de crédito ainda supera PIX nas compras
A pesquisa também analisou os meios de pagamento utilizados pelos consumidores.
O cartão de crédito é citado por 41% dos entrevistados entre as formas utilizadas para pagamento das viagens.
O PIX aparece com 35%.
Os números mostram a importância de disponibilizar diferentes possibilidades para concluir a compra, atendendo consumidores com comportamentos financeiros distintos.
A expansão dos meios digitais também contribui para tornar a aquisição da passagem parte de uma experiência que pode ser realizada integralmente antes da chegada ao terminal.
Ônibus interestadual é citado por 64% dos entrevistados
O levantamento da FlixBus também analisou os meios de transporte utilizados pelos brasileiros.
O ônibus interestadual aparece com 64% das citações, ficando à frente do carro próprio, mencionado por 61%, e do avião, com 45%.
O resultado reforça a relevância do transporte rodoviário dentro dos hábitos de deslocamento dos entrevistados.
Mais do que observar qual modal aparece na frente, os números demonstram que o consumidor possui diferentes alternativas de transporte e pode escolher entre elas de acordo com características específicas de cada viagem.
É justamente nesse cenário que fatores como preço, conforto, disponibilidade de horários e facilidade de compra ganham importância competitiva.
80% dos passageiros rodoviários viajaram até 800 quilômetros em 2025
Dados do TRIIP 2025, apresentados como referência no levantamento, ajudam a compreender onde está concentrada grande parte da demanda do transporte regular rodoviário.
Segundo as informações citadas, 80% dos passageiros realizaram viagens de até 800 quilômetros em 2025.
Somente a faixa entre 400 e 600 quilômetros concentrou 33,48% dos passageiros.
Isso significa que uma parcela expressiva da demanda está presente justamente em viagens de curta e média distância, nas quais diferentes alternativas de transporte podem disputar a preferência do consumidor.
Nesse ambiente, o preço da passagem continua sendo relevante, mas fatores como horários disponíveis, localização dos pontos de embarque, características do serviço e conforto podem alterar a decisão final.
Conforto passa a ter papel estratégico na disputa pelo passageiro
O índice de 56% atribuído ao conforto do assento merece atenção especial para o setor rodoviário.
A diferença relativamente pequena em relação aos 68% registrados pelo preço sugere que a experiência física dentro do ônibus possui peso considerável na percepção de valor.
Para as empresas, isso pode envolver decisões sobre configuração das poltronas, espaçamento entre assentos e categorias de serviço disponibilizadas aos passageiros.
Em viagens mais longas, a percepção sobre conforto tende a integrar a avaliação geral que o consumidor faz da experiência.
O desafio comercial passa a ser equilibrar preço e percepção de valor, oferecendo um produto que faça sentido para diferentes perfis de passageiros.
Horários aparecem à frente até mesmo do atendimento e da segurança
A disponibilidade de horários, mencionada por 49% dos entrevistados, aparece como o terceiro fator mais citado na pesquisa.
O resultado demonstra a importância da conveniência operacional na escolha do consumidor.
Para determinados passageiros, encontrar uma partida adequada à sua agenda pode ser quase tão importante quanto pagar menos ou viajar em um ônibus mais confortável.
Logo depois aparecem atendimento ao cliente, com 48%, e segurança pessoal, com 46%.
Os percentuais mostram que a decisão não está concentrada em uma única etapa. O consumidor avalia desde a possibilidade de encontrar o horário desejado até a maneira como será atendido caso precise solucionar algum problema.
Wi-Fi gratuito ainda influencia 43% dos consumidores
Mesmo não sendo um componente essencial para o deslocamento, o Wi-Fi gratuito é considerado por 43% dos entrevistados.
O índice evidencia como a conectividade passou a integrar as expectativas de parte significativa dos passageiros.
Durante uma viagem, o acesso à internet pode ser utilizado tanto para entretenimento quanto para atividades profissionais, comunicação pessoal ou acompanhamento do próprio deslocamento.
A conectividade, portanto, deixa de ser percebida apenas como um equipamento adicional e passa a compor o conjunto de atributos avaliados na comparação entre serviços.
Pesquisa revela consumidor atento a toda a jornada
Os resultados do Brand Tracking 2026 da FlixBus desenham um cenário em que o passageiro brasileiro continua sensível ao preço, mas utiliza uma combinação cada vez maior de critérios antes de escolher com qual empresa viajar.
A decisão passa pela pesquisa nas redes sociais, buscadores e plataformas, segue pela comparação de tarifas e horários, envolve a facilidade para concluir o pagamento e continua durante a experiência a bordo.
Nesse processo, conforto, atendimento, segurança e conectividade ganham espaço.
Para as empresas do transporte rodoviário, o movimento amplia o desafio competitivo. Ter a menor tarifa pode atrair o consumidor, mas não necessariamente será suficiente para determinar sua escolha.
O levantamento indica que o passageiro procura uma equação mais ampla: preço adequado, conforto, conveniência, facilidade e uma experiência consistente do planejamento ao destino.
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