A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira (25), no Terminal Gentileza, um financiamento de R$ 329 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar um projeto de 175 ônibus elétricos destinados ao transporte público municipal.
A operação será estruturada por meio de uma parceria público-privada (PPP) que a administração municipal apresenta como a primeira do Brasil voltada especificamente para ônibus elétricos. O investimento total previsto chega a R$ 509 milhões e inclui, além dos veículos, a construção de uma garagem pública na Maré com infraestrutura para recarga.
Os novos ônibus deverão começar a integrar o Sistema RIO no segundo semestre de 2027. O cronograma está alinhado ao planejamento estratégico da cidade, que já prevê o início da operação de ônibus elétricos na frota municipal em 2027.
Os recursos do BNDES serão provenientes do Fundo Clima, linha que contempla, entre as modalidades apoiadas, a eletrificação de frotas de ônibus do transporte público e investimentos relacionados à mobilidade sustentável.
Investimento total será de R$ 509 milhões
Do investimento total de R$ 509 milhões previsto para o projeto, R$ 329 milhões serão financiados pelo BNDES e destinados especificamente à aquisição dos ônibus elétricos a bateria.
Outros R$ 141,2 milhões correspondem aos investimentos previstos para a futura concessionária responsável pelo contrato, enquanto R$ 38,8 milhões serão desembolsados pelo município.
Como será dividido o investimento
| Origem dos recursos | Valor |
|---|---|
| Financiamento do BNDES | R$ 329 milhões |
| Investimento da concessionária | R$ 141,2 milhões |
| Investimento do Município do Rio | R$ 38,8 milhões |
| Investimento total previsto | R$ 509 milhões |
A estrutura financeira permitirá reunir em um mesmo projeto a aquisição da frota, a implantação do sistema de recarga e a construção da garagem destinada à operação dos veículos.
175 ônibus elétricos serão destinados ao Sistema RIO
O projeto prevê a aquisição de 175 ônibus 100% elétricos, que passarão a integrar a rede municipal a partir do segundo semestre de 2027.
Segundo a Prefeitura, a frota será destinada às operações que atendem o Terminal Gentileza, ampliando a participação de veículos de emissão zero no transporte coletivo da cidade.
Ao anunciar o projeto, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a aquisição faz parte de uma estratégia que combina eletrificação e utilização futura de biocombustíveis na renovação da frota municipal. Cavaliere assumiu a Prefeitura do Rio em março de 2026.
“Esses 175 ônibus que vão eletrificar toda a frota que opera no Terminal Gentileza são mais um passo na transformação do transporte de ônibus da cidade”, declarou o prefeito durante o anúncio.
PPP terá contrato de 16 anos
A iniciativa será implantada por meio de uma PPP administrativa com duração de 16 anos.
O primeiro ano será destinado à implantação do projeto, enquanto os 15 anos seguintes serão dedicados à operação.
A concessionária que assumir o contrato ficará responsável pela aquisição parcial dos veículos, construção da garagem, implantação da infraestrutura de recarga e pela operação e manutenção dos ativos previstos no projeto.
A estrutura busca separar parte dos investimentos relacionados aos veículos e à infraestrutura da operação tradicional das linhas, criando um modelo específico para a eletrificação.
Garagem elétrica será construída na Maré
Uma das principais estruturas do projeto será uma nova garagem pública destinada aos ônibus elétricos.
O empreendimento será construído na Rua Novo Horizonte, na Vila do João, na Maré, em frente à Fundação Oswaldo Cruz, na Avenida Brasil.

O terreno possui aproximadamente 41 mil metros quadrados, dos quais cerca de 23 mil m² serão utilizados pela garagem elétrica.
O projeto prevê áreas destinadas ao estacionamento dos ônibus, manutenção, administração, almoxarifado e infraestrutura elétrica de carregamento.
A recarga da frota deverá ocorrer principalmente durante a noite, quando os veículos estiverem recolhidos à garagem.
Recursos virão do Fundo Clima
O financiamento de R$ 329 milhões será realizado pelo BNDES por meio do Fundo Clima.
O programa possui entre suas modalidades elegíveis a eletrificação das frotas de ônibus utilizadas no transporte público, além da implantação de infraestrutura relacionada à mobilidade de baixo carbono.
Para Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, o projeto combina investimento em mobilidade com redução de emissões e melhoria da experiência dos passageiros.
Segundo a executiva, a substituição dos veículos convencionais por elétricos pode contribuir para viagens com menor emissão de poluentes e menos ruído.
Projeto prevê redução de 13,3 mil toneladas de CO₂ por ano
De acordo com os cálculos apresentados pela Prefeitura, os 175 ônibus elétricos deverão evitar a emissão de aproximadamente 13,3 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano.
Ao longo dos 16 anos considerados no projeto, a redução estimada chega a aproximadamente 199,4 mil toneladas de CO₂ equivalente.
A eletrificação também deverá reduzir a emissão local de poluentes associados aos motores a combustão e diminuir o nível de ruído produzido pelos veículos durante a operação.
Rio tem meta de 20% da frota com veículos não emissores até 2030
O projeto está inserido na estratégia de transição energética prevista para o sistema municipal de ônibus.
O Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática do Rio de Janeiro estabelece como objetivo que 20% da frota do Serviço Público de Transporte de Passageiros por Ônibus seja formada por veículos não emissores até 2030.
Segundo a Prefeitura, esse percentual representa aproximadamente 1.000 ônibus considerando a dimensão projetada para a frota municipal.
O planejamento municipal mais recente também prevê o início da operação de ônibus elétricos em 2027.
Projeto é chamado de Elétrico Carioca
O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, destacou durante a apresentação que a Prefeitura pretende utilizar a experiência da primeira contratação como parte do processo de expansão da eletrificação.
Segundo ele, o projeto marca o início do que a administração municipal está chamando de “Elétrico Carioca”.
A proposta é utilizar a experiência adquirida na implantação da garagem, infraestrutura de carregamento e operação da primeira frota para apoiar futuras etapas de eletrificação.
O modelo também ocorre paralelamente à reorganização do sistema municipal por meio do Sistema RIO, que vem alterando a estrutura contratual das operações de ônibus da cidade.
Terminal Gentileza será referência para primeira frota
A escolha de uma frota concentrada em operações vinculadas ao Terminal Gentileza permitirá reunir os veículos em uma mesma estrutura de abastecimento e manutenção.
Ao contrário dos ônibus a diesel, que podem utilizar uma rede distribuída de postos, a operação elétrica exige planejamento específico relacionado à potência disponível, carregadores, horários de recarga e disponibilidade dos veículos.
Por isso, a garagem pública da Maré terá papel central na implantação da nova operação.
535 empregos diretos estão previstos na operação
A estrutura planejada para a primeira garagem elétrica deverá demandar aproximadamente 535 profissionais diretamente ligados à operação.
A estimativa apresentada prevê:
- 490 motoristas
- 35 fiscais
- 10 despachantes
Além desse contingente, haverá equipes destinadas às áreas de manutenção e administração.
Durante a fase de implantação, a estimativa é de aproximadamente 100 postos de trabalho relacionados às obras, instalação dos carregadores, adequações elétricas, engenharia, fabricação dos veículos e equipamentos e testes dos sistemas.
Ônibus elétricos já passaram por testes no Rio
A chegada dos 175 veículos representará uma nova escala para a eletromobilidade no sistema de ônibus da capital.
Antes da implantação comercial prevista para 2027, o Rio já realizou diferentes experiências com veículos elétricos. Em 2026, por exemplo, modelos foram submetidos a testes operacionais para avaliar desempenho, eficiência energética e adaptação às condições reais da cidade.
Essas experiências fazem parte do processo de preparação para a introdução de veículos de emissão zero em maior escala.
Financiamento abre caminho para nova etapa da eletrificação no Rio
Com o financiamento anunciado, o município avança da fase de testes e planejamento para a estruturação de uma operação de maior porte.
Os R$ 509 milhões previstos no projeto vão combinar recursos municipais, investimento privado e financiamento federal para colocar em circulação 175 ônibus elétricos e construir a estrutura necessária para mantê-los em operação.
A previsão é de que os primeiros veículos comecem a circular no segundo semestre de 2027, inaugurando uma nova etapa da estratégia de descarbonização do transporte coletivo carioca.
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