Funcionários da Expresso Rei de França, antiga 1001, participaram na manhã deste sábado (21) de uma reunião convocada pela empresa, em São Luís (MA), na qual foi apresentada uma proposta de desligamento de trabalhadores mediante acordo. Parte dos colaboradores optou por aderir, enquanto outros rejeitaram os termos oferecidos.
O encontro começou por volta das 9h e coincidiu com a redução da frota em circulação, provocando impacto direto no sistema de transporte coletivo da Grande São Luís.
Proposta prevê acesso ao FGTS e seguro-desemprego
Segundo relatos de trabalhadores, o acordo apresentado permite o saque do FGTS e a solicitação do seguro-desemprego, como forma de garantir amparo imediato aos funcionários que aderirem.
No entanto, valores referentes a salários atrasados, férias e tíquete-alimentação não estariam incluídos no acerto. Há ainda questionamentos sobre depósitos do FGTS que, segundo alguns funcionários, não teriam sido realizados há anos. A forma de quitação desses possíveis débitos não foi detalhada.

Empregados que não aceitaram o acordo seguem sem definição clara sobre sua situação funcional. Eventuais valores pendentes deverão ser discutidos na Justiça do Trabalho.
Paralisação atinge bairros da Grande São Luís
Com ônibus retidos na garagem, moradores enfrentaram dificuldades para se deslocar em diferentes regiões. A paralisação no transporte público em São Luís atingiu pelo menos 15 bairros:
- Ribeira
- Viola Kiola
- Vila Itamar
- Tibiri
- Cohatrac
- Parque Jair
- Parque Vitória
- Alto do Turu
- Vila Lobão
- Vila Isabel Cafeteira
- Vila Esperança
- Pedra Caída
- Recanto Verde
- Forquilha
- Ipem Turu
A interrupção reforça o cenário de instabilidade que vem sendo registrado no sistema urbano da capital maranhense.
Empresa nega falência e fala em reorganização
Em nota oficial, a Expresso Rei de França afirmou que não houve decretação de falência e que as atividades seguem em funcionamento. A empresa classificou os acordos rescisórios como voluntários e afirmou estar adotando medidas administrativas para reorganizar a operação.
A companhia atribui a crise financeira às dificuldades estruturais do transporte coletivo urbano, mencionando ajustes e atrasos nos repasses de subsídios públicos destinados ao equilíbrio econômico-financeiro das concessionárias.

Segundo a empresa, há diálogo com o Poder Público, sindicatos e autoridades competentes para regularização dos fluxos financeiros e preservação dos empregos.
Histórico recente de greves e impasses
Nos últimos meses, o sistema de transporte público da Grande São Luís já enfrentou paralisações motivadas por atrasos salariais e pendências no pagamento de benefícios.
Em novembro de 2025, trabalhadores suspenderam as atividades por quase duas semanas. O serviço foi retomado após determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), que obrigou a liberação de subsídios municipais às empresas.
Em dezembro, nova paralisação ocorreu na véspera do Natal, com 162 veículos fora de circulação.
Convenção coletiva segue sem acordo
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (STTREMA) negocia a Convenção Coletiva de Trabalho para 2026 com o setor patronal. Segundo representantes da categoria, não houve avanço significativo nas tratativas.
Caso o impasse persista, há possibilidade de ampliação da paralisação para todo o sistema de ônibus urbanos de São Luís, o que poderá afetar milhares de passageiros diariamente.
O episódio reacende o debate sobre a sustentabilidade financeira do transporte público em São Luís, especialmente diante da dependência de subsídios para manutenção da operação.
Veja a nota oficial da empresa
“A empresa esclarece que não houve decretação de falência , permanecendo suas atividades em funcionamento e adotando medidas administrativas necessárias para a reorganização operacional diante do atual cenário enfrentado pelo sistema de transporte público urbano.
Na manhã desta data foi realizada reunião com trabalhadores de todos os setores da empresa, em ambiente transparente e de diálogo aberto, com o objetivo de apresentar a realidade operacional vivenciada e discutir alternativas responsáveis voltadas à proteção social dos colaboradores e à continuidade do serviço prestado à população.
Como medida excepcional e de caráter humanitário , foi apresentada a possibilidade de adesão voluntária a acordos rescisórios, permitindo aos trabalhadores acesso imediato a mecanismos legais de proteção social, como saque do FGTS e habilitação ao seguro-desemprego, garantindo amparo mínimo neste momento de transição.
A atual situação financeira enfrentada pela empresa decorre, em grande parte, das dificuldades estruturais vivenciadas pelo sistema de transporte coletivo, especialmente em razão de atrasos e ajustes realizados nos repasses de subsídios públicos destinados à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro da operação.
Tais recursos possuem finalidade específica vinculada ao custeio da operação e à manutenção dos empregos, conforme reiteradamente reconhecido em decisões judiciais de instâncias superiores, razão pela qual oscilações ou retenções nesses repasses impactam diretamente a capacidade operacional das concessionárias.
A empresa permanece em diálogo institucional permanente com o Poder Público, sindicatos e autoridades competentes, buscando a regularização dos fluxos financeiros necessários à normalização das atividades e à preservação dos postos de trabalho.
Reafirmamos nosso compromisso com os trabalhadores, com os usuários do transporte público e com a continuidade de um serviço essencial à cidade”.
Imagens: Adriano Minervino
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