Prefeitura do Rio testa ônibus 100% elétrico da Ankai na linha 28 da Conexão BRT

Ônibus elétricos da Higer e Ankai passam por testes operacionais na Zona Oeste; cronograma segue até abril de 2026
Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro iniciou uma nova etapa no processo de transição energética do transporte público municipal. A linha 28 do serviço Conexão BRT, que conecta Pingo D’Água ao Terminal Curral Falso, na Zona Oeste, passou a operar com um ônibus 100% elétrico da fabricante chinesa Ankai em regime experimental.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro (SMTR), em conjunto com a Mobi-Rio, responsável pela operação do BRT carioca. O objetivo é avaliar o desempenho do veículo em condições reais de tráfego, considerando as particularidades operacionais do corredor.

O modelo foi oficialmente homologado após processo administrativo concluído em outubro de 2025, dentro de chamamento público que selecionou empresas interessadas em submeter tecnologias de ônibus elétricos à análise técnica do município.

Avaliação técnica em ambiente urbano

O veículo em testes é o ônibus elétrico Ankai OE-12, modelo urbano de piso baixo, configurado para atender rotas de alta demanda. Durante o período de experimentação, técnicos da SMTR e da Mobi-Rio irão monitorar indicadores estratégicos, como:

  • Autonomia efetiva em operação diária
  • Consumo energético por quilômetro
  • Desempenho em tráfego intenso
  • Confiabilidade mecânica
  • Adequação ao traçado e à topografia da linha 28

O ônibus recebeu identidade visual diferenciada, com elementos que destacam sua operação com zero emissão de poluentes, reforçando o caráter ambiental do projeto.

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O cronograma de testes segue aberto até 30 de abril de 2026, permitindo comparação entre diferentes fabricantes e soluções tecnológicas antes de qualquer decisão de aquisição em larga escala.

Especificações técnicas do Ankai OE-12

O Ankai OE-12 é um ônibus elétrico de 12 metros projetado para aplicações urbanas. Entre suas principais características técnicas estão:

Dimensões e capacidade

  • Comprimento: 12.000 mm
  • Largura: 2.550 mm
  • Altura: 3.555 mm
  • Entre-eixos: 6.100 mm
  • Peso Bruto Total (PBT): 19 toneladas
  • Capacidade padrão: 32 passageiros sentados + espaço para PCD

Motorização e sistema de tração

  • Motor elétrico Dana MD130B-E
  • Potência nominal: 145 kW
  • Potência de pico: 245 kW (aprox. 333 cv)
  • Torque máximo: 3.329 Nm
  • Eixos dianteiro e traseiro Dana

Baterias e autonomia

O modelo utiliza baterias de lítio da CATL, com três configurações possíveis:

  • 300 kWh — autonomia aproximada de 250 km
  • 338 kWh — autonomia aproximada de 280 km
  • 423 kWh — autonomia de até 350 km

A versão apresentada no Brasil é a de maior capacidade energética, ampliando o alcance operacional diário com apenas uma recarga.

Segundo representantes da marca, um dos diferenciais do OE-12 é o menor peso estrutural em comparação com modelos concorrentes no mercado nacional, fator que pode impactar positivamente na eficiência energética.

Infraestrutura de recarga e suporte técnico

Além do fornecimento do veículo, a empresa responsável pela introdução da tecnologia no país também assumiu a instalação da infraestrutura de recarga necessária para os testes, bem como o suporte técnico inicial.

Paralelamente ao modelo da Ankai, outro ônibus elétrico, comercializado sob a marca Higer Bus, também iniciou período de avaliação no sistema BRT. O veículo é fornecido pela TEVX Motors Group e integra o mesmo chamamento público lançado em setembro de 2025.

Essa abordagem comparativa permitirá ao município avaliar diferentes arquiteturas de baterias, estratégias de carregamento e modelos de manutenção.

Estratégia de longo prazo para eletrificação

A inserção do ônibus elétrico na linha 28 representa mais um passo dentro da política de descarbonização do transporte público carioca. A eletrificação gradual da frota está alinhada a metas de redução de emissões, melhoria da qualidade do ar e eficiência energética urbana.

Os dados coletados nesta fase servirão de base para:

  • Definição de padrões técnicos para futuras licitações
  • Estruturação de contratos de aquisição ou locação
  • Planejamento da infraestrutura de recarga em garagens e terminais
  • Modelagem financeira de renovação de frota

Caso os resultados operacionais sejam considerados satisfatórios, a cidade poderá avançar para uma fase de ampliação gradual da presença de ônibus elétricos no sistema BRT e nas demais redes municipais.

Imagens: Rodrigo Gomes

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