Prefeitura do Rio incentiva ônibus elétricos na nova licitação do transporte: operadoras poderão receber remuneração até 12% maior

Edital da segunda etapa do Sistema RIO cria incentivo financeiro para empresas que adotarem veículos elétricos nas linhas municipais, reforçando a estratégia de descarbonização do transporte público
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A Prefeitura do Rio de Janeiro deu mais um passo rumo à modernização do transporte coletivo ao incluir um incentivo financeiro para as empresas que optarem por operar ônibus elétricos na segunda etapa da licitação do Sistema RIO. O novo modelo prevê um adicional de até 12% na remuneração das concessionárias que incorporarem veículos movidos a eletricidade às suas frotas, estimulando a adoção de tecnologias de baixa emissão de poluentes.

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O benefício está previsto no edital publicado pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) e faz parte da concorrência destinada à concessão de cinco novos lotes de linhas municipais. As futuras operadoras atenderão bairros como Bangu, Campo Grande, Guaratiba, Santa Cruz, Ilha do Governador e Vila Isabel, ampliando a renovação do sistema de transporte da capital fluminense.

Incentivo financeiro estimula eletrificação da frota

Diferentemente de outras exigências previstas na licitação, o edital não estabelece um número mínimo de ônibus elétricos que deverá ser adquirido pelas empresas vencedoras.

Em vez disso, o município criou um mecanismo de estímulo econômico. As operadoras que optarem por investir em veículos elétricos poderão receber uma remuneração maior pela prestação do serviço.

O cálculo considera a chamada Tarifa de Remuneração de Incentivo à Eletrificação (TRIE), prevista em um dos anexos do edital. O percentual adicional poderá chegar a 12%, sendo calculado de acordo com a proporção de ônibus elétricos incorporados à frota total prevista para cada lote operacional.

Na prática, quanto maior for a participação de veículos elétricos na operação, maior será o incentivo financeiro recebido pela concessionária.

Remuneração varia conforme cada lote da licitação

O modelo adotado pela Prefeitura estabelece que o valor pago por quilômetro rodado continuará variando conforme as características de cada lote operacional.

Sobre essa remuneração básica será aplicada a metodologia relacionada à eletrificação da frota, levando em consideração a participação dos veículos elétricos dentro da operação planejada.

A proposta busca tornar economicamente mais atrativa a adoção da tecnologia, reduzindo parte do impacto do investimento inicial necessário para aquisição dos ônibus elétricos.

Capital já realizou experiências com ônibus elétricos

Embora ainda não possua uma frota elétrica em operação regular, o Rio de Janeiro já realizou testes com diferentes modelos nos últimos anos.

Em 2025, a Auto Viação Tijuca colocou um ônibus elétrico em operação experimental nas linhas 301 e 302, que ligam o Terminal Gentileza à Barra da Tijuca, permitindo avaliar o desempenho da tecnologia em corredores urbanos de grande demanda.

Auto Viação Tijuca

Mais recentemente, a Mobi-Rio, empresa pública responsável pela operação do BRT Rio, também iniciou testes com cinco ônibus elétricos na linha 28 do serviço Conexão BRT, entre os terminais Pingo D’Água e Curral Falso, na Zona Oeste da cidade.

Essas operações experimentais vêm contribuindo para o levantamento de dados sobre autonomia, consumo energético, desempenho operacional e adaptação da infraestrutura necessária para a eletrificação da frota.

Estado também amplia experiências com eletromobilidade

O movimento em direção à mobilidade elétrica não se limita às linhas municipais da capital.

No sistema intermunicipal, o programa RJ Eletro, desenvolvido em parceria entre o Detro-RJ e empresas operadoras, também vem promovendo testes com ônibus elétricos em diferentes corredores.

Uma das experiências ocorreu na linha 100D, que liga Niterói ao centro do Rio de Janeiro, operada pela Viação Mauá. O mesmo ônibus foi testado pelas empresa Rio Ita e Auto Ônibus Fagundes em linhas que ligam Niterói à São Gonçalo e pela empresa Linave na linha 420T que linha Nilópolis à Barra da Tijuca.

ônibus elétrico

Em junho do ano passado, a Transportes Santo Antônio testou um ônibus totalmente elétrico TEVX Higer Azure A12BR na linha intermunicipal 417T, que liga Xerém, em Duque de Caxias, ao Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca.

Santo Antônio

Outro exemplo recente é Maricá, que anunciou investimentos para a aquisição de 30 ônibus elétricos, financiados com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Mobilidade Urbana). A iniciativa reforça a tendência de expansão da eletromobilidade em diferentes municípios fluminenses.

Brasil amplia frota, mas ainda está atrás de outros países da região

A adoção de ônibus elétricos também cresce em toda a América Latina.

Levantamento divulgado pelo ICCT Brasil (Conselho Internacional de Transporte Limpo) aponta que 9.115 ônibus elétricos estavam em operação na América Latina e Caribe ao longo de 2025.

O Chile lidera o ranking regional com 4.288 veículos, seguido pela Colômbia, com 1.590 unidades. O Brasil aparece na terceira posição, contabilizando 1.450 ônibus elétricos em circulação.

Entre as cidades brasileiras, São Paulo concentra a maior frota nacional, com 1.095 veículos elétricos operando no transporte coletivo.

No estado do Rio de Janeiro, o levantamento registrava apenas três ônibus elétricos em operação, todos em Volta Redonda. Os veículos que passaram por testes na capital fluminense ainda não integravam os números oficiais considerados pelo estudo.

Nova licitação reforça compromisso com transporte sustentável

A inclusão do incentivo financeiro para a eletrificação da frota demonstra que o Sistema RIO pretende incorporar gradualmente soluções voltadas à redução das emissões de carbono e à melhoria da qualidade ambiental do transporte público.

Além da renovação da frota com veículos mais modernos, a iniciativa abre espaço para que futuras concessionárias invistam em tecnologias de menor impacto ambiental, contribuindo para tornar o sistema de ônibus da capital mais eficiente, silencioso e sustentável nos próximos anos.

Caso as empresas optem por aproveitar o benefício previsto no edital, a cidade poderá acelerar sua participação no processo de eletrificação do transporte coletivo, acompanhando uma tendência que já avança em diversas capitais brasileiras e latino-americanas.

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