A Motiva anunciou sua entrada no mercado de eletromobilidade com a assinatura do primeiro contrato para prestação de serviços de recarga de ônibus elétricos na cidade de São Paulo. O acordo foi firmado com a Viação Campo Belo e marca o início de uma nova frente de negócios da companhia, voltada à infraestrutura necessária para a eletrificação das frotas.
Para atender à operação, a empresa investiu R$ 5 milhões na implantação de uma estrutura de recarga no Pátio Guido Caloi, da Linha 5-Lilás, concessão operada pela ViaMobilidade. Foram instalados 12 carregadores, cada um com potência de 180 kVA, capazes de atender 24 ônibus elétricos simultaneamente e realizar a recarga das baterias em até três horas.
Nesta primeira etapa, a expectativa é que o local receba 40 ônibus elétricos da Viação Campo Belo por dia. A iniciativa também inaugura um modelo no qual a Motiva assume os investimentos e a gestão da infraestrutura enquanto as operadoras de ônibus utilizam os eletropostos mediante remuneração pelo serviço.
Infraestrutura permite carregar 24 ônibus ao mesmo tempo
A estrutura instalada no Pátio Guido Caloi reúne 12 equipamentos de recarga, cada um dimensionado para alimentar dois veículos simultaneamente.
Com isso, o complexo tem capacidade para atender até 24 ônibus elétricos de uma só vez.
Segundo a Motiva, o processo de recarga pode ser concluído em até três horas, dependendo das condições da operação e do estado das baterias.
A expectativa inicial é utilizar a estrutura para atender os 40 veículos da Campo Belo ao longo do dia.
Motiva assume investimento, manutenção e gestão de energia
O modelo de negócio criado para a nova operação transfere parte relevante da infraestrutura de eletromobilidade para a Motiva.
A companhia é responsável pela compra e instalação dos carregadores, adaptação da rede elétrica, gestão do fornecimento de energia e manutenção do sistema.
Já a movimentação e a operação dos ônibus dentro do pátio permanecem sob responsabilidade das empresas de transporte.
As operadoras remuneram a Motiva pela utilização dos eletropostos, dentro das condições estabelecidas em contratos de longo prazo.
Energia utilizada será de fonte renovável
A energia destinada à recarga dos ônibus é proveniente de fonte renovável.
Segundo a companhia, o fornecimento está ligado ao Complexo Eólico Oitis, empreendimento no qual a Motiva possui participação e que está localizado no Piauí e na Bahia.
A energia conta ainda com Certificado Internacional de Energia Renovável, o I-REC.
A utilização de eletricidade renovável adiciona uma segunda camada ao processo de descarbonização: além da substituição do diesel nos ônibus, a recarga utiliza energia com certificação de origem renovável.
Empresa quer simplificar eletrificação para operadoras de ônibus
Segundo a Motiva, um dos principais objetivos do modelo é reduzir a complexidade enfrentada pelas empresas de ônibus durante a transição para veículos elétricos.
O processo envolve infraestrutura elétrica, aquisição de carregadores, contratação e gestão de energia, manutenção e adequações nas instalações.
“Pela grande expertise que temos em gestão de energia, dado que somos um dos 50 maiores consumidores de energia do País e o segundo maior da Região Metropolitana de São Paulo, temos escala, capacidade financeira e competência técnica para oferecer soluções no setor de eletromobilidade para diferentes perfis de clientes”, afirma João Pita, diretor Comercial da Motiva.
O executivo acrescenta que a proposta para as operadoras é reunir essas etapas em uma única solução, diminuindo a quantidade de fornecedores envolvidos no processo.
Pátio Guido Caloi foi escolhido por localização e capacidade elétrica
A escolha do Pátio Guido Caloi para o primeiro projeto considera três fatores principais.
O primeiro é a localização, considerada estratégica para as empresas de ônibus que atuam na região sul da capital paulista.
O segundo é a disponibilidade de capacidade na subestação que atende o pátio da Linha 5-Lilás.
O espaço também possui área suficiente para implantação dos equipamentos sem interferir na operação e manutenção do sistema metroviário.
A estrutura funciona em regime 24 horas por dia, sete dias por semana, e conta com portaria dedicada e área de apoio aos motoristas, incluindo banheiro e copa.
Infraestrutura de recarga é um dos desafios da eletrificação
Para a Motiva, a expansão dos ônibus elétricos depende de uma estrutura que vai além da simples substituição dos veículos a diesel.
A transição exige disponibilidade de energia, terrenos adequados, conexão com a rede elétrica, carregadores e capacidade de investimento por parte das empresas.
Garagens convencionais nem sempre possuem espaço físico ou capacidade elétrica disponível para suportar a demanda de uma frota eletrificada.
É nesse ponto que a companhia pretende atuar, fornecendo infraestrutura de recarga como serviço e assumindo parte dos investimentos necessários para viabilizar a mudança tecnológica.
Áreas próximas a metrôs e trens podem receber novos eletropostos
A Motiva identifica potencial para ampliar o modelo utilizando espaços próximos às suas operações de transporte sobre trilhos em São Paulo.
A companhia está presente na gestão das linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda, além de terminais de ônibus associados a estações.
Áreas como Vila Sônia e Capão Redondo são citadas como locais com características que podem permitir a implantação de futuras infraestruturas de recarga.
Segundo a empresa, a existência de instalações elétricas de grande porte nas operações metroferroviárias também pode facilitar o desenvolvimento de novos projetos.
Modelo busca reduzir investimento inicial das empresas de ônibus
Um dos pilares comerciais da nova operação é reduzir o volume de recursos que uma viação precisa imobilizar ao eletrificar sua frota.
Em vez de cada operadora investir individualmente em reforma da garagem, rede elétrica e carregadores, a Motiva realiza o aporte e disponibiliza a estrutura.
A remuneração ocorre pelo consumo de energia, conforme as condições definidas nos contratos de longo prazo.
Esse formato permite separar o investimento no ônibus elétrico da construção da estrutura necessária para abastecê-lo.
Motiva quer levar recarga para logística, aplicativos e e-commerce
O plano de expansão da companhia não está restrito ao transporte coletivo.
No curto e médio prazo, a Motiva pretende oferecer infraestrutura de carregamento para clientes B2B, incluindo empresas de comércio eletrônico, operações logísticas e plataformas de transporte por aplicativo.
A empresa estuda aproveitar áreas das concessões sob sua gestão para criar novos pontos de recarga na Região Metropolitana de São Paulo e em Salvador.
A estratégia busca atender veículos que operam continuamente dentro das cidades e necessitam de soluções de carregamento rápido.
Rodovias também estão nos planos da companhia
Em uma etapa posterior, a Motiva pretende desenvolver estruturas destinadas à recarga de veículos utilizados em viagens de longa distância.
A expansão poderá contemplar tanto automóveis quanto caminhões.
A companhia administra corredores rodoviários importantes, incluindo o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, em São Paulo; a Rodovia Presidente Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo; e a Fernão Dias, entre São Paulo e Minas Gerais.
Esses ativos fazem parte da estratégia de longo prazo para ampliar a infraestrutura de recarga além dos centros urbanos.
Descarbonização está entre os objetivos da nova frente
A entrada da Motiva na eletromobilidade também está associada às iniciativas da companhia relacionadas à redução de emissões no transporte.
A empresa integra a Coalizão para Descarbonização dos Transportes, iniciativa da qual também participam a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Insper e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).
De acordo com o plano citado pela companhia, a infraestrutura de recarga será um dos pontos essenciais para viabilizar a expansão dos veículos elétricos no Brasil.
A estimativa apresentada no material é de necessidade de aproximadamente R$ 40 bilhões em investimentos, com implantação entre 990 mil e 1,9 milhão de pontos de recarga para atender a futura frota elétrica e híbrida.
Primeiro contrato inaugura nova frente de negócios
O acordo firmado com a Viação Campo Belo transforma a infraestrutura do Pátio Guido Caloi no primeiro projeto comercial da Motiva voltado diretamente à recarga de ônibus elétricos.
Além do investimento inicial de R$ 5 milhões, o projeto funciona como base para a expansão do modelo para outros operadores e outros segmentos de transporte.
“Nossa visão é que existe uma oportunidade de negócio, mas também uma oportunidade de contribuir para a descarbonização dos transportes no Brasil. Queremos ajudar a construir uma solução de mobilidade e logística de menor intensidade de carbono, usando infraestrutura, energia, tecnologia e capacidade de investimento para acelerar essa transição”, afirma João Pita.
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