A Eletra superou a marca de 1.870 ônibus elétricos vendidos no Brasil e está ampliando sua capacidade industrial para 2.800 chassis elétricos por ano. A fabricante, instalada em São Bernardo do Campo (SP), atribui o avanço produtivo à integração dos sistemas de tração diretamente no chassi, antes da instalação da carroceria.
A empresa informa ter 713 veículos comercializados com produção e entregas programadas para 2026 e 2027, destinados a seis cidades brasileiras. A carteira reúne 122 articulados, 299 básicos e 292 padron.
A Eletra também registra 743 chassis entrando em linha de produção e projeta crescimento de 87% de 2025 para 2026. Os números acompanham investimentos superiores a R$ 270 milhões em desenvolvimento de produtos, tecnologia e expansão industrial.
São José dos Campos concentra 380 veículos da programação
O maior volume de entregas está previsto para São José dos Campos, no interior paulista. O município receberá 380 ônibus, sendo 24 articulados, 144 básicos e 212 padron.
A quantidade integra o projeto de substituição da frota municipal por 400 ônibus elétricos até 2027. A aquisição dos veículos pela Green Energy conta com R$ 879,4 milhões em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para apoiar a operação, o município prepara nove estações com 156 pontos de recarga.
Encomendas atendem cidades de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco
A capital paulista terá 168 veículos na programação informada pela Eletra, distribuídos entre 98 articulados, 40 padron e 30 básicos.
Em Minas Gerais, estão previstos 100 ônibus básicos para Belo Horizonte e 18 para Montes Claros. Já Recife, em Pernambuco, receberá 40 padron, enquanto Hortolândia, no interior de São Paulo, contará com sete básicos.
A distribuição atende sistemas com diferentes demandas de capacidade e características operacionais, ampliando a presença da tecnologia da fabricante em redes municipais de transporte.
Eletrificação dos articulados cai de nove para quatro dias
A principal mudança industrial está na sequência de montagem dos veículos.
A Eletra passou a instalar os sistemas elétricos e eletrônicos diretamente nas plataformas mecânicas, antes do encarroçamento. As estruturas fornecidas por parceiros recebem propulsão, baterias e equipamentos de controle, formando um chassi elétrico capaz de se deslocar antes da instalação da carroceria.
Com o novo processo, a etapa de eletrificação de um articulado caiu de nove para quatro dias, redução de aproximadamente 56%.
Nos modelos convencionais de cerca de 12 metros, o prazo passou de sete para três dias, uma diminuição próxima de 57%. Os períodos se referem à eletrificação, dentro do processo de fabricação do veículo.
“Quando a gente eletrificava uma plataforma com a carroceria já colocada, você levava nove dias para um articulado. Nós conseguimos reduzir para quatro dias no chassi”, explica Pedro Botejara, diretor industrial da Eletra.
Tecnologia nacional tem mais de 93% de componentes brasileiros
Segundo a fabricante, mais de 93% dos componentes utilizados em seus chassis são produzidos no Brasil.
A cadeia envolve fornecedores de estruturas mecânicas, equipamentos elétricos, sistemas de controle e carrocerias. A integração realizada pela Eletra reúne esses componentes em uma plataforma desenvolvida para a aplicação no transporte de passageiros.
Para Iêda Oliveira, diretora comercial da empresa, o desenvolvimento local permite considerar as condições encontradas pelos operadores brasileiros.
“A vantagem é essa: você tem um produto nacional, produzido aqui, desenvolvido aqui e preparado para as nossas cidades”, afirma.
Investimentos incluem rodoviários e fretamento
O plano de expansão da Eletra contempla mais de R$ 270 milhões em novos produtos, desenvolvimento tecnológico e ampliação industrial.
Além dos ônibus urbanos, a empresa trabalha no desenvolvimento de modelos elétricos para aplicações rodoviárias e de fretamento e na ampliação de sua atuação internacional.
“Vamos aumentar a nossa capacidade produtiva para 2.800 ônibus ao ano e diversificar com novos produtos e novos mercados, como o ônibus rodoviário”, afirma Milena Braga Romano, diretora-presidente da Eletra.
Segundo a executiva, os investimentos também buscam fortalecer a produção brasileira e a competitividade da companhia.
“Investindo em tecnologia e produção, reafirmamos nosso compromisso com o Brasil, gerando empregos e aumentando a competitividade da indústria nacional”, acrescenta.
A expansão poderá gerar aproximadamente mil empregos, conforme a previsão da fabricante.
Desenvolvimento inclui chassis inteligentes e trólebus com baterias
A empresa também desenvolve chassis inteligentes e sistemas de gerenciamento de energia, destinados a aprimorar o uso da eletricidade na operação.
Outra frente envolve soluções para trólebus com baterias, dentro de um portfólio que reúne veículos elétricos a bateria, híbridos, trólebus e projetos de retrofit.
Com mais de duas décadas de atuação, a Eletra combina o crescimento das encomendas à atualização da linha industrial. A ampliação da capacidade e a redução dos prazos da eletrificação buscam dar suporte às entregas previstas para 2026 e 2027 e à entrada em novos segmentos do transporte.
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