Especial de domingo: A gigante do brejo

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: JC Barboza/Philippe Figueiredo
Fotos: Ruan Silva/Jackson Muniz/Matheus França Diniz/Walky Martins Nascimento

Esta foto representa a mais
pura imagem da decadência de uma empresa, o fim de uma era de ouro da
Guarabirense, o descaso de nossas autoridades contra o transporte alternativo
que apressou a falência da empresa e por fim, a falta de administração dos seus
gestores. Resume ao que sobrou da gigante do brejo. Este Diplomata está na
garagem da Aroeirense e não sei o motivo de ele está nessa situação, pois ainda estava em condições de uso. Vamos conhecer um pouco mais sobre a história da Guarabirense em mais uma matéria histórica do nosso portal!!!

O início do Expresso Guarabirense remonta aos anos 60. Fundada por
Gustavo Amorim, a empresa tem a razão social denominada de Amorim e Cia Ltda. A
Guarabirense, começa com linhas de Guarabira para João Pessoa e ao longo dos
anos 70 e 80, expande-se para várias cidades do brejo e curimataú paraibano
como: Solânea, Alagoa Grande, Araruna, Campina Grande, Cuité,  Araçagi,
Duas estradas dentre outras, totalizando 28 linhas intermunicipais. Lembro que
seus ônibus saiam e chegavam lotados na rodoviária de João Pessoa.

Os anos 90 chegam, e a
Guarabirense está no auge com força total. Possuindo 44 ônibus de variados
modelos e de chassis Scania e Mercedes-Benz. A família AMORIM proprietária da
EXPRESSO GUARABIRENSE, fica no rol das poucas famílias donas do transporte
rodoviário e passa a ter bastante influência no estado juntamente com as
famílias BRITO (REAL e TRANSPARAÍBA); AZEVEDO (BELA VISTA e RIO
TINTO);  CÂNDIDO (EXPRESSO NACIONAL DE LUXO) e CAMELO (BONFIM).
Também se tornam numa das maiores empresas do estado. Em 1992 morre Gustavo
Amorim e então a empresa começa a declinar. Costumamos falar que ao morrer o “cabeça”,
o corpo desmorona. Bom, isso foi verdade. Seus administradores não acostumados
a gerir a empresa, esqueceram de sanar e enfrentar problemas, como os
clandestinos e passaram mais a visar o lucro.

No final dos anos 90 a
qualidade do serviço da empresa cai e a frota fica ultrapassada por falta de
investimento e dívidas. Porém, ela começa a piorar a situação em 2002, com
carros quebrando, sucateados, o não cumprimento de horários aliado a praga do
transporte clandestino que infesta aquela localidade. 
Em 2003, o grupo A.
CÂNDIDO sonda os diretores da empresa Guarabirense para sua aquisição. Mas
quando viram o montante das dívidas, viram que o negócio era arriscado e
adquiriram a Roger no mesmo ano.

Em 2004 a Expresso Guarabirense
se transforma em um morto vivo. A empresa passou a reduzir o número de
ônibus para sete veículos e deixou de cumprir horários. Em setembro de 2004,
foi o limite: a Guarabirense, sem aviso à clientela, retirou todos os ônibus,
provocando o caos. As empresas TRANSNORTE, RIO TINTO e SÃO JOSÉ de Campina
Grande, assumiram algumas linhas da empresa, a BOA VIAGEM assumiu a outra parte
restante em 2006.

No ano de 2006 era difícil ver
um carro da Guarabirense. A empresa desapareceu em pouco tempo. Toda sua
estrutura foi reduzida a pó e 228 trabalhadores dos setores de manutenção,
motoristas, cobradores e da parte administrativa foram demitidos e então
chegava o fim do EXPRESSO GUARABIRENSE.

Isto é uma mostra do problema O
TRANSPORTE CLANDESTINO pode trazer ao setor de transportes públicos. Empresas e
as autoridades precisam tomar providências, urgentes e efetivas, para coibir o
transporte ilegal de passageiros para evitar um retrocesso do sistema e a
falência de empresas. Com a saída progressiva da Guarabirense, os transportes
clandestinos saíram vencedores, com seus carros velhos e sem segurança onde dia
ou outro se envolve em graves acidentes. O poder público, por nunca tomou uma
posição sequer com medidas combativas ao transporte irregular,outro ponto a
alta cobrança de impostos e algumas regalias.

 

Hoje suas linhas estão divididas entre
Rio Tinto, Transnorte, Bela Vista e São José. Inicialmente a Boa Viagem assumiu
a parte que hoje está com Rio Tinto, porém por problemas financeiros a empresa
encerrou atividades. Quando a Boa Viagem fechou, a Rio Tinto ia assumir as
linhas mas desistiu, repassando elas para a Jonas. Mas voltou atrás e assumiu
as melhores da Guarabirense e vem fazendo um bom trabalho com elas, sendo o
setor do brejo, o melhor em rentabilidade para a empresa.

4 comentários em “Especial de domingo: A gigante do brejo”

  1. Parabens pela matéria,sou de Mato Grosso e trabalho em uma empresa de onibus aqui e também sou busólogo,vejo muito esta realidade dos transportes clandestinos aqui também,acabando com empresas que operam há mais de 40 anos no estado.Rafael tga-MT.

  2. Bem lamento muito pela decadência da guarabirense,ora se a situação continuar do jeito que esta outras empresas de ônibus também poderão ter o mesmo destino da guarabirense veja:

    RODOVIÁRIA SANTA RITA – CIDADE:Santa Rita – Transp.Intermunicipal
    ALMEIDA – CIDADE:Bayeux – Transp.Intermunicipal
    WILSON – CIDADE:Bayeux – Transp.Intermunicipal
    AROERENSE – CIDADE:Aroeiras – Transp.Rodoviário
    SONHO DOURADO – CIDADE:Santa Rita – Transp.Urbano
    E OUTRAS….

  3. o culpado da Empressa expresso guarabirensse chegar ao fim foi um Sr: chamado José Eduardo de Amorim, pois, comentam que ele queria passar a mão nos seus irmãos"Familiares" depois que matriarca da família e sócia Maria De Lourdes De Souza Amorim majoritária da impressa,
    faleceu no ano de 1997, no mês 12 Dezembro
    Obs:Pois ele consegiu acabar com o patrimônio de guarabira.

  4. O transporte clandestino não é o culpado pela crise, ele é um ELEMENTO da crise. A região em torno de João Pessoa é um espelho do problema. Não foi o transporte clandestino quem faliu o sistema de transporte público, ele estava falido antes. Acontece que nenhuma empresa se movimentou para melhorar os serviços, resultando na busca por alternativas por parte dos usuários (sempre existiu) e quando houve a melhoria na renda média — pós plano real — estabilidade monetária e facilidade ao crédito, o acesso a veículos particulares trouxe este elemento para dentro de um sistema cambaleante. Ai foi como misturar gasolina, pólvora e acender o isqueiro. Acontece que quem se queimou foram as empresas de ônibus. Nenhuma delas sabe lidar com estes novos tempos.

    Acreditem: uma das medidas adotadas nesta região tem sido punir os usuários, retirando horários das linhas, aumentando o tempo de espera nos pontos e espremendo mais gente dentro de poucos ônibus. Do ponto de vista do empresário: corte de gastos com a queda no faturamento causado por transporte clandestino. Do ponto de vista do usuário: incentivo a embarcar no primeiro clandestino que tirá-lo do ponto e levá-lo pra casa. Ou seja: Se empresas falem é por exclusiva incompetência de seus gestores. Eles são os maiores incentivadores do serviço clandestino nesta região.

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