Chassi Volvo dianteiro: Bom de venda

Fonte:
Mobilidade em Foco
Matéria / Texto: Carlos Alberto Ribeiro
Fotos: OCD Holding 

Lançado
oficialmente em oito de agosto de 2011, o chassi para encarroçamento de
carrocerias de ônibus fabricado pela Volvo, modelo B270F vem mostrando ser um
produto competitivo e bom de vendas. Com ele a montadora ingressou num segmento
de mercado em que até então não participava, o de semipesados com motor
frontal. Todos os seus chassis urbanos e rodoviários, desde o ano 2000, quando
o B10M deixou de ser produzido, eram equipados com motor traseiro.

Historicamente, se olharmos na linha do tempo, é a primeira vez no Brasil que a
Volvo lançou um chassi com motor dianteiro.

Com o B270F a empresa passou a disputar um novo segmento de mercado e a
expectativa de vendas foi tão positiva que foi formalizado contratos de vendas
antes mesmo do lançamento. As vendas pré-lançamento marcaram mais uma vez a
excelência e a fama dos produtos Volvo, que é o de vender seus produtos antes
mesmo das primeiras unidades pós-fase de testes saírem da linha de montagem.
Assim foi com os primeiros caminhões FH12 380 e o chassi B12 para ônibus,
importados em 1994, apenas para citar dois exemplos. Há outros.

A Volvo, de olho no mercado, detectou que o cenário nacional de ônibus com
chassis de motor dianteiro, configuração de dois eixos, se distribuiam num mix
de 60% de veículos urbanos e 40% de rodoviários e fretamento. As viagens
recomendadas e costumeiramente usadas pelas empresas para estes ônibus são os
trajetos de curtas e médias distâncias, máximo de 200 quilômetros percorridos.
Com vendas apenas no segmento de urbanos e rodoviários, chassis pesados, com o
B270F a Volvo ingressou num segmento de mercado quatro vezes maior do que
aquele que ela sempre atuou. Com este chassi, a estimativa, com base na
prospecção de dados junto as concessionárias, foi de um incremento de vendas de
130% no departamento de chassis de ônibus.

Passados
três anos de seu lançamento, a ser completado agora no dia oito de agosto,
podemos dizer que o chassi B270F foi uma grande sacada da Volvo e sua presença
nas estradas e rodoviárias não é uma miragem no deserto. Pelo contrário, é uma
realidade e entrou firme para competir com as líderes Mercedes-Benz e MAN
(fabricante dos Volksbus), tanto aqui no Brasil quanto no mercado sulamericano.
E isso acrescenta valores interessantes ao faturamento, ao balanço financeiro
da divisão “ônibus” da Volvo do Brasil, pois é um segmento com vendas de 12 a
15 mil unidades por ano.

E, apesar do sucesso de mercado, a montadora não precisou investir muito não
neste novo chassi. Foram apenas R$ 10 milhões. Dinheiro cujo custo será
rapidamente amortizado na rubrica específica contingenciada a este fim, bem
como a remuneração do capital recuperado de forma satisfatória e contabilmente
aceitável. Os bons números de vendas colaboram para este fim. A Volvo valeu-se
da sinergia do seu mix de produtos e da intercambialidade de componentes de
seus produtos. Por isso o baixo investimento, bem menor do que se fosse
desenvolver um chassi totalmente novo para o B270F.

A agilidade entre a decisão de entrar neste segmento de mercado, testes e o
lançamento do produto final se deu graças a utilização do chassi e do
“powertrain (trem de força)” do caminhão Volvo VM, semipesado que cada vez mais
tem se destacado em vendas e goza de excelente conceito junto a motoristas e
frotistas. Neste contexto decidiu-se utilizar a mesma linha de montagem dos VM
para fabricar os B270F. Tal feito diminui o índice de ociosidade da planta
industrial em épocas de vendas magras de caminhões, como a vivida neste ano de
2014 por conta da inflação alta e da total incapacidade do atual governo no
gerenciamento da política econômica.

O Volvo B270F atende aos requisitos do Proconve P7 Euro 5 e faz parte do
catálogo de produtos destinados ao encarroçamento de ônibus. São 12 modelos com
diferentes versões de configuração. O B270F passou a ser o modelo de entrada da
marca para os segmentos urbano, fretamento e rodoviário de curtas distâncias. É
equipado com motor MWM 7B270 EUV SCR de 7,2 litros, dianteiro, eletrônico
quanto a arquitetura de alimentação e gerenciamento de funções diversas, seis
cilindros em linha, com turbocooler (turbo mais intercooler) e com tecnologia
common rail.

A tecnologia empregada no controle e diminuição dos gases oriundos da câmara de
combustão, SCR, exige o uso do Arla 32, enquanto os MAN, modelos 17.230 OD e
17.280 OT, vale lembrar, utilizam tecnologia EGR, que dispensa o uso do Arla
32. Isso faz com que eles tenham menor custo operacional. Outro ponto a se
considerar é que estes chassis contam com freio motor EVB, de maior poder de
frenagem que o do concorrente sueco. E, enquanto o B270F utiliza suspensão
metálica nas suspensões dianteira e traseira, o VW 17.280 OT conta com
suspensão pneumática nos eixos dianteiro e traseiro. E isso faz uma diferença e
tanto no requisito conforto em viagens de curta e média distância em pisos
rodantes desgastados.

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