Tarifa de ônibus de Teresina é a segunda menor do país, mas usuários reclamam do serviço

Fonte:
Capital Teresina
 
Foto: Clemilton Rodrigues

A tarifa de ônibus de Teresina é a segunda mais
barata dentre todos os Estados brasileiros. Antes dela, só a do Distrito
Federal, a menor, que custa apenas R$ 1,50 – valor mais baixo de uma tabela que
vai até R$ 3,00, dependendo da distância percorrida. O levantamento sobre os
atuais valores é do Terra.com, divulgado no dia 1º de junho de 2014, que mostra
o ranking de todas as tarifas básicas praticadas nas capitais brasileiras, com
base nos valores informados por todas as Prefeituras Municipais das cidades.

Apesar de se a segunda menor, há que se considerar
aspectos importantes que podem mensurar quantitativa e qualitativamente o valor
pago pela passagem em Teresina, baseando-se em aspectos tais quais a renda per
capta, economia do local e custo de vida da população.
 
O valor em Teresina é igual ao custo da tarifa
praticada em São Luís (MA). Para o Sindicato das Empresas de Transportes
Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), o sistema de transporte público de
São Luís é reconhecidamente de qualidade inferior, se comparado ao de Teresina.
O presidente do Sindidcato, Herbert Miura, diz que na capital maranhense a
idade média da frota é bem maior do que a de Teresina e as empresas locais,
além de serem contempladas com isenções fiscais, recebem subsídios diretos do
poder público.
 
Herbert Miura acrescescenta: “As 13 empresas
atualmente operando no sistema de transporte público de Teresina estão há mais
30 de meses sem qualquer reajuste e sem o benefício tão reivindicado pelo Setut
no sentido da isenção parcial ou total do pagamento de impostos. É o caso do
Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), em relação ao
preço do óleo diesel usado pelos ônibus coletivos”. Para o SETUT, isso eleva o
custo de manutenção da frota para as empresas concessionárias e gera prejuízos para
os empresários.
 
Para o presidente, não adianta apenas
reivindicar congelamento de tarifas ou reduções sem apontar formas de custeio.
“Salários, combustível, lubrificantes, veículos novos têm preços que são
reajustados, em boa parte das vezes, com índices superiores aos da inflação
oficial. O sistema tem ser custeado, em grande parte, pelo poder público, já
que a população não tem condições financeiras de fazê-lo”, afirmou.
Definitivamente, o transporte público não deve ser custeado apenas pelas tarifas,
e esta é a nossa luta, a nossa bandeira, por mais qualidade, sem comprometer a
viabilidade econômica das empresas operadoras”, declara.
 
Outras capitais
 
Já em Fortaleza, o preço da passagem de ônibus
subiu para R$ 2,20 (inteira) e R$ 1,10 (meia entrada) no dia 22 de fevereiro de
2013, por meio de uma decisão judicial. O reajuste foi de 10% do valor cobrado
anteriormente, que era de R$ 2 e R$ 1. A Prefeitura de Fortaleza, através da da
assessoria da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza, Etufor, informou
que o transporte realizado por ônibus em Fortaleza entrou em operação há 12
anos, em 1992, através da integração física e tarifária de Terminais de
Integração que possibilita a acessibilidade a vários pontos da cidade com o
pagamento de uma tarifa única. “A rede de linhas do SIT-FOR baseia-se no
sistema tronco-alimentado, com dois tipos de linhas: as que fazem a integração
bairro-terminal e linhas que integram o terminal ao Centro da cidade ou ainda a
outro terminal”.
 
De acordo com a ETUFOR, atualmente Fortaleza possui
7 terminais fechados integrados e 2 terminais abertos não integrados. Ao todo,
o sistema trabalha com 276 linhas de ônibus regulares, incluindo 22 linhas
“corujões”, que operam a partir das 00h. A frota operante é de 1.923
veículos, variando de mês para mês, em função da flutuação esperada do número
de passageiros. Já a idade média é de 4,3 anos, sofrendo alteração conforme a
entrada e saída de veículos do sistema.
 
A Etufor diz ainda que, mesmo com o aumento, a
tarifa de Fortaleza continua sendo uma mais barata do Brasil dentre as capitais
de mesmo porte e com sistema integrado de transportes, conforme dados da
Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).
 
Notadamente, o Sistema de Transporte de Fortaleza é
bem mais desenvolvido e contemplativo para a sociedade do que o de Teresina,
que por enquanto só possui um sistema de integração restrito, por permitir ao
usuário pegar dois ônibus utilizando apenas uma passagem durante o período de
duas horas, válido apenas para algumas linhas.
 
Comparando o preço das passagens, a diferença é de
apenas R$ 0,10 da capital cearense para a piauiense. Os fortalezenses se
utilizam de um serviço bem mais proveitoso para eles do que o de Teresina é
para o usuário, que cada vez mais reclama da qualidade do serviço prestado e
dos ônibus, do tempo de espera nas paradas, dentre outras observações.
 
José Orlando, jornalista, diz que os ônibus de um
modo geral, estão sucateados, cheios de problemas estruturais e de segurança, o
sistema ainda é muito deficitário principalmente no que diz respeito à frota e
à quantidade de linhas, a pessoa espera em média 20 minutos a meia
hora. mas em algumas linhas chega a esperar por horas, isso é desrespeito
com a população.
 
“O valor da passagem que já era alta a 1,90,
foi aumentado para 2,10 com a desculpa de que seria aumentada a frota, o número
de linhas e que os ônibus seriam climátizadosmas. Nada disso aconteceu, e
além de tudo, ainda tem o acúmulo de trabaho dos motoristas, que muitas vezes
tem de agir como cobradores enquanto dirigem”, reclama José Orlando, que
faz uso de ônibus frequentemente.
Já no Rio de Janeiro, capital, a tarifa sofreu um
aumento em 8 de fevereiro, de R$ 2,75 para R$ 3. O rejuste de 9,09% foi
divulgado no Diário Oficial. No ranking do Terra.com, o preço aparece como o
mais caro do Brasil, o mesmo também da cidade de São Paulo.

1 comentário em “Tarifa de ônibus de Teresina é a segunda menor do país, mas usuários reclamam do serviço”

  1. O que será que ha com este país? Um país que tem uma das maiores economias do mundo e ainda é deficiente na saúde, segurança, educação e mobilidade urbana.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.