Compra de ônibus urbano será menor no ano, estima Mercedes-Benz

Fonte:
DCI
Fotos: Rodrigo Gomes / Jovani Cecchin



Em ano de eleições municipais e diante da falta de estímulos para a renovação da
frota de ônibus, a Mercedes-Benz acredita que o mercado terá mais um
período difícil pela frente, especialmente no segmento urbano.


Em
entrevista ao DCI,
o diretor de vendas e marketing ônibus da montadora, Walter Barbosa, afirmou
que as empresas concessionárias devem comprar somente o necessário em 2016.
“A
taxa de juros e a escassez de crédito não estimulam a renovação da frota”.
Segundo ele, em 2015 osemplacamentos de ônibus atingiram 15,7 mil unidades, queda de
40% em relação ao ano anterior. O segmento de urbanos respondeu por uma fatia
de 7,7 mil unidades.
Apesar
do cenário, o diretor da Mercedes-Benz conta que a montadora elevou sua
participação no mercado total de 49% para 52,5% e, só no segmento de urbanos,
atingiu marketshare de 68%.
“Não
podemos reclamar do nosso desempenho em um mercado tão retraído”, observa
Barbosa. Ele explica que, em ano eleitoral, o mercado de ônibus urbanos funciona, efetivamente, até meados de
julho, porque as prefeituras costumam represar as compras. “Os
emplacamentos diminuem muito após esse período”, revela o executivo.

Com
o aumento dos juros do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) para bens
de capital (Finame), a expectativa é que as compras dos
concessionários fiquem ainda mais restritas.
“O
empresário irá investir só o que a legislação exige.” No mês passado, a Mercedes-Benz efetuou uma venda grande para a
prefeitura de São Paulo, de 200 ônibus superarticulados, além de outros
contratos na região Nordeste do País.
Projeções
mercado de ônibus não começou bem o ano. Após registrar
a segunda queda consecutiva das vendas em 2015, as montadoras reportaram, em
janeiro, recuo de 43,7% dos emplacamentos na comparação anual, para 1,25 mil
unidades, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 1º, pela Fenabrave.
Para
2016, Barbosa pondera que ainda é cedo para fazer projeções. O diretor da
Mercedes se refere ao pacote de estímulos de R$ 83 bilhões de bancos públicos
(incluindo o BNDES)
para diversos setores. “A projeção inicial de queda pode mudar caso as
medidas do governo surtam efeito”, relata.
Ele
salienta, contudo, que o mercado vive a expectativa da definição dos juros do Finame, que serão
calculados pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP),
atrelada à Selic. Por mais de cinco anos, o Finame teve taxas fixas e chegou a
oferecer “juros negativos” de 2,5% ao ano.
“Com
taxas tão atrativas, os empresários acabavam renovando a frota mais
frequentemente”, declara Barbosa. No entanto, atualmente executivos do
setor calculam que as alíquotas do Finame devam girar em torno de 14% a 16% ao
ano, dependendo do porte da empresa.

Barbosa
prefere não cravar uma projeção para o segmento
de ônibus
 em
2016. “Fica difícil fazer previsões diante das oscilações do
mercado”, pontua. Mas ele destaca que a montadora tem investido na rede de
concessionárias e na renovação do portfólio para enfrentar a concorrência.

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