Caminhões e ônibus Euro 6 no Brasil só em 2022

De Automotive Business
Imagem Divulgação

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Enfim começa a ganhar alguma definição o horizonte das regras de emissões de poluentes para caminhões e ônibus no Brasil, estacionadas no Proconve P7 (Euro 5) desde 2012 sem perspectiva de evolução futura. Aparentemente, só a partir de 2022 os fabricantes instalados no País terão de atender o próximo passo da legislação, com o início das vendas de veículos pesados equipados com tecnologia de controle de emissões Euro 6, que virá a ser o Proconve P8. A informação é de Francisco Nigro, da secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo. “As montadoras e o governo estão chegando a este consenso, mas nada foi publicado”, disse na quarta-feira, 28, durante o Automotive Techday promovido pelo IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

Nigro integra um dos times de trabalho formados para desenhar a Rota 2030, como vem sendo chamada a nova política industrial para o setor automotivo, que deve ser anunciada ainda neste ano. “Estou no grupo voltado para a eficiência energética e as novas tecnologias de motorização”, conta, admitindo que o desafio do setor nessa área é grande. “Pelo governo, entraríamos na nova etapa do Proconve antes, mas as montadoras precisam de mais prazo para se adaptar.”

Apesar de a tecnologia já estar desenvolvida, já que as marcas cumprem a legislação Euro 6 na Europa, Nigro avalia que a nacionalização demandará esforços. O primeiro deles é a adaptação da tecnologia às necessidades locais, que são bem diferentes. “Temos caminhões muito maiores, que rodam com mais carga e enfrentam terrenos acidentados. Também temos a ineficiência de ter 45% dos veículos circulando sem carga porque o transporte é feito para lugares muito distantes”, exemplifica.

Além disso, diz, há um desafio importante de custo, já que as vendas de veículos comerciais despencaram nos últimos anos, justamente após o setor ter adotado a tecnologia Euro 5 para atender o Proconve P7 em 2012, sem que até agora o aumento de custos tenha sido repassado integralmente aos preços de caminhões e ônibus – algo que atrapalha novos investimentos. A tecnologia que precisa ser implementada nos caminhões para que o nível de emissões cumpra a norma Euro 6 é complexa por si só, uma combinação dos sistemas EGR e SCR, que encarece a produção.

METAS DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA PARA PESADOS

Nigro conta que também está em cima da mesa dos debates relacionados à Rota 2030 a necessidade de impor metas de eficiência energética para veículos pesados, assim como já acontece com os modelos leves pelo Inovar-Auto, iniciativa que terá continuidade na próxima legislação. “Isso está em discussão, mas deve ficar para o futuro porque é algo muito complicado de desenhar”, diz, citando que a diversidade de motores, câmbio, calibrações e outros aspectos dos caminhões e ônibus exigem um desenho cuidadoso dessa legislação – e do ciclo de testes para esses veículos.

Em abril último, Roberto Cortes, CEO da MAN Latin America, também comentou que os pesados devem receber metas de eficiência energética (leia aqui). Pessoalmente, Nigro defende que os objetivos para o segmento só devem sair em 2027, quando começa o terceiro ciclo da Rota 2030. “Esta é a minha opinião. Sinto que não seria possível fazer antes disso.” O programa terá 15 anos de duração, mas com atualizações e adaptações a cada cinco anos.

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