Com uma trajetória marcada por visão estratégica e capacidade de transformar desafios em resultados, Rodrigo Sathler é hoje uma referência em gestão empresarial no setor de transporte rodoviário. À frente da Viação Raíssa, ele uniu experiência prática e conhecimento em liderança para criar um modelo de gestão voltado à eficiência, ao lucro e à estruturação de empresas familiares.
De empresário sobrecarregado a mentor de líderes, Sathler desenvolveu um método que vem ajudando gestores de todo o país a repensar suas operações, construir processos sólidos e crescer com previsibilidade. Seu trabalho inspira empresários que desejam deixar de ser “operacionais” e se tornarem verdadeiros estrategistas do próprio negócio.

Nesta entrevista exclusiva ao Ônibus & Transporte, Rodrigo compartilha sua visão sobre os caminhos da gestão moderna, os erros mais comuns nas empresas de ônibus e como construir uma liderança capaz de gerar resultados consistentes em um mercado cada vez mais competitivo.
Entrevista
Ônibus & Transporte: Rodrigo, você começou como empresário do setor de transporte e hoje atua como mentor. Como essa transformação aconteceu?
Rodrigo Sathler: Essa mudança foi natural. Eu nasci dentro do transporte. A Viação Raissa foi fundada pelo meu pai há quase 30 anos, e cresci vendo os desafios do setor de perto — do posto de lavagem à negociação de contratos. Quando assumi a gestão, percebi que crescer era possível, mas crescer com resultado e previsibilidade era o verdadeiro desafio.
Com o tempo, comecei a estruturar tudo: gestão financeira, manutenção, pessoas, indicadores, governança. Os resultados começaram a aparecer, e outras empresas começaram a me procurar para entender o que a gente estava fazendo diferente. Foi aí que nasceu a mentoria. Hoje, o que ensino é exatamente o que aplico todos os dias dentro da Raissa.
O&T: Qual foi o primeiro passo dessa virada?
Rodrigo Sathler: O primeiro passo foi parar de olhar só para o faturamento e começar a olhar para os números de verdade. Quando entendi que lucro não é o que sobra — é o que se constrói —, mudei a forma de gerir.
Criei indicadores por área, defini metas mensais e passei a tratar a empresa como uma operação de alta performance. E mais importante: profissionalizei o time. A Raissa hoje tem gerentes de cada área, metas claras e um modelo de gestão que dá autonomia com responsabilidade. Esse foi o divisor de águas.
O&T: Quais são os erros mais comuns que você vê em empresas de ônibus e fretamento?
Rodrigo Sathler: O principal erro é operar sem método. A maioria das empresas cresce com base em oportunidade — um contrato novo aqui, outro ali —, mas sem saber se está ganhando dinheiro de verdade.
Outro erro é o dono centralizar tudo. O empresário passa o dia resolvendo problema de pneu, de motorista, de cliente, e acaba sem tempo para pensar o negócio.

E o terceiro é não saber precificar. Muita gente entra em contratos ruins achando que está faturando mais, mas está é cavando o próprio prejuízo. É por isso que eu sempre repito: crescer é fácil, manter o lucro é o desafio.
O&T: A Viação Raíssa é uma empresa familiar. Como foi profissionalizar essa estrutura?
Rodrigo Sathler:
Profissionalizar uma empresa familiar é um dos maiores desafios. Existe amor, história, mas também emoção — e empresa precisa de razão.
Comecei trazendo clareza de papéis. Criamos um organograma real, com funções e metas, não cargos “de família”. Depois, implantamos governança: reuniões de conselho, indicadores, orçamento, prestação de contas.
Hoje, a Raissa é uma empresa familiar profissionalizada. A família continua no comando, mas com gestão técnica. Esse equilíbrio é o que garante perenidade.
O&T: Como seu método se aplica a outras empresas do transporte rodoviário?
Rodrigo Sathler: Tudo o que eu ensino foi validado na prática. O método que uso na Raissa pode ser aplicado em qualquer empresa do setor, porque parte dos mesmos pilares: gestão de indicadores, cultura de resultados e previsibilidade financeira.
É um modelo que permite o empresário enxergar onde o dinheiro entra e onde sai, identificar desperdícios e tomar decisão com base em dados, não em feeling.
A diferença é que a minha linguagem é do setor — falo de custo por km, consumo de diesel, pneus, frota reserva — tudo o que um empresário de ônibus vive no dia a dia.
O&T: E para quem quer começar a mudar agora?
Rodrigo Sathler: O primeiro passo é parar de buscar fórmulas prontas e olhar para dentro da operação.
Comece organizando seus números: quanto custa seu km rodado, qual o consumo médio da frota, qual o percentual de preventivas versus corretivas. Esses dados mostram onde o lucro está sendo drenado.
Depois, monte um time de confiança e estabeleça metas simples. O segredo não está em fazer tudo ao mesmo tempo, mas em começar do jeito certo — com método.
O&T: Que conselho você deixaria para os empresários do setor?
Rodrigo Sathler: Que nunca esqueçam que transporte é mais do que mover pessoas — é mover histórias.
Mas, para continuar crescendo, é preciso fazer gestão.
A paixão pelo volante e pela operação precisa andar junto com a visão estratégica.
O empresário que aprender a gerir seus números com o mesmo zelo que cuida dos seus veículos vai descobrir que o lucro é consequência de uma empresa bem conduzida.
E é isso que eu venho mostrando todos os dias — dentro da Raissa e fora dela.

Imagem: Divulgação Rodrigo Sathler
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