O transporte público por ônibus da cidade do Rio de Janeiro inicia 2026 vivendo uma das mudanças mais profundas de sua história recente. A nova padronização visual da frota, oficializada pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), não apenas redefine a identidade estética do sistema como marca uma virada estrutural na organização do Serviço Público de Transporte de Passageiros por Ônibus (SPPO).

Para marcar esse novo momento, esta matéria especial apresenta montagens ilustrativas inéditas, desenvolvidas com base no primeiro ônibus já entregue com a nova pintura oficial, mostrando como ficará a frota de cada região da cidade com suas respectivas cores padronizadas. Trata-se da primeira grande reportagem de 2026 dedicada a detalhar, interpretar e projetar o futuro visual dos ônibus cariocas.
Do colorido dos consórcios ao amarelo unificado
Em 2010, o Rio adotou um modelo em que cada consórcio possuía uma cor própria: Intersul (amarelo), Internorte (verde), Transcarioca (azul) e Santa Cruz (vermelho). O padrão, no entanto, foi abandonado oito anos depois, quando as empresas passaram a ter liberdade para adotar identidades visuais próprias, resultando em uma frota visualmente fragmentada.

Esse cenário está com os dias contados. A partir da nova licitação do sistema, todos os ônibus zero quilômetro deverão adotar o amarelo como cor predominante, conforme definido pela SMTR. A mudança foi consolidada pela Resolução SMTR nº 3870, de 21 de agosto de 2025, que estabelece um modelo unificado de pintura externa para toda a frota do SPPO.
Como será a nova identidade visual do Rio de Janeiro
A nova padronização deverá ser aplicada integralmente na carroceria — dianteira, laterais, traseira e teto — podendo ser executada por pintura ou envelopamento adesivo. O projeto contempla quatro tipologias de veículos:
- Ônibus Básico (Piso Baixo)
- Ônibus Básico (Piso Alto)
- Midiônibus (Piso Alto)
- Miniônibus (Piso Alto)
O visual combina amarelo predominante (New Holland 5846 Tratores) com detalhes em preto Black Piano, além de faixas coloridas que identificam a área operacional da linha. Essa solução permite que o passageiro reconheça rapidamente a região atendida pelo ônibus apenas observando sua pintura.

Cores por área operacional e leitura urbana
A cidade foi dividida em nove áreas operacionais, cada uma representada por uma cor específica:
- Área A – Roxo (Pantone 527 C)
- Área B – Laranja (Pantone 2018 C)
- Área C – Marrom (Pantone 730 C)
- Área D – Azul claro (Pantone 297 C)
- Área E – Vermelho (Pantone 212 C)
- Área F – Verde (Pantone 3529 C)
- Área G – Azul escuro (Pantone 2728 C)
- Área H – Vermelho intenso (Pantone 185 C)
- Área I – Cinza (Pantone Cool Gray 5)
Na prática, os coletivos que circulam pela Grande Tijuca, Centro e Zona Sul utilizarão o cinza; Ilha do Governador, vermelho; Bangu e Realengo, marrom; Barra da Tijuca, azul claro; Jacarepaguá, rosa; Anchieta, Grande Madureira e Grande Méier, verde; e Pavuna e Leopoldina, azul escuro. As faixas trazem ainda ilustrações de 12 pontos turísticos icônicos, como Pão de Açúcar, Arcos da Lapa, Igreja da Penha, Praça da Apoteose e Shopping Bangu, reforçando o vínculo urbano e cultural do sistema.

Regras rígidas e nova lógica de identificação
A nova identidade só poderá ser aplicada em linhas cuja frota seja 100% composta por veículos novos e padronizados. Cada ônibus receberá ainda um código alfanumérico, cujo primeiro dígito identifica o consórcio:
- A – Intersul
- B – Internorte
- C – Transcarioca
- D – Santa Cruz
A Resolução proíbe a inclusão de logotipos, símbolos ou imagens externas não previstas no projeto, salvo autorização expressa da SMTR. Pictogramas de conforto, como ar-condicionado e acessibilidade, são opcionais, mas só podem ser usados se o veículo realmente contar com os equipamentos indicados.

Impacto direto para usuários e fiscalização
Segundo a SMTR, a nova padronização facilita a identificação das linhas, melhora a orientação do passageiro, transmite maior sensação de organização e reforça a confiabilidade do sistema. Para o poder público, o modelo também amplia a capacidade de fiscalização e monitoramento da frota, permitindo identificar rapidamente veículos, áreas de atuação e eventuais irregularidades.

A proposta dialoga diretamente com o conceito do futuro Sistema RIO, que busca integração visual, operacional e tecnológica entre os diferentes modais da cidade.
Primeiros ônibus já circulam com o novo padrão
A primeira empresa a operar com frota integralmente padronizada foi a Sancetur – Sou Rio de Janeiro, que incorporou 100 novos ônibus já com a nova identidade visual. Os veículos começaram a chegar em novembro e foram apresentados oficialmente na última quinzena do mês passado, tornando-se a base real para as montagens ilustrativas apresentadas nesta matéria.

Próximos passos da licitação
As regiões de Santa Cruz e Campo Grande serão as primeiras contempladas na nova licitação do sistema, com concorrência prevista para fevereiro. A implantação da nova pintura marca não apenas uma mudança estética, mas uma virada simbólica e operacional no sistema de ônibus do Rio de Janeiro, que inicia 2026 com um visual mais moderno, legível e alinhado às grandes cidades do mundo.
Imagens / montagens: Rodrigo Gomes
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