A operação de ônibus municipais na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi impactada na manhã desta quinta-feira após cerca de 350 motoristas da Transportes Paranapuan suspenderem as atividades. A paralisação afetou pelo menos dez linhas de ônibus que atendem a região, deixando diversos veículos parados na garagem da empresa e gerando dificuldades para passageiros que dependem do transporte coletivo.
A mobilização foi motivada por uma série de reivindicações trabalhistas. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, os rodoviários protestam contra atrasos no pagamento de salários e do vale-refeição, além de outras pendências trabalhistas apontadas pelos funcionários.
Rodoviários denunciam atrasos e irregularidades trabalhistas
Entre as reclamações apresentadas pelos trabalhadores estão débitos relacionados ao FGTS, ao pagamento do décimo terceiro salário e às férias. Motoristas também relataram que alguns funcionários estariam sendo orientados a assinar períodos de férias sem o recebimento dos valores correspondentes.
Outro ponto que gerou insatisfação foi a proposta apresentada pela empresa de parcelamento dos salários, com divisão do pagamento em três parcelas: duas de 30% e uma de 40%. A proposta teria sido comunicada internamente na quarta-feira, aumentando a tensão entre os funcionários.
Além das questões salariais, os rodoviários também relatam problemas nas condições operacionais dos veículos, bem como possíveis irregularidades no repasse de descontos consignados, que estariam sendo descontados dos trabalhadores, mas não repassados às instituições financeiras.
Sindicato acompanha negociações para retomada da operação
Diante da paralisação, representantes do Sindicato dos Rodoviários foram acionados e se deslocaram até a garagem da empresa para dialogar com os trabalhadores e buscar uma solução que permita a retomada da circulação dos ônibus.
Alguns motoristas também afirmaram que a empresa teria atribuído os atrasos a supostos problemas no repasse de subsídios da Prefeitura do Rio, informação que gerou questionamentos entre os funcionários.
Em nota, o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de transporte da cidade, confirmou a paralisação e informou que a empresa está em negociação com os trabalhadores.

Segundo a entidade, a situação estaria relacionada ao cenário de dificuldades financeiras enfrentado pelo sistema de transporte por ônibus no Rio de Janeiro, que há anos enfrenta desafios operacionais e econômicos.
Prefeitura afirma que subsídios estão sendo pagos
A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Transportes, informou que os repasses de subsídios ao sistema de ônibus estão sendo realizados regularmente e que a paralisação envolve uma questão trabalhista entre a empresa e seus funcionários.
Para minimizar os impactos aos passageiros, a secretaria orientou que os usuários utilizem linhas alternativas que atendem a região, como as linhas 321 (Bancários x Castelo), 324 (Ribeira x Candelária), 325 (Ribeira x Castelo), 326 (Bancários x Castelo), 329 (Bancários x Castelo) e 616 (Del Castilho x Fundão), cuja operação foi reforçada.
Outra opção indicada é a linha 90 do BRT (Terminal Gentileza x Fundão). Para deslocamentos internos dentro da Ilha do Governador, a recomendação é utilizar o transporte complementar por vans regulamentadas.
Paralisação semelhante ocorreu no ano passado
Essa não é a primeira vez que trabalhadores da empresa interrompem as atividades. Em setembro de 2025, cerca de 400 rodoviários da Paranapuan também realizaram uma paralisação nas primeiras horas da manhã, interrompendo a circulação de aproximadamente 30 linhas de ônibus que atendem a Ilha do Governador.
Na ocasião, as reivindicações também estavam relacionadas a atrasos salariais, falta de pagamento do vale-alimentação e condições de trabalho. O movimento foi encerrado no mesmo dia após o pagamento dos salários e a regularização do benefício alimentar.
A nova paralisação reacende o debate sobre a crise estrutural do transporte por ônibus no Rio de Janeiro, que envolve questões financeiras, operacionais e trabalhistas enfrentadas pelas empresas do setor.
Imagens: TV Globo/Reprodução
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