A Semove voltou a manifestar preocupação com o crescimento do uso de motos por aplicativo no transporte de passageiros na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Para a entidade, a expansão desse modelo amplia desafios da mobilidade urbana, pressiona o sistema viário e contribui para a perda de usuários do transporte público coletivo.
O posicionamento foi apresentado durante o seminário “Motocicletas e Mobilidade Urbana: Impactos e Desafios”, realizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, reunindo especialistas, representantes do poder público e operadores do setor.
Crescimento das motos preocupa especialistas
Segundo os debates apresentados no evento, o aumento da circulação de motocicletas voltadas ao transporte individual tem reflexos diretos no cotidiano urbano. Entre os principais pontos citados estão a elevação de acidentes de trânsito, maior demanda sobre unidades públicas de saúde e impactos relacionados à segurança pública.
O avanço do serviço por aplicativo também é apontado como sintoma de insatisfação de parte da população com alternativas tradicionais de deslocamento.
Pesquisa aponta por que passageiros migram para motos
Durante o seminário, a professora Marina Baltar, da COPPE/UFRJ, apresentou resultados de estudo sobre as motivações para escolha da motocicleta como meio de transporte individual na Região Metropolitana do Rio.
Com base em 2,6 mil entrevistas, a pesquisa identificou que muitos usuários optam pelas motos por considerarem esse modal mais ágil, previsível e autônomo para deslocamentos diários.
Mesmo diante dos riscos, a rapidez da viagem aparece como fator decisivo para a mudança de comportamento dos passageiros.
Segurança viária entra no debate
O levantamento também revelou preocupação relevante entre usuários desse tipo de serviço. Quase metade dos entrevistados relatou já ter sofrido quedas ou sinistros viários, enquanto a ampla maioria afirmou manter algum grau de receio em relação ao uso da motocicleta.
Os dados reforçam o debate sobre segurança no trânsito e necessidade de políticas públicas voltadas à redução de acidentes nas grandes cidades.
Ônibus mais rápidos podem reconquistar usuários
Um dos principais pontos destacados no estudo indica que parte expressiva dos passageiros retornaria ao ônibus urbano caso houvesse redução no tempo de viagem. O resultado fortalece a tese de que velocidade operacional e previsibilidade são essenciais para tornar o sistema coletivo mais competitivo.
Para a Semove, isso passa pela ampliação de faixas exclusivas, corredores estruturados e prioridade viária ao transporte de massa.
Requalificação do transporte público
A federação defende um pacote de medidas para tornar o sistema mais atrativo à população, incluindo melhoria na frequência das viagens, comunicação em tempo real com passageiros, mais conforto e segurança nos pontos de embarque, além de tarifas socialmente acessíveis.
Na avaliação da entidade, recuperar a atratividade do transporte coletivo é fundamental para cidades mais organizadas, sustentáveis e eficientes.
Mobilidade urbana no centro das discussões
O avanço das motos por aplicativo reacende o debate sobre o futuro da mobilidade urbana no Rio de Janeiro. Especialistas apontam que, sem investimentos consistentes em ônibus, trens, metrô e integração modal, o crescimento de soluções individuais tende a intensificar congestionamentos e desafios urbanos.
A discussão reforça a necessidade de planejamento metropolitano capaz de equilibrar rapidez, segurança, acessibilidade e eficiência no deslocamento diário da população.
Imagem: Divulgação
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