Prefeitura do Rio e Governo do Estado negociam integração entre ônibus da Baixada Fluminense e BRT no Terminal de Irajá

Acordo em discussão prevê tarifa única, conexão com BRT, VLT e ônibus municipais e pode retirar cerca de 50 linhas intermunicipais da capital
Prefeitura do Rio

A integração entre os ônibus intermunicipais da Baixada Fluminense e o sistema BRT Rio voltou ao centro das discussões entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Governo do Estado do Rio de Janeiro. As duas esferas negociam um acordo para conectar os serviços por meio do Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, em Irajá, criando um novo modelo de mobilidade para passageiros que se deslocam diariamente entre a Baixada e a capital.

A proposta, que pode ser formalizada ainda nesta semana, tem potencial para transformar a dinâmica do transporte metropolitano, com adoção de tarifa integrada, redução de sobreposição de linhas e ampliação do uso dos corredores de alta capacidade.

Integração deve atender linhas que circulam pela Via Dutra

O projeto contempla linhas intermunicipais que utilizam a Rodovia Presidente Dutra e atendem municípios estratégicos da Região Metropolitana, como Nova Iguaçu, Mesquita, São João de Meriti e Belford Roxo.

Com o novo arranjo operacional, parte dessas linhas passaria a encerrar ou realizar parada estratégica no terminal de Irajá, permitindo ao passageiro seguir viagem utilizando o BRT, além de conexões com ônibus municipais e VLT Carioca, dentro de um mesmo sistema integrado.

Na prática, o modelo tende a reduzir o número de ônibus entrando na capital e ampliar a eficiência do deslocamento diário.

Tarifa única pode beneficiar milhares de passageiros

Um dos principais pontos em negociação é a implantação de tarifa única. Caso confirmada, a medida permitiria ao usuário pagar uma única passagem para utilizar o ônibus intermunicipal e, em seguida, seguir viagem nos modais urbanos do Rio.

Especialistas em mobilidade consideram que a integração tarifária é uma das ferramentas mais eficazes para incentivar o uso do transporte público, reduzir custos ao trabalhador e racionalizar a operação entre sistemas hoje fragmentados.

Para moradores da Baixada Fluminense, isso pode significar economia financeira, menor tempo de viagem e mais previsibilidade no deslocamento.

Cerca de 50 linhas poderiam deixar de circular no Rio

Outro efeito esperado do acordo é a reorganização da malha operacional. A estimativa é que aproximadamente 50 linhas intermunicipais deixem de circular em trechos internos da cidade do Rio, concentrando desembarque e redistribuição no terminal metropolitano.

Essa mudança pode aliviar corredores viários congestionados, reduzir a quantidade de veículos pesados em áreas centrais e fortalecer o papel do BRT Transbrasil e demais corredores estruturais.

Terminal de Irajá foi criado para integração metropolitana

O Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, inaugurado em março, nasceu justamente com o objetivo de funcionar como porta de entrada entre a Baixada e o sistema de alta capacidade do Rio.

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No entanto, desde a inauguração, o terminal virou palco de impasse institucional entre município e estado sobre competência regulatória das linhas intermunicipais.

Histórico recente de conflito entre Prefeitura e Detro-RJ

Quando a prefeitura tentou iniciar a operação de linhas experimentais ligando Mesquita ao terminal, o Detro-RJ realizou fiscalização no local, autuou veículos e rebocou ônibus no primeiro dia de funcionamento.

Na ocasião, o órgão estadual argumentou que a gestão e autorização de linhas intermunicipais são de competência exclusiva do estado. O episódio gerou forte reação política e ampliou o debate sobre integração metropolitana no transporte público.

Posteriormente, houve entendimento provisório para permitir testes operacionais, mas a integração tarifária permaneceu suspensa.

Novo acordo pode encerrar impasse institucional

Caso seja assinado, o novo termo entre Prefeitura do Rio e Governo do Estado tende a encerrar o conflito administrativo e estabelecer regras claras para operação conjunta entre sistemas municipal e intermunicipal.

O avanço é visto como passo importante para a modernização da mobilidade urbana no Grande Rio, onde milhões de passageiros dependem diariamente da conexão entre diferentes modais.

Mobilidade metropolitana exige coordenação entre governos

O caso evidencia um desafio histórico da Região Metropolitana: sistemas de transporte operados por diferentes entes públicos, sem integração plena de rede, tarifa e planejamento.

A convergência entre estado e município pode abrir caminho para novos projetos semelhantes envolvendo metrô, trens, BRT e ônibus intermunicipais, beneficiando usuários em toda a região.

Imagens: Rodrigo Gomes

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