Estudo aponta que tarifa zero no transporte coletivo pode movimentar mais de R$ 206 milhões na economia de Maceió

Pesquisa realizada por universidades federais indica que gratuidade no transporte público ampliaria circulação de renda, beneficiaria populações vulneráveis e fortaleceria o comércio local
tarifa zero

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio de Janeiro revelou que a adoção da tarifa zero no transporte coletivo pode gerar um impacto econômico superior a R$ 206 milhões em Maceió e municípios da Região Metropolitana da capital alagoana.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (5), aponta que os recursos atualmente utilizados pela população para pagamento de passagens poderiam passar a circular em outros setores da economia, impulsionando o consumo em áreas como alimentação, medicamentos, comércio de bairro e serviços.

Batizada de “A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda”, a pesquisa integra um conjunto de estudos sobre mobilidade urbana e financiamento do transporte coletivo no Brasil.

O levantamento completo pode ser acessado por meio deste link:
https://tarifazero.unb.br/wp-content/uploads/2026/05/TARIFA-ZERO-maio.pdf

Economia local poderá ser fortalecida com gratuidade

Segundo os pesquisadores, a implementação da gratuidade no transporte público teria efeito direto no orçamento das famílias que dependem diariamente dos ônibus urbanos para trabalhar, estudar ou acessar serviços essenciais.

Com a eliminação dos gastos com passagens, os usuários passariam a direcionar parte da renda para outros segmentos da economia, ampliando a circulação financeira local e fortalecendo pequenos negócios.

O estudo destaca que o impacto econômico estimado para Maceió e Região Metropolitana chega a R$ 206,15 milhões, valor correspondente aos gastos anuais da população com deslocamentos no sistema coletivo.

Levantamento utilizou dados nacionais de mobilidade

Para chegar aos números apresentados, os pesquisadores cruzaram informações da Pesquisa Nacional de Mobilidade de 2024 com indicadores operacionais das empresas de transporte coletivo.

O levantamento já considera as gratuidades atualmente existentes no sistema, como os benefícios concedidos a idosos, estudantes e pessoas com deficiência. Segundo os pesquisadores, essas isenções representam aproximadamente 24,38% das viagens realizadas no país.

De acordo com o estudo, os recursos que hoje financiam essas gratuidades já movimentam cerca de R$ 14,7 bilhões na economia brasileira.

Tarifa zero é tratada como política de distribuição de renda

Os autores da pesquisa defendem que a tarifa zero pode assumir um papel semelhante ao desempenhado por programas sociais de transferência de renda nas últimas décadas, funcionando como uma forma de renda indireta para milhões de brasileiros.

Segundo o levantamento, a medida beneficiaria especialmente as populações mais vulneráveis, moradores de periferias urbanas e a população negra, que historicamente dependem mais intensamente do transporte coletivo.

Os pesquisadores também argumentam que o acesso gratuito ao transporte pode ser compreendido como um direito social, nos mesmos moldes de políticas públicas como o Sistema Único de Saúde e a educação pública.

O estudo afirma ainda que a ampliação da tarifa zero em larga escala poderia posicionar o Brasil entre os principais exemplos internacionais de políticas voltadas à redução das desigualdades sociais e ao fortalecimento da inclusão urbana.

Pesquisa teve apoio da Frente Parlamentar da Tarifa Zero

O levantamento foi financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo.

A pesquisa faz parte do projeto “Tarifa Zero e suas possibilidades de expansão no Brasil” e foi coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília.

Modelo de financiamento propõe contribuição empresarial

O estudo atual complementa uma pesquisa anterior intitulada “Caminhos para a Tarifa Zero”, divulgada em novembro do ano passado.

Na ocasião, os pesquisadores defenderam a substituição gradual do modelo tradicional do vale-transporte por uma contribuição empresarial fixa inspirada no sistema adotado na França.

Segundo os autores, a proposta permitiria financiar a gratuidade sem criação de novos impostos e sem aumento direto de despesas para o orçamento federal.

A pesquisa anterior estimou que a implantação da tarifa zero em ônibus urbanos de cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes teria custo anual de aproximadamente R$ 78 bilhões, podendo beneficiar cerca de 124 milhões de pessoas.

Debate sobre mobilidade urbana ganha força no Brasil

O avanço das discussões sobre transporte público gratuito ocorre em meio aos debates nacionais sobre mobilidade urbana, inclusão social e sustentabilidade econômica dos sistemas de ônibus urbanos.

Nos últimos anos, diversas cidades brasileiras passaram a implementar modelos parciais ou integrais de tarifa zero, especialmente em municípios de pequeno e médio porte, ampliando o debate sobre novas formas de financiamento do transporte coletivo no país.

Imagem: Divulgação Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió (Sinturb)

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