A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro, iniciada à meia-noite desta segunda-feira (29), continua provocando reflexos na mobilidade urbana da capital fluminense. Em entrevistas concedidas à Rádio CBN e à Record TV Rio, o porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente, afirmou que a operação do sistema permanece muito abaixo do percentual mínimo estabelecido pela Justiça e atribuiu o cenário à baixa adesão de motoristas ao trabalho e a episódios de vandalismo registrados durante a madrugada.
Segundo o representante do sindicato patronal, aproximadamente 860 ônibus estavam em circulação durante a manhã, número inferior aos cerca de 1.800 veículos que deveriam estar operando para atender à decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), que determinou a manutenção de 50% da frota durante a paralisação.
Em dias úteis sem greve, a operação do sistema conta com aproximadamente 3 mil ônibus programados, sendo que cerca de 2.600 veículos costumam estar em circulação nesse horário.
Rio Ônibus relata vandalismo e dificuldades nas garagens
De acordo com Paulo Valente, o sindicato registrou mais de 30 ônibus vandalizados, principalmente em bairros da Zona Oeste, como Jacarepaguá, Campo Grande, Santa Cruz e Sepetiba.
Segundo ele, além dos danos aos veículos, motoristas relataram receio de deixar as garagens diante das ameaças e dos atos de depredação, o que teria contribuído para a redução da frota disponível ao longo da manhã.
O porta-voz informou que as empresas mantiveram as garagens abertas e fizeram um apelo para que os rodoviários comparecessem ao trabalho, buscando ampliar a quantidade de ônibus em circulação e atender à determinação judicial.
Negociações seguem sob mediação da Justiça do Trabalho
Durante as entrevistas, Paulo Valente afirmou que o Rio Ônibus considera o diálogo o caminho para solucionar o impasse entre empresas e trabalhadores.
Uma audiência de mediação está marcada para esta terça-feira no Tribunal Regional do Trabalho, quando representantes do sindicato patronal e do Sindicato dos Rodoviários voltarão a discutir as reivindicações da categoria.
Após a reunião, os trabalhadores também deverão realizar uma nova assembleia para avaliar os rumos do movimento.
Setor aponta dificuldades financeiras para ampliar proposta
Questionado sobre as reivindicações dos rodoviários, o porta-voz afirmou que as empresas apresentaram uma proposta baseada na reposição da inflação, alegando que a situação financeira do sistema limita a possibilidade de conceder reajustes superiores.
Segundo Valente, diversas empresas do setor enfrentam dificuldades econômicas e processos de recuperação judicial, cenário que, na avaliação do sindicato patronal, restringe a capacidade de ampliar os salários nos níveis reivindicados pela categoria.
O representante também ressaltou que o atual modelo de remuneração do transporte público, baseado no pagamento por quilômetro rodado, faz parte das discussões mantidas entre as empresas e a Prefeitura do Rio, embora tenha destacado que as negociações salariais ocorrem exclusivamente entre os sindicatos patronal e laboral.
Passageiros enfrentam dificuldades em diferentes regiões da cidade
Enquanto o impasse entre empresas e trabalhadores permanece sem solução, milhares de passageiros continuam enfrentando dificuldades para se deslocar pela cidade.
Nas primeiras horas desta segunda-feira, diversos pontos de ônibus registraram longas filas e intervalos elevados entre as viagens, especialmente nas regiões mais afetadas pela paralisação.

Para minimizar os impactos, MetrôRio, SuperVia, Barcas Rio e Mobi-Rio reforçaram suas operações, ampliando a oferta de viagens para atender parte da demanda deixada pela redução da circulação dos ônibus municipais.
A expectativa é que a audiência prevista para esta terça-feira represente um avanço nas negociações e contribua para a normalização gradual do transporte coletivo na capital fluminense.
Receba as notícias em seu celular, clique aqui para acessar o canal do ÔNIBUS & TRANSPORTE no WhatsApp.














