A indústria brasileira de carrocerias de ônibus manteve o ritmo de recuperação em junho de 2026 e registrou mais um mês de crescimento na produção. De acordo com os dados divulgados pela FABUS (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus), foram produzidas 2.634 carrocerias no período, resultado superior tanto ao registrado em junho do ano passado quanto ao desempenho obtido em maio deste ano.
Na comparação com junho de 2025, a indústria fabricou 500 unidades a mais, enquanto em relação ao mês anterior o crescimento foi de 154 carrocerias, confirmando a trajetória positiva do setor impulsionada pela renovação de frotas, aumento das encomendas para transporte urbano e rodoviário e pelo fortalecimento das exportações.
Os números contemplam todos os segmentos da indústria, incluindo ônibus urbanos, rodoviários, micro-ônibus e miniônibus, além dos resultados do mercado externo e do desempenho acumulado ao longo de 2026.
Micro-ônibus assumem novamente a liderança da produção mensal
Pela segunda vez em 2026, o segmento de micro-ônibus encerrou o mês como o principal responsável pelo volume de fabricação da indústria nacional. Em junho, foram produzidas 905 carrocerias, o equivalente a 34,36% de toda a produção brasileira.
A liderança do segmento ficou com a Neobus/Ciferal, responsável por 560 unidades, seguida pela Caio, que produziu 237 veículos. A Busscar apareceu na sequência com 68 unidades, enquanto a Marcopolo fabricou 40 micro-ônibus.
O desempenho confirma uma mudança importante no perfil do mercado brasileiro, impulsionada pela crescente demanda por veículos destinados ao transporte escolar, linhas alimentadoras dos sistemas urbanos, fretamento corporativo e operações em municípios de menor porte.
Além da versatilidade operacional, os micro-ônibus oferecem menor custo operacional e maior eficiência para serviços de baixa e média demanda, fatores que vêm ampliando sua participação na indústria nacional.
Ônibus urbanos seguem sustentando o mercado interno
Embora tenham perdido a liderança mensal para os micro-ônibus, os ônibus urbanos continuam sendo um dos pilares da indústria brasileira.
Em junho foram produzidas 684 carrocerias, correspondentes a 25,97% da fabricação nacional.

A Caio manteve sua posição de liderança absoluta no segmento ao produzir 454 unidades, seguida pela Marcopolo, com 134 veículos, e pela Mascarello, com 82 carrocerias. A Comil registrou oito unidades produzidas, enquanto a Volare encerrou o mês com seis veículos.
O desempenho continua sendo impulsionado pelos programas de renovação das frotas municipais, pela modernização dos sistemas de transporte coletivo e pelos investimentos realizados em diversas capitais brasileiras.
Marcopolo permanece na liderança entre os ônibus rodoviários
O segmento de ônibus rodoviários registrou 558 carrocerias produzidas em junho, representando 21,18% da produção nacional.
A Marcopolo liderou novamente o mercado ao fabricar 269 unidades, seguida pela Comil, com 112 veículos. A Busscar produziu 75 carrocerias, enquanto a Irizar registrou 57 unidades. A Volare encerrou o mês com 26 veículos, e a Mascarello, com 19 carrocerias.

O desempenho do segmento acompanha o aumento dos investimentos das empresas de transporte rodoviário na renovação de frota, estimulados pela recuperação das viagens interestaduais, do turismo e da ampliação da oferta de serviços de média e longa distância.
Miniônibus ampliam participação no mercado, conforme FABUS
Outro segmento que apresentou desempenho expressivo foi o de miniônibus, responsável por 487 unidades produzidas durante junho, participação equivalente a 18,49% da produção nacional.
A liderança ficou com a Volare, que fabricou 231 veículos, seguida de muito perto pela Mascarello, com 230 unidades. A Comil completou o segmento com 26 miniônibus produzidos.

O crescimento reflete a expansão das operações de transporte escolar, fretamento empresarial, serviços urbanos locais e sistemas alimentadores, que vêm impulsionando a procura por veículos compactos.
Exportações mantêm trajetória positiva
O mercado externo também apresentou resultados favoráveis para a indústria brasileira.
Em junho, foram exportadas 262 carrocerias, volume ligeiramente superior ao registrado em maio.
A Marcopolo liderou novamente os embarques internacionais, com 96 unidades, seguida pela Irizar, que exportou 52 veículos. A Comil registrou 42 carrocerias, enquanto Volare e Busscar exportaram 26 unidades cada. A Mascarello completou o ranking com 20 veículos enviados ao exterior.
Os ônibus rodoviários continuaram sendo o principal produto brasileiro destinado ao mercado internacional, respondendo por 209 unidades exportadas apenas em junho.
No acumulado entre janeiro e junho, o Brasil já exportou 1.298 carrocerias, sendo 1.102 ônibus rodoviários, além de 135 miniônibus, 111 ônibus urbanos e 48 micro-ônibus.
Produção nacional supera 13,8 mil carrocerias em 2026
Com o resultado de junho, a indústria brasileira atingiu 13.830 carrocerias produzidas nos seis primeiros meses de 2026.
A Caio permanece como líder nacional, com 3.816 unidades fabricadas, seguida pela Neobus/Ciferal, que acumula 2.448 veículos. A Marcopolo aparece logo atrás, com 2.336 carrocerias, enquanto a Mascarello soma 1.844 unidades. A Volare alcançou 1.598 veículos, seguida pela Comil, com 891, Busscar, com 582, e Irizar, com 315 unidades.
Quando considerados os grupos empresariais, o Grupo Marcopolo, formado por Marcopolo, Volare e Neobus/Ciferal, lidera o mercado brasileiro com 6.382 carrocerias produzidas em 2026.
Na sequência aparece o Grupo Caio, considerando também a produção da Busscar, que soma 4.398 unidades no acumulado do ano.
Perfil da produção mostra mudança no mercado brasileiro
Os dados da FABUS revelam uma transformação importante no perfil da indústria nacional de ônibus.
Embora os ônibus urbanos continuem liderando o acumulado anual, com 4.093 unidades e participação de 29,60%, os micro-ônibus reduziram significativamente essa diferença ao atingir 3.905 carrocerias, representando 28,24% da produção nacional.
Na sequência aparecem os ônibus rodoviários, com 3.168 unidades e participação de 22,91%, enquanto os miniônibus somam 2.664 veículos, equivalentes a 19,26% do mercado.
O desempenho demonstra que a indústria brasileira vem respondendo rapidamente às mudanças na demanda dos operadores, ampliando a fabricação de veículos de menor porte sem perder competitividade nos segmentos urbano, rodoviário e internacional.
A diversidade da produção, aliada ao crescimento das exportações e à recuperação gradual do mercado interno, reforça a importância da indústria nacional de carrocerias para o desenvolvimento da mobilidade coletiva no Brasil e em diversos mercados da América Latina.
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