Da jardineira Catita ao Grupo GBS: conheça a história de 92 anos da Viação Garcia

Fundada em 1934 para transportar colonos entre Jataizinho e Londrina, empresa superou estradas precárias, guerra e crises econômicas até se tornar uma das maiores operadoras rodoviárias do Brasil
Viação Garcia

A história da Viação Garcia está diretamente ligada ao surgimento de Londrina, à colonização do Norte do Paraná e ao avanço do transporte rodoviário de passageiros no Brasil. Fundada em 15 de janeiro de 1934, a empresa completou 92 anos em 2026 transportando, em média, 21 milhões de passageiros por ano e mantendo operações em cinco estados.

Viação Garcia
Celso Garcia Cid (em primeiro plano) na oficina da família Ziober, onde foram fabricadas as carrocerias
das primeiras jardineiras da Companhia Rodoviária Heim & Garcia. Imagem: Acervo Viação Garcia

O negócio começou com uma jardineira improvisada a partir de um caminhão Ford 1933. O veículo, apelidado de Catita, enfrentava picadas abertas no meio da floresta, atoleiros, buracos, troncos e travessias de balsa para levar colonos entre Jataizinho e o povoado que daria origem a uma das maiores cidades paranaenses.

Mais de nove décadas depois, a Viação Garcia integra o Grupo GBS, conglomerado formado por seis empresas e posicionado entre os cinco maiores do setor de transporte rodoviário de passageiros no país.

Três imigrantes se encontram no Norte do Paraná

A origem da Viação Garcia está ligada às trajetórias de três imigrantes europeus que chegaram ao Brasil em busca de novas oportunidades: Celso Garcia Cid, Mathias Heim e José Garcia Villar.

Celso Garcia Cid nasceu na Espanha e desembarcou em Santos, no litoral paulista, aos 19 anos, vindo da região da Galícia. Seu primeiro emprego no Brasil foi como garçom.

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Motorista, cobrador e mecânico em frente à garagem da Garcia, em Londrina. Sem eles, a cidade talvez nem tivesse saído das pranchetas dos ingleses. Imagem: Acervo Viação Garcia

Posteriormente, trabalhou na extensão dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana em direção à divisa com o Paraná. A ferrovia chegava até Jataizinho, onde o Rio Tibagi impedia a continuidade dos trilhos. Na localidade, Celso também exerceu a atividade de pedreiro.

Economizando tudo o que podia, o espanhol conseguiu comprar um pequeno caminhão Ford 1933. Com o veículo, começou a transportar produtos e mercadorias entre Jataizinho e o recém-formado povoado de Londrina, separados por aproximadamente 45 quilômetros.

Mathias Heim trabalhava na Companhia de Terras

O segundo personagem dessa história, Mathias Heim, era alemão e também havia emigrado para o Brasil.

Mecânico experiente, conseguiu emprego nas oficinas da Companhia de Terras Norte do Paraná, instalada em Londrina. O empreendimento agrícola, iniciado por investidores ingleses, abrangia uma área de aproximadamente 1,2 milhão de hectares.

O projeto tinha como objetivo inicial desenvolver uma produção de algodão em escala suficiente para atender uma parcela relevante da demanda mundial. A área, então coberta por mata densa e praticamente intocada, foi dividida em grandes lotes comercializados aos colonos com pagamento parcelado.

A habilidade mecânica de Heim seria fundamental para o surgimento e a manutenção da primeira frota da futura Viação Garcia, em uma região onde peças, equipamentos e assistência técnica eram extremamente escassos.

José Garcia Villar chegou com experiência no comércio

O terceiro fundador a participar da construção da empresa foi o espanhol José Garcia Villar. Ele havia chegado ao Brasil cerca de duas décadas antes e trabalhado em fazendas de café no Estado de São Paulo.

Com o passar dos anos, tornou-se cerealista e ganhou experiência como comerciante. Hábil negociador, conseguiu juntar recursos financeiros com o objetivo de abrir um novo empreendimento, embora inicialmente ainda não soubesse em qual atividade investiria.

O encontro de Villar com Celso Garcia Cid ocorreria somente alguns anos depois da criação da primeira empresa, quando Mathias Heim decidiu deixar a sociedade.

Londrina nasceu em meio à floresta

Naquele período, a história de Londrina praticamente se confundia com a própria atuação da Companhia de Terras Norte do Paraná.

A primeira clareira que marcou o nascimento da futura cidade foi aberta em agosto de 1929. O local ficou conhecido como Patrimônio Três Bocas, nome relacionado à existência de três minas de água na região.

Não havia infraestrutura para receber as famílias que chegavam. Os materiais usados nas primeiras construções foram transportados em lombos de burros.

A partir de 1930, começaram a desembarcar os primeiros colonos, inicialmente japoneses. Os recém-chegados eram levados nos veículos pertencentes à Companhia de Terras.

Colonos adquiriam lotes de pouco mais de 30 hectares

Em seus primeiros anos, algumas instalações da companhia chegaram a abrigar dezenas de famílias que aguardavam a oportunidade de comprar uma propriedade.

Os colonos, no entanto, permaneciam pouco tempo nesses alojamentos. Assim que fechavam o negócio, assumiam o compromisso de começar a pagar, dois anos depois, pelos pouco mais de 30 hectares de terra adquiridos.

Em seguida, partiam para tomar posse dos lotes. O trabalho envolvia derrubar a mata com machados, construir pequenas casas de madeira, limpar o terreno e preparar o solo para receber sementes ou mudas.

Esse avanço acelerado da colonização criava uma necessidade crescente de transporte, tanto para levar as famílias aos seus terrenos quanto para movimentar ferramentas, alimentos, materiais de construção e a produção agrícola.

Café substituiu projeto original do algodão

A Companhia de Terras enfrentava dois grandes desafios. O primeiro estava relacionado à produção agrícola.

Embora o projeto inglês tivesse sido elaborado para o cultivo de algodão, os colonos frequentemente abandonavam essa orientação depois de limpar as propriedades. Com o café valorizado no mercado internacional, a maioria preferia investir na cafeicultura.

A atividade já predominava em partes de Minas Gerais e São Paulo e avançaria rapidamente sobre o Norte do Paraná. Diante da rentabilidade oferecida pelo café, a Companhia de Terras não conseguiu preservar a vocação agrícola originalmente planejada para o empreendimento.

O segundo desafio era de natureza logística: os colonos não paravam de chegar e precisavam ser transportados.

Rio Tibagi interrompia o avanço da ferrovia

Os viajantes desembarcavam da ferrovia em Jataizinho e atravessavam o Rio Tibagi por meio de uma balsa. Depois, ainda precisavam percorrer cerca de 45 quilômetros por caminhos precários até Londrina.

Quando adquiriam as propriedades, tornavam a depender de transporte para chegar aos lotes, muitos localizados em áreas acessíveis apenas por picadas abertas na floresta.

Em 1932, a Companhia de Terras encarregou Mathias Heim de transportar os colonos utilizando duas jardineiras pertencentes ao próprio empreendimento.

Enquanto isso, o caminhão Ford 1933 de Celso Garcia Cid era intensamente utilizado no transporte de cargas. Ele recolhia as mercadorias em Jataizinho, atravessava o rio na balsa e percorria os difíceis 45 quilômetros até Londrina.

Celso trabalhava da manhã à noite e, em razão da intensa movimentação, tornou-se conhecido entre os moradores e administradores da região.

Companhia Rodoviária Heim & Garcia nasce em 1934

A Companhia de Terras decidiu conceder a uma empresa independente a responsabilidade pelo transporte dos colonos. Mathias Heim recebeu a proposta para organizar a operação e procurou um sócio.

Celso Garcia Cid aceitou imediatamente o convite e entrou no negócio com seu caminhão Ford 1933. O veículo foi levado à oficina da família Ziober, onde passou por uma transformação completa para se tornar uma jardineira.

Quando ficou pronta, a unidade recebeu dos colonos o apelido de Catita. Ela se tornou o primeiro veículo da Companhia Rodoviária Heim & Garcia, fundada em 15 de janeiro de 1934.

Celso assumia a direção do veículo, enquanto Heim era responsável pela manutenção. A divisão de tarefas era essencial para enfrentar as condições extremas das estradas e a dificuldade de encontrar peças de reposição.

Primeira linha ligava Londrina a Jataizinho

A primeira linha da empresa conectava Londrina a Jataizinho, mas os sócios tinham autorização para ampliar o atendimento conforme novas picadas fossem abertas entre os lotes rurais.

A demanda aumentou rapidamente. Os colonos precisavam dos veículos para chegar às propriedades, buscar mantimentos, levar produtos e acessar os poucos serviços disponíveis no povoado.

Os caminhos eram marcados por subidas íngremes, atoleiros, buracos, tocos de árvores e trechos praticamente intransitáveis durante os períodos de chuva.

Apesar das dificuldades, a empresa estabeleceu desde o início dois compromissos centrais: seriedade e responsabilidade na operação.

Contrato previa multas e rescisão por interrupções

O contrato firmado com a Companhia de Terras seguia o rigor administrativo dos investidores ingleses. O documento previa multas por atrasos e permitia a rescisão imediata em caso de interrupção do serviço.

Os passageiros pagavam as viagens utilizando vales entregues pela própria companhia. Posteriormente, Mathias e Celso apresentavam esses documentos e recebiam os valores correspondentes.

Viação Garcia
Na primeira estação rodoviária de Londrina, construída pelos dois sócios da Heim & Garcia,
Celso Garcia Cid (o primeiro à esquerda) aguarda a chegada de mais passageiros antes de partir.

Mesmo diante das condições precárias dos caminhos e dos constantes problemas mecânicos, os dois sócios cumpriram integralmente as exigências contratuais.

Em 1936, a frota já contava com três jardineiras Catita. Os veículos circulavam durante todo o dia e eram reparados à noite, quando os mecânicos corrigiam os danos provocados pelas estradas.

Saída de Mathias Heim leva à entrada de José Garcia Villar

Mathias Heim decidiu posteriormente se retirar da sociedade. Diante da necessidade de encontrar um novo parceiro, Celso Garcia Cid publicou um anúncio em um jornal de São Paulo.

José Garcia Villar leu a oferta e passou a observar o funcionamento da companhia a distância. Antes de se apresentar, acompanhou a movimentação dos veículos, buscou informações sobre a empresa e realizou seus próprios cálculos.

Depois de avaliar o potencial do negócio, apresentou-se a Celso com um capital de 110 contos de réis e disposição para investir na operação.

A nova parceria resultou, em 1938, na criação da Empreza Rodoviária Garcia & Garcia. Com a entrada do novo sócio, a frota recebeu outros veículos e a área de atendimento continuou crescendo.

Empresa chegou a 18 ônibus durante a Segunda Guerra Mundial

A Garcia & Garcia manteve a compra de veículos mesmo durante as dificuldades provocadas pela Segunda Guerra Mundial.

Em 1940, a empresa já possuía 18 ônibus. O maior obstáculo desse período surgiu com o racionamento de combustível determinado pelo governo.

Como todos os veículos eram movidos a gasolina, a cota concedida à transportadora era suficiente para abastecer apenas metade da frota. Diante do risco de interromper os serviços, Celso Garcia Cid buscou uma solução alternativa.

Gasogênio manteve ônibus em circulação durante racionamento

Celso adquiriu em São Paulo um equipamento de gasogênio e o instalou em um ônibus GMC para realizar testes.

O sistema permitia produzir um gás combustível a partir da queima controlada de materiais sólidos, substituindo parcialmente a gasolina em um período de escassez.

Após a experiência apresentar resultados satisfatórios, os mecânicos da empresa reproduziram o equipamento. Foram fabricadas outras 12 unidades exatamente iguais à primeira.

Instalados nos ônibus GMC, os 13 sistemas permitiram manter os veículos em circulação durante todo o período do racionamento. A iniciativa demonstrou uma característica que acompanharia a trajetória da Garcia: a capacidade de encontrar soluções próprias diante das limitações de cada época.

Frota alcançou 50 ônibus em 1950

Em 1950, a maior parte das estradas do Norte do Paraná permanecia sem pavimentação. Os caminhos, entretanto, já haviam evoluído em comparação com as antigas picadas.

As vias de terra batida estavam mais largas e ofereciam condições razoáveis de circulação quando não chovia. Nos períodos de chuva, contudo, lama e atoleiros continuavam representando grandes desafios.

A frota da Garcia & Garcia chegou naquele ano a 50 ônibus. Os veículos já possuíam motores embutidos na carroceria, representando uma evolução em relação às primeiras jardineiras improvisadas.

Abaixo vemos imagens do “Geraldão”, apelido do histórico modelo GMC-ODC 210 fabricado em 1951, marcando a história por ter sido o primeiro ônibus montado artesanalmente na própria garagem da empresa. O veículo utilizava chassi, rodas GM e motor MB adaptado, destacando-se na época por trazer a tendência da frente reta.Atualmente, o “Geraldão” original é uma verdadeira relíquia preservada. O ônibus encontra-se aposentado do transporte regular de passageiros e está em exposição no acervo de veículos históricos, localizado na garagem sede da empresa em Londrina (PR)

Novas cidades continuavam surgindo na região. Muitas eram formadas ao redor de caminhos e pontos que já faziam parte das linhas atendidas pela empresa.

Geada de 1955 abalou economia do Norte do Paraná

Em 1955, uma sequência de fortes geadas destruiu grande parte dos cafezais do Norte do Paraná.

Milhões de pés de café precisaram ser erradicados, levando numerosos produtores à ruína. A economia regional passou por um período de dificuldades enquanto as propriedades substituíam a cafeicultura por outras atividades.

A crise também afetou a transportadora, pois reduziu o movimento econômico e a demanda por deslocamentos. A empresa, entretanto, já possuía uma estrutura consolidada e conseguiu absorver o impacto sem interromper seu desenvolvimento.

Mesmo nesse cenário, o compromisso permaneceu o mesmo: levar os passageiros aos destinos com pontualidade, independentemente das condições climáticas ou das estradas.

Nome Viação Garcia foi adotado em 1955

No mesmo ano da grande geada, a companhia passou a utilizar a denominação Viação Garcia Ltda.

Celso Garcia Cid e José Garcia Villar mantinham uma participação intensa na administração. Além de orientar os funcionários, os sócios acompanhavam a operação e ensinavam como os passageiros deveriam ser atendidos.

A direção entendia que treinamento, segurança e manutenção precisavam receber atenção permanente. Também buscava preservar a proximidade entre a empresa e as comunidades atendidas desde os primeiros anos.

A filosofia era tratar cada passageiro com a mesma atenção dedicada aos colonos pioneiros que chegaram à região sonhando com uma nova vida.

Renovação anual tornou-se parte da estratégia

Durante as primeiras décadas, a empresa aprendeu a expandir suas operações no mesmo ritmo da colonização e do desenvolvimento regional.

Para acompanhar as transformações, adotou uma política de inovação permanente. A estratégia previa modernizar equipamentos, renovar pelo menos 10% da frota a cada ano, reorganizar filiais e agências e criar novos serviços.

A operação exigia agilidade para acompanhar o nascimento de cidades, a abertura de estradas e o crescimento da demanda.

Em diferentes momentos, a própria companhia construiu estações rodoviárias e chegou a participar da abertura de estradas, repetindo uma prática iniciada nos tempos em que as linhas avançavam junto com as clareiras abertas na floresta.

Ligação entre Londrina e Curitiba foi asfaltada em 1961

Em 1961, Londrina passou a contar com uma ligação totalmente pavimentada até Curitiba.

A melhoria representou uma transformação importante para o transporte rodoviário. Viajar de ônibus começava a deixar de ser uma aventura marcada por lama, poeira e atoleiros, tornando-se uma experiência mais rápida e confortável.

A evolução, porém, ocorreu de forma gradual. Muitas estradas ainda permaneciam em condições precárias, ao mesmo tempo em que novos municípios continuavam surgindo no interior paranaense.

Para atender a essa expansão, a Viação Garcia incorporava ônibus mais resistentes e modernos, adequados às exigências dos novos percursos.

Fundadores morreram com dez anos de diferença

José Garcia Villar morreu em 1962, após participar diretamente da consolidação da transportadora.

Celso Garcia Cid faleceu dez anos depois, em 1972. Os dois deixaram uma empresa estruturada, que já havia superado os limites da pequena operação iniciada com uma única jardineira.

As gerações seguintes das famílias fundadoras deram continuidade ao trabalho e mantiveram a expansão da companhia.

Viação Garcia

A condução firme e harmoniosa dos dois empresários transformou uma solução de transporte criada para atender colonos em uma das maiores empresas rodoviárias do país.

Livro comemorativo registrou os 60 anos da Garcia

Em 1994, a Viação Garcia completou 60 anos. A data foi marcada por diferentes comemorações, incluindo a publicação de uma brochura de 64 páginas intitulada “Aqui tem história”.

O material reconstituiu a trajetória da empresa desde a jardineira Catita e preservou relatos sobre seus primeiros anos de atividade.

Parte considerável dessas informações foi posteriormente selecionada pelo escritor e pesquisador Rúbio de Barros Gômara para compor um capítulo dedicado à Viação Garcia em seus levantamentos sobre a história do transporte rodoviário.

A publicação comemorativa tornou-se um registro importante da memória da empresa e do próprio processo de formação de Londrina e do Norte do Paraná.

Viação Garcia inspirou romance sobre Londrina

A história da companhia também apareceu na literatura. Em 2003, a editora Geração Editorial lançou o romance “Terra Vermelha”, escrito pelo londrinense Domingos Pellegrini.

A obra retrata de forma épica a colonização do Norte do Paraná e a formação de Londrina. Na narrativa, o autor menciona frequentemente uma empresa fictícia chamada Viação Gracia, referência facilmente associada à Viação Garcia.

O romance aborda episódios de pioneirismo, coragem, força de vontade, criatividade e dedicação que marcaram a ocupação da região.

Também recupera situações curiosas dos primeiros anos, como a dos colonos que, quando não possuíam os vales da Companhia de Terras, chegavam a pagar as passagens com frangos.

Operação avançou para outros estados e países da América do Sul

Com o crescimento da empresa, os ônibus deixaram de circular apenas pelo Paraná. A rede avançou para São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Os 15 ou 20 pioneiros que desembarcavam diariamente na nascente Londrina deram lugar a milhões de passageiros transportados todos os anos.

Viação Garcia

A companhia ampliou suas linhas, garagens, filiais, pontos de venda e serviços, consolidando-se no transporte intermunicipal e interestadual.

Atualmente, a Viação Garcia atua em Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, mantendo importantes ligações entre cidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de países da América do Sul com a aquisição recente da empresa JBL Internacional.

Empresa transporta cerca de 21 milhões de passageiros por ano

A Viação Garcia registra atualmente uma média de 21 milhões de passageiros transportados anualmente.

Sua estrutura conta com mais de 2,5 mil colaboradores e 370 pontos para comercialização de passagens, além dos guichês instalados em terminais rodoviários.

A rede está distribuída pelas principais cidades dos cinco estados atendidos pela companhia. O suporte aos passageiros e a manutenção da frota são realizados por meio de 23 filiais.

Além das linhas intermunicipais e interestaduais, a empresa atua nos segmentos de fretamento industrial, turismo, transporte de encomendas rápidas e transporte urbano e metropolitano de passageiros.

Garcia foi vendida à Luft Logistics em 2010

Depois de permanecer por várias gerações sob o comando das famílias fundadoras, a Viação Garcia passou por uma mudança administrativa em 2010.

Naquele ano, a empresa foi negociada com um grupo de investidores ligado à Luft Logistics.

A transação encerrou um longo período de gestão conduzida pelos descendentes de Celso Garcia Cid e José Garcia Villar.

Nos anos seguintes, a companhia enfrentou dificuldades financeiras, abrindo caminho para uma nova alteração em seu controle.

Brasil Sul adquiriu empresa quatro anos depois

Em 2014, a Luft Logistics vendeu a Viação Garcia, então em uma situação financeira delicada, para a Brasil Sul.

Brasil Sul

A operação resultou na formação do Grupo GBS, administrado desde então pelos empresários José Boiko e Estefano Boiko Junior.

A Brasil Sul havia sido fundada em 2004, após uma dissolução parcial da empresa Expresso Nordeste, de Campo Mourão.

A aquisição reuniu duas importantes marcas do transporte rodoviário paranaense e marcou o começo de uma nova fase administrativa para a Garcia.

Seis empresas formam o Grupo GBS

Atualmente, seis empresas integram o Grupo GBS:

  • Viação Garcia;
  • Brasil Sul;
  • Santo Anjo;
  • Princesa do Ivaí;
  • Londrisul;
  • JBL Internacional.

O grupo tem como principal atividade o transporte rodoviário intermunicipal e interestadual de passageiros, mas mantém presença em outros segmentos relacionados à mobilidade e à logística.

Viação Garcia

A estrutura reúne operações de fretamento para indústrias, turismo, encomendas rápidas e transporte urbano e metropolitano.

Grupo está entre os cinco maiores do setor no Brasil

O Grupo GBS é apontado como o maior conglomerado de transporte rodoviário de passageiros do Sul do país em receita operacional líquida.

No cenário nacional, está posicionado entre as cinco maiores empresas do setor.

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A organização mantém investimentos em renovação da frota, novas tecnologias, segurança, atendimento aos passageiros e modernização dos canais de venda.

Essas iniciativas buscam aprimorar a experiência de compra, embarque e viagem, além de aumentar o controle operacional e a confiabilidade dos serviços.

Inovação acompanha a Garcia desde sua origem

A adoção de tecnologia não representa uma característica recente da Viação Garcia. A busca por soluções acompanha a companhia desde o uso do gasogênio durante a Segunda Guerra Mundial.

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Ao longo das décadas, essa postura apareceu na renovação frequente da frota, na construção de estruturas de apoio, na criação de novos serviços e na adaptação aos diferentes ciclos econômicos.

O mesmo princípio está presente atualmente nos investimentos em ônibus mais modernos, equipamentos de segurança, sistemas de monitoramento e canais digitais de venda.

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A transformação tecnológica preserva uma característica estabelecida pelos fundadores: encontrar maneiras de manter a operação mesmo diante de condições adversas.

De um Ford 1933 a uma operação multimilionária

A dimensão atual da Viação Garcia contrasta com a simplicidade de sua origem.

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O empreendimento nasceu de um caminhão Ford 1933 adaptado artesanalmente para transportar colonos por caminhos abertos na floresta. A Catita precisava ser reparada constantemente e, muitas vezes, dependia da criatividade dos mecânicos para continuar em circulação.

Hoje, a empresa transporta milhões de passageiros, atua em cinco estados, emprega mais de 2,5 mil pessoas e integra um grupo com seis marcas.

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Entre esses dois momentos estão a colonização do Norte do Paraná, a expansão do café, a Segunda Guerra Mundial, o racionamento de combustível, as geadas de 1955, a pavimentação das rodovias, as mudanças no controle administrativo e a formação do Grupo GBS.

A história da Viação Garcia é, portanto, parte da própria história do desenvolvimento de Londrina e do transporte rodoviário brasileiro.

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