A segurança de uma viagem de ônibus rodoviário começa muito antes do embarque dos passageiros. Por trás de cada partida, existe uma estrutura formada por inspeções, planejamento operacional, acompanhamento profissional e cuidados direcionados à saúde de quem assume o volante. No Grupo Guanabara, esse trabalho inclui um programa especializado em medicina do sono, criado para identificar fatores que possam comprometer o estado físico e mental dos motoristas durante as viagens.
Mantida há aproximadamente duas décadas nas empresas de transporte rodoviário de passageiros do grupo, a iniciativa utiliza conhecimentos científicos sobre sono, fadiga e funcionamento do relógio biológico para planejar escalas, acompanhar a saúde dos condutores e prevenir ocorrências relacionadas à sonolência.
O programa tem como base a metodologia patenteada pelo médico especialista Dr. Sérgio Vieira Barros, responsável também pela coordenação técnica do projeto. A estrutura inclui laboratórios próprios no Rio de Janeiro e em Brasília, onde são realizados exames clínicos e avaliações destinadas a detectar alterações que podem passar despercebidas pelos próprios profissionais.
Entre os problemas investigados estão apneia do sono, insônia crônica e outros distúrbios capazes de provocar cansaço excessivo, perda de concentração e redução dos reflexos. Mais do que uma ferramenta operacional, a iniciativa funciona como uma política de medicina preventiva, com impacto direto na segurança das viagens e na qualidade de vida dos trabalhadores.
Qualidade do sono interfere na saúde física e emocional
A sonolência ao volante não está relacionada somente à quantidade de horas dormidas. Distúrbios do sono podem impedir que o organismo alcance um descanso reparador, mesmo quando o profissional permanece várias horas na cama.
Por esse motivo, o programa desenvolvido pelo Grupo Guanabara realiza exames como a polissonografia, utilizada para acompanhar diferentes parâmetros fisiológicos durante o sono e identificar alterações respiratórias, neurológicas e comportamentais.

De acordo com o Dr. Sérgio Vieira Barros, o sono adequado exerce uma função essencial na regulação física e emocional. Quando os transtornos não são diagnosticados e tratados, podem contribuir para o desenvolvimento de ansiedade, depressão, exaustão e perda de rendimento.
Segundo o especialista, o acompanhamento individualizado da saúde clínica dos motoristas permitiu eliminar registros de acidentes graves provocados por sonolência nas operações monitoradas pelo programa, além de proporcionar melhores condições de vida aos profissionais responsáveis por transportar passageiros diariamente.
Relógio biológico começa a ser analisado durante a seleção
O acompanhamento dos motoristas tem início ainda no processo de contratação. Durante a etapa seletiva, os candidatos passam por um mapeamento de cronotipo, método utilizado para identificar os horários em que cada organismo apresenta maior nível de atenção, energia e capacidade de resposta.
A análise divide os perfis em três grupos principais: matutino, vespertino e intermediário. Os profissionais classificados como matutinos apresentam melhor desempenho durante o dia, enquanto os vespertinos tendem a manter maior nível de alerta no período noturno. Já os intermediários possuem maior flexibilidade entre diferentes horários.
Com base nos resultados, o Centro de Controle Operacional — CCO organiza as escalas de forma compatível com o relógio biológico de cada condutor. Um motorista com perfil predominantemente diurno, por exemplo, não recebe autorização para assumir viagens durante a madrugada.
Essa estratégia reduz a exposição dos profissionais aos horários em que seus organismos apresentam naturalmente menor capacidade de atenção, contribuindo para diminuir riscos nas estradas.
Teste de vigília avalia aptidão para viagens noturnas
Os motoristas destinados às operações noturnas precisam passar pelo Teste de Manutenção de Vigília — TMV, realizado com o auxílio de simuladores. A avaliação verifica se o profissional consegue permanecer desperto e atento durante períodos de baixa estimulação, condição semelhante à encontrada em viagens noturnas prolongadas.
Somente após a aprovação o condutor pode ser liberado para trabalhar nas escalas de madrugada.
Antes de cada viagem, os profissionais também realizam o chamado Teste Atento, uma avaliação computadorizada que mede o nível de concentração e verifica as condições físicas e emocionais do motorista naquele momento.
O sistema gera informações técnicas sobre a aptidão para conduzir o veículo. Caso seja identificada alguma alteração que possa comprometer a segurança, o profissional pode ser retirado da operação e encaminhado para nova avaliação.
Inteligência artificial monitora sinais de fadiga
Durante o trajeto, o acompanhamento continua por meio de equipamentos embarcados nos ônibus. Câmeras inteligentes utilizam inteligência artificial para observar sinais faciais associados à fadiga, como fechamento prolongado dos olhos, redução da frequência de piscadas, desvios de atenção e movimentos compatíveis com sonolência.
As informações são transmitidas para uma central operacional que funciona 24 horas por dia. Diante da identificação de uma situação de risco, a equipe responsável pode adotar medidas preventivas e orientar o motorista.
A tecnologia não substitui o trabalho do condutor nem as avaliações médicas, mas funciona como uma camada adicional de proteção, permitindo que sinais de cansaço sejam percebidos antes que provoquem uma ocorrência.
O modelo adotado pelo Grupo Guanabara combina saúde ocupacional, planejamento de escalas, acompanhamento humano e monitoramento tecnológico para formar uma estrutura permanente de prevenção.
Salas de estimulação ajudam a manter o estado de vigília
Outro recurso utilizado pelo programa são as 16 Salas de Estimulação instaladas em pontos estratégicos de parada nas rodovias. Entre os locais atendidos estão trechos da Rodovia Presidente Dutra e o município de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Os espaços funcionam exclusivamente entre 18h e 6h, período em que o organismo tende a aumentar a produção de melatonina, hormônio relacionado ao sono.
Durante a parada dos ônibus, enquanto os passageiros utilizam os serviços dos pontos de apoio, os motoristas entram em ambientes submetidos a uma iluminação de elevada intensidade. Essa exposição luminosa estimula o cérebro e reduz temporariamente a produção de melatonina, favorecendo a manutenção do estado de vigília.
A utilização das salas faz parte de um protocolo controlado e ocorre em conjunto com outras atividades desenvolvidas durante o intervalo.
Exercícios e alimentação são utilizados contra o cansaço
Dentro das Salas de Estimulação, os motoristas realizam alongamentos e exercícios leves em bicicletas ergométricas. A atividade física ajuda a elevar o estado de alerta e a normalizar os níveis de pressão arterial durante os períodos de menor atividade biológica.
Os profissionais também recebem um lanche balanceado elaborado com orientação de nutricionistas. O objetivo é evitar refeições pesadas durante a madrugada, que podem provocar a chamada sonolência pós-prandial, sensação de cansaço que costuma ocorrer após a ingestão de alimentos em grande quantidade ou de difícil digestão.
A combinação entre luz intensa, exercícios e alimentação controlada é utilizada para reduzir os efeitos naturais do cansaço e preparar o motorista para retomar a viagem em melhores condições de atenção.
As medidas não eliminam a necessidade de descanso adequado, mas complementam o planejamento das jornadas e os protocolos de saúde adotados pela companhia.
Programa funciona durante todos os dias do ano
Segundo Letícia Pineschi, diretora de Marketing da Guanabara, apresentar os bastidores dessa estrutura contribui para ampliar a compreensão dos passageiros sobre a complexidade envolvida na segurança do transporte rodoviário.
A executiva destaca que o sistema de cuidados com os motoristas funciona durante os 365 dias do ano, acompanhando cada viagem e reunindo ciência, tecnologia e atenção à saúde dos profissionais.
Para a companhia, a divulgação desse trabalho também ajuda a humanizar o debate sobre segurança viária, mostrando que a prevenção de acidentes depende tanto das condições dos veículos e das estradas quanto do bem-estar físico e emocional das pessoas que conduzem os ônibus.
A iniciativa reforça a importância de tratar o motorista como parte central da operação, garantindo suporte técnico, médico e operacional para o desempenho de uma função que envolve elevada responsabilidade.
Medicina preventiva amplia a segurança dos passageiros
O acompanhamento dos distúrbios do sono oferece benefícios que ultrapassam a prevenção de acidentes. Ao identificar problemas como apneia, insônia e exaustão, a empresa possibilita que o profissional receba tratamento antes que essas condições evoluam para quadros mais graves.
O cuidado pode melhorar a disposição, a concentração, o equilíbrio emocional e a qualidade de vida dos motoristas dentro e fora do ambiente de trabalho.
No transporte rodoviário, em que os condutores enfrentam longas distâncias, variações de horários e jornadas que podem incluir períodos noturnos, a análise individual do relógio biológico torna-se uma ferramenta estratégica.
Ao integrar exames médicos, escalas personalizadas, testes de atenção, inteligência artificial e espaços de estimulação, o Grupo Guanabara transforma a medicina do sono em um dos pilares de sua política de segurança.
Sobre o Grupo Guanabara
Com mais de seis décadas de atuação, o Grupo Guanabara reúne mais de 30 empresas ligadas a diferentes setores da economia.
O conglomerado mantém operações no transporte de passageiros, no sistema financeiro, no mercado imobiliário, no desenvolvimento de softwares e na comercialização de veículos comerciais da Mercedes-Benz.
Com o slogan “Movendo Vidas, Conectando Histórias”, o grupo está entre os maiores empregadores do país e desenvolve atividades voltadas à mobilidade, geração de empregos e integração entre diferentes regiões brasileiras.
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