A expansão dos ônibus elétricos no transporte coletivo brasileiro começa a deslocar o debate para uma nova etapa: a construção de uma infraestrutura energética capaz de acompanhar a rotina operacional das frotas. Mais do que adquirir veículos de emissão zero, operadores e gestores públicos precisam definir onde, quando e como esses ônibus serão recarregados sem comprometer horários, disponibilidade e produtividade.
É com esse enfoque que a Electreon participará da Lat.Bus 2026, entre os dias 11 e 13 de agosto, no São Paulo Expo, na capital paulista. Especializada em recarga sem fio para veículos elétricos, a empresa apresentará uma arquitetura tecnológica que integra vias, veículos, rede elétrica e software, permitindo que o fornecimento de energia ocorra em diferentes momentos da operação.
A proposta combina recarga nas garagens, carregamento durante paradas programadas e fornecimento de energia enquanto o veículo circula por trechos especialmente equipados. O objetivo é reduzir a dependência de longos períodos de imobilização, ampliar o tempo dos ônibus em serviço e adaptar a infraestrutura às necessidades específicas de cada sistema.
Eletrificação amplia desafio para além da compra dos veículos
A substituição de ônibus movidos a combustíveis fósseis por modelos elétricos representa apenas uma parte do processo de descarbonização do transporte público.
Depois da aquisição dos veículos, as cidades precisam estruturar redes de carregamento, adequar a capacidade elétrica das garagens, reorganizar escalas e considerar o tempo necessário para a reposição da energia consumida diariamente.
Em sistemas com alta quilometragem, intervalos reduzidos e operação prolongada, como os corredores BRT, concentrar toda a recarga durante a madrugada pode exigir grandes investimentos em potência elétrica, equipamentos e baterias.
A Electreon defende que a infraestrutura seja distribuída ao longo da rede de transporte, fazendo com que a energia acompanhe o ônibus durante a jornada, em vez de obrigar o veículo a interromper a operação para ser carregado.
Novo PAC prevê 2.296 ônibus elétricos em 61 municípios
A dimensão do desafio já pode ser observada nos investimentos públicos previstos para os próximos anos.
O Novo PAC selecionou 77 propostas relacionadas à mobilidade elétrica, que somam R$ 10,6 bilhões e contemplam a aquisição de 2.296 ônibus elétricos em 61 municípios brasileiros.
Com a entrada de milhares de novos veículos nas frotas municipais, a infraestrutura de recarga deixa de ser uma decisão restrita à engenharia dos ônibus e passa a ocupar posição central no planejamento operacional e financeiro dos sistemas.
A localização dos carregadores, a demanda sobre a rede elétrica, a potência disponível e a compatibilidade entre veículos e equipamentos serão fatores decisivos para a viabilidade de cada projeto.
Recarga integrada pode manter ônibus por mais tempo em operação
O modelo apresentado pela Electreon busca distribuir o fornecimento de energia entre garagens, terminais, estações, pontos finais e trechos estratégicos das vias.
Essa configuração permite que os veículos recebam cargas adicionais em momentos nos quais já estariam parados, como nos intervalos de uma linha, ou enquanto trafegam por segmentos preparados com a tecnologia de indução.
Ao integrar o carregamento à rotina, a solução pretende reduzir a necessidade de retirar o ônibus de circulação exclusivamente para repor energia.
O conceito também pode contribuir para preservar a reserva técnica das baterias, reduzir ciclos profundos de carga e descarga e ampliar a flexibilidade no planejamento das frotas.
Tecnologia permite carregamento sem conexão por cabos
A transferência de energia ocorre por indução entre equipamentos instalados sob o pavimento e um receptor incorporado ao veículo.
Quando um ônibus autorizado se posiciona sobre a infraestrutura ou percorre um trecho equipado, o sistema reconhece o veículo e inicia automaticamente o fornecimento de energia.
O processo dispensa a conexão manual de cabos, reduzindo a necessidade de intervenção dos operadores e facilitando a utilização em locais com grande circulação de veículos.
A automação também pode diminuir riscos associados ao manuseio de conectores de alta potência e simplificar a rotina nos terminais e pontos finais.
Electreon DOT atende garagens, estações e pontos finais
A plataforma desenvolvida pela empresa contempla diferentes configurações, escolhidas conforme as características de cada operação.
O Electreon DOT é destinado à recarga estacionária. A solução pode ser instalada em garagens, terminais, estações e pontos finais, permitindo que os ônibus recebam energia enquanto permanecem estacionados.
Nesse modelo, os equipamentos ficam posicionados sob o local de parada, eliminando a necessidade de postes, braços pantográficos ou cabos conectados manualmente aos veículos.
A configuração pode ser adotada tanto para recargas mais prolongadas quanto para reposições realizadas durante intervalos operacionais.
Electreon DASH realiza recargas de oportunidade
Outra solução que será apresentada na Lat.Bus é o Electreon DASH, desenvolvido para as chamadas recargas de oportunidade.
A tecnologia permite fornecer energia durante paradas relativamente curtas previstas na operação, como períodos de embarque, desembarque, regulagem de horários ou permanência nos terminais.
Embora cada sessão possa representar uma quantidade limitada de energia, a repetição dessas recargas ao longo do dia pode reduzir a descarga acumulada da bateria.
Com isso, o ônibus pode manter maior autonomia operacional sem depender exclusivamente de um único carregamento de longa duração.
Electreon LINE fornece energia com o ônibus em movimento
A solução mais disruptiva da plataforma é o Electreon LINE, que permite realizar a recarga dinâmica.
Nesse sistema, bobinas instaladas sob o pavimento transferem energia ao veículo enquanto ele circula por um trecho preparado da via.
A tecnologia pode ser implantada em corredores com grande frequência de ônibus, pontos de maior consumo energético ou áreas onde a operação não permite longos períodos de parada.
A recarga dinâmica não exige necessariamente que toda a extensão de uma linha seja equipada. Trechos selecionados podem fornecer energia suficiente para complementar a carga e aumentar o alcance diário dos veículos.
Três modalidades podem funcionar de forma combinada
As soluções DOT, DASH e LINE não foram desenvolvidas como alternativas isoladas.
Elas podem ser combinadas em uma mesma operação, permitindo que cada sistema de transporte utilize diferentes formas de carregamento conforme a demanda, a infraestrutura elétrica e o desenho das linhas.
Um ônibus poderá, por exemplo, receber uma carga mais longa na garagem, realizar pequenas recargas nos pontos finais e complementar a energia enquanto percorre um segmento equipado do corredor.
Essa integração tende a oferecer maior redundância e reduzir o impacto de eventuais indisponibilidades em um único ponto de carregamento.
Software Electreon Flow monitora energia e operação
Toda a infraestrutura é acompanhada pelo Electreon Flow, plataforma de software responsável por monitorar o funcionamento do sistema em tempo real.
A ferramenta reúne informações sobre as sessões de recarga, o fluxo de energia, a localização dos veículos, o estado de carga das baterias e a disponibilidade dos equipamentos.
Os dados podem apoiar decisões relacionadas à programação operacional, ao uso da energia e à manutenção da infraestrutura.
A proposta é criar uma gestão conjunta entre frota, rede elétrica e carregadores, evitando que cada elemento seja administrado de forma separada.
Dados em tempo real ajudam no planejamento das frotas
A visibilidade oferecida pelo Electreon Flow pode permitir que operadores identifiquem quais veículos precisam receber mais energia, quais pontos apresentam maior demanda e como a infraestrutura está sendo utilizada ao longo do dia.
Essas informações tornam-se relevantes para ajustar tabelas horárias, dimensionar baterias e definir estratégias de carregamento para cada linha.
O sistema também pode ajudar a antecipar falhas, acompanhar o desempenho dos equipamentos e organizar intervenções de manutenção sem comprometer a operação.
Em redes maiores, a coordenação por software será fundamental para evitar que vários ônibus sejam direcionados simultaneamente a um número insuficiente de carregadores.
Infraestrutura distribuída reduz dependência das garagens
A concentração de toda a recarga nas garagens pode exigir ampliações significativas da rede elétrica local.
Centenas de ônibus conectados durante um mesmo período representam elevada demanda de potência, além da necessidade de carregadores, transformadores, subestações e áreas adequadas para estacionamento.
Ao distribuir parte do carregamento por terminais, estações e vias, a Electreon propõe reduzir essa concentração e utilizar diferentes pontos da rede elétrica.
A solução não elimina necessariamente a recarga nas garagens, mas pode complementar a infraestrutura e reduzir a quantidade de energia que precisa ser fornecida em um único local.
Baterias menores podem reduzir peso e custos dos veículos
Uma infraestrutura que permita carregar os ônibus ao longo da operação pode influenciar o dimensionamento das baterias.
Quando o veículo depende apenas da energia armazenada antes da saída da garagem, precisa transportar uma bateria capaz de atender toda a jornada ou grande parte dela.
Com recargas frequentes, torna-se possível avaliar conjuntos de menor capacidade, dependendo das características da linha.
A redução do tamanho das baterias pode diminuir o peso do veículo, liberar capacidade para passageiros e reduzir o consumo energético. A viabilidade dessa estratégia, porém, depende do planejamento de cada operação e da disponibilidade da infraestrutura.
Recarga será tema dos fóruns da ANTP e da UITP
A Electreon participará da programação técnica da Lat.Bus 2026, levando o tema da infraestrutura energética para dois importantes espaços de discussão.
No dia 12 de agosto, Ronen Avraham, diretor da companhia para a América Latina, participará do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, promovido pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).
No dia seguinte, 13 de agosto, o executivo integrará a programação da União Internacional de Transportes Públicos (UITP).
As apresentações abordarão os desafios enfrentados por operadores urbanos e sistemas BRT na implantação de frotas elétricas.
Experiências internacionais serão apresentadas em São Paulo
Durante os encontros, a empresa apresentará projetos internacionais nos quais a recarga sem fio foi integrada às operações de transporte.
Os casos servirão como referência para debater temas como disponibilidade de frota, tempo de carregamento, utilização da infraestrutura elétrica e planejamento das linhas.
A companhia pretende demonstrar que diferentes tecnologias de recarga podem ser aplicadas de maneira complementar e adaptadas às condições de cada cidade.
O debate também deverá considerar as particularidades do mercado brasileiro, como extensão das linhas, clima, topografia, capacidade da rede elétrica e diversidade operacional.
Projeto na Noruega aplica tecnologia em sistema BRT
Uma das experiências que deverá ganhar destaque é o projeto desenvolvido em Trondheim, na Noruega.
A iniciativa utiliza recarga sem fio em rota para um ônibus elétrico de um sistema BRT, com fornecimento de energia durante o movimento e nas paradas.
O projeto demonstra como a infraestrutura pode acompanhar a rotina de um veículo de alta utilização, oferecendo energia sem depender exclusivamente do retorno à garagem.
Para a Electreon, a experiência representa uma referência para corredores que precisam manter elevada disponibilidade e reduzir períodos de imobilização.
Corredores BRT apresentam exigências específicas
Os sistemas Bus Rapid Transit possuem características que tornam o planejamento da recarga especialmente desafiador.
Os veículos operam com alta frequência, transportam grande quantidade de passageiros e percorrem corredores nos quais qualquer interrupção pode afetar toda a programação.
Além disso, ônibus articulados e biarticulados costumam apresentar maior consumo energético devido ao peso, à capacidade e à intensidade da operação.
Por outro lado, a infraestrutura segregada e as paradas padronizadas dos corredores BRT podem facilitar a implantação de sistemas de recarga estacionária ou dinâmica em pontos estratégicos.
Empresa defende nova arquitetura energética para o transporte
A proposta apresentada pela Electreon vai além da instalação de carregadores individuais.
A companhia defende uma arquitetura na qual a infraestrutura energética seja planejada como parte integrante do sistema de transporte, considerando simultaneamente veículos, vias, linhas, horários e rede elétrica.
Nesse conceito, a energia deixa de ficar concentrada em um único ponto e passa a acompanhar a lógica dos deslocamentos urbanos.
Segundo Ronen Avraham, a eletrificação do transporte coletivo já se tornou realidade, mas o próximo desafio será garantir que a infraestrutura consiga acompanhar a operação e oferecer flexibilidade aos gestores.
Lat.Bus reunirá principais soluções para mobilidade coletiva
A Lat.Bus – Feira Latino-Americana do Transporte será realizada de 11 a 13 de agosto, no São Paulo Expo.
O evento reúne fabricantes de chassis e carrocerias, empresas de tecnologia, operadores, gestores públicos, fornecedores de componentes e entidades representativas do setor.
A edição de 2026 terá a eletrificação como um de seus principais temas, reunindo ônibus de emissão zero, sistemas de carregamento, soluções digitais e debates sobre financiamento e infraestrutura.
A presença da Electreon amplia a discussão sobre as diferentes possibilidades de abastecimento energético das frotas elétricas.
Brasil precisará combinar soluções para ampliar eletrificação
A diversidade das cidades brasileiras indica que não haverá uma única solução de carregamento adequada a todos os sistemas.
Municípios com linhas curtas e longos períodos de permanência nas garagens podem concentrar a recarga nesses locais. Já grandes metrópoles, operações 24 horas e corredores de alta demanda poderão precisar de alternativas complementares.
Terminais, pontos finais, estações e trechos viários poderão assumir papel estratégico na ampliação da autonomia e da disponibilidade dos ônibus.
A escolha dependerá de estudos que considerem custos, potência elétrica, demanda operacional, durabilidade das baterias e capacidade de expansão.
Electreon reúne mais de 20 projetos globais
A Electreon atua globalmente no desenvolvimento de infraestrutura inteligente de recarga sem fio para veículos elétricos.
A empresa informa possuir mais de 20 projetos internacionais, além de mais de 400 patentes concedidas ou em processo de aprovação.
Sua rede inclui mais de 25 parceiros automotivos e uma equipe formada por mais de 120 profissionais.
A plataforma foi desenvolvida para atender diferentes categorias de veículos e condições operacionais, permitindo configurações específicas conforme as necessidades de cada mercado.
Infraestrutura será decisiva para o futuro dos ônibus elétricos
A chegada de um número crescente de ônibus elétricos às cidades brasileiras tornará a infraestrutura de recarga um componente essencial da qualidade do serviço.
Sem um sistema energético bem dimensionado, veículos modernos poderão permanecer indisponíveis, exigir baterias maiores ou gerar custos adicionais para os operadores.
Ao levar essa discussão à Lat.Bus 2026, a Electreon pretende demonstrar que a eletrificação não termina na compra dos ônibus.
Ela depende de uma integração entre energia, tecnologia e planejamento operacional capaz de manter os veículos em circulação, assegurar a regularidade das linhas e sustentar a expansão das frotas de emissão zero.
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